OS KENNEDYS

                O canal a cabo E&A, apresentou em oito capítulos a biografia não autorizada da família Kennedy. A série reproduziu alguns episódios que marcaram a história dos EUA na primeira metade dos anos 60, como o incidente da Baía dos Porcos, a crise dos mísseis russos e a luta pelos direitos civis.                        No lado pessoal a obra foi focada na falta de escrupulos do patriarca Joseph Kennedy, na obsessão sexual de John, na retidão de Robert e na fragilidade de Jackie. Tudo começou quando Joseph foi "atropelado" por Franklin Roosevelt, o então presidente do EUA, no seu desejo de chegar à Casa Branca. Afastado do processo, preparou seus filhos para alcançarem seu objetivo.             Após a morte em combate de Joe, o filho escolhido para seguir carreira política, Joseph, que só acreditava no poder do dinheiro, conseguiu que John fosse servir na Marinha e também fosse para frente de batalha. O navio foi afundado, ele sofreu um ferimento na coluna e ganhou uma medalha por seu heroísmo.            John foi eleito congressista pela primeira vez por um distrito de Massachusetts, dominado por descendentes de irlandeses e italianos, onde ele nunca havia colocado os pés. Joseph comprou literalmente o voto dos "irlandeses" e patrocinou uma segunda candidatura "italiana", para dividir os italo-descendentes.                           Ante a infidelidade de John, meses depois de casada, Jackie comunicou a Joseph que pediria o divórcio. O patriarca ofereceu-lhe um milhão de dólares para desistir da idéia, mas ela recusou. Foi demovida de seu intuito pelo alerta de Joseph de que poderia se tornar primeira dama dos EUA aos 31 anos.                       Rose, matriarca da família, disse a Jackie que os Kennedys tinham grandes virtudes e grandes defeitos e que eles foram os homens que elas escolheram. Rose sabia que Joseph, mesmo já velho, era amante de Michele, sua secretária de meia idade e que John traía Jackie "à torto e a direito".              Para Joseph nada podia atrapalhar a vitória do filho na campanha para presidente dos EUA: afastou Sammy Davis,Jr do programa de Frank Sinatra, que apoiava John, porque era casado com uma branca. Internou sua filha excepcional, Rosemary, que era protegida pela mãe, Rose, num convento. Em segredo, autorizou que a filha fosse submetida a uma operação de lobotomia, que não logrou sucesso. A partir de então, ela passou a vegetar.                   Frank Sinatra, que era apenas tolerado pelos Kennedys, intermediou um encontro, em Boston, do patriarca (a pedido deste) com o mafioso San Giancana para apoiar a eleição do filho. Em troca, Joseph, por conta própria, assegurou ao mafioso que ele seria deixado em paz.             Robert Kennedy (Bob), que foi obrigado pelo pai a ser o Procurador Geral (Ministro da Justiça) para proteger e vigiar as saídas do irmão e, ainda, para blindá-lo, tomava para si as discussões políticas mais ásperas tanto com os membros do gabinete de John quanto com os adversários do presidente.                        Para que o FBI permanecesse independente (fora do controle do Ministério da Justiça), Edgar Hoover, seu diretor, chantageou os irmãos Kennedy mostrando fotos das escapulidas de John com mulheres que Hoover afirmava serem agentes de San Giancana, além da gravação da conversa de Joseph com o mafioso. John e Bob afastaram o pai da Casa Branca por causa da iniciativa de contato com o mafioso. Joseph sofreu um derrame irreversível. Logo após, a matriarca Rose, alegando que era uma vingança de Deus, demitiu Michele, a secretária e amante de seu marido.                       John era viciado em remédios. Ingeria 19 por dia. Depois passou a tomar também injeções de anfetamina para suportar as dores da coluna, fruto do acidente de guerra, e para insônia. Sua esposa, Jackie, para agüentar as pesadas agendas de primeira dama e de mãe, passou a tomar também as injeções de anfetamina. Porém, pouco depois (ou logo depois) parou com as aplicações, mas não conseguiu que John fizesse o mesmo.                       O "caso" com Marilyn Monroe tornara-se um fardo para John. Pediu, então, a seu irmão Robert que terminasse, por ele, seu romance com a atriz que tentara, sem sucesso, conquistar Robert também. Marilyn suicidou-se logo após o término do romance.            Após a fracassada tentativa de invadir Cuba pela Baía dos Porcos por forças de exilados cubanos anticastristas formados pelos EUA, John ficou inseguro para travar uma "guerra fria" com o primeiro-ministro russo Nikita Khruschov (a crise começou quando os soviéticos, em resposta a instalação de mísseis nucleares na Turquia, em 1961, e à invasão de Cuba pelos estado-unidenses no mesmo ano, instalou mísseis nucleares em Cuba).                        Paralelo a esse fato, Jackie foi para a Virgínia com os filhos, o que deixou John mais impotente ainda. O presidente voltou a se impor ante aos soviéticos quando Jackie voltou para a Casa Branca, prometendo não mais deixá-lo. Logo após a Rússia aceitou os termos propostos pelos EUA.                       No sul do país, onde mais delicada era a tensão racial, Kennedy decidiu intervir pessoalmente para garantir os direitos civis da população negra. A principal demonstração pública da sua política de igualdade foi determinar a Guarda Nacional que garantisse a matrícula de um negro na universidade freqüentada exclusivamente por brancos.                      Robert, por ter feito muitos inimigos, se julgava culpado pela morte do irmão John e aproximou-se perigosamente de Jackie, que preferiu ficar segura ao lado de Onassis.                Sempre fico em dúvida quanto à veracidade de biografias. Se for autorizada, não conterá o que poderá prejudicar o biografado. Caso não seja autorizada, revelará fatos, cuja autenticidade será sempre contestada. O grande defeito da minissérie "Os Kennedys" foi o de não reproduzir a emblemática cena de Marilyn Monroe cantando "Parabéns para Você", numa festa de aniversário de John Kennedy. Mas, quem sabe isso não seja uma outra história?