OS NOMES DO FUTEBOL

                Possuo apenas dois hobbies: prestar atenção em nomes exóticos, como os do casal de gêmeos Margarina e Margarino, e assistir a filmes de faroeste antigos, assunto que já abordei.              Passei a me fixar nos nomes exóticos quando, na ativa, tinha como tarefa receber, por telefone, inscrições para o “BC e Universidade”, ciclo de palestras promovido pelo Banco. Com o tempo observei que se o estudante tivesse sido batizado por nomes do tipo LadyMar, Josiwagner, Karolayne, Edyelson, certamente era proveniente da Baixada Fluminense.            Essa impressão foi ratificada por uma moradora do Leme que declarou numa discriminatória entrevista para a Revista de Domingo, de “O Globo”, que nos finas de semana vai à praia bem cedo e que sabe que é hora de ir embora quando ouve alguém gritar: “Josivaldo! Segura a mão de Charlene, menino!” É a senha de que o povão da baixada chegou.            Quem teve uma grande sacada sobre nomes foi o Ruy Castro na Folha-SP, de quem “chupo” algumas observações. A primeira é de que houve um tempo em que, ao andar pela rua, era fácil saber que time havia feito um gol: tanto pelo eco dos rádios sintonizados nos jogos daquela tarde ou noite, mas, também, porque os jogadores se chamavam Rivelino, Gérson, Zanata, Zico, Ademir da Guia, Reinaldo, Dirceu Lopes, De Leon, Flávio, Tostão, Pedro Rocha, Jairzinho, Fio, Clodoaldo. E só havia um de cada com esses nomes.               O cronista realizou um levantamento do nome dos jogadores dos times que vão disputar o “Brasileirão”, cuja contabilização resumi em 11 Leandros, 11 Rafaéis, 9 Thiagos, 8 Willians, 8 Felipes, 7 Diegos, 5 Renans (três são goleiros) e 4 Diogos.             Segundo o Ruy, é grande a lista dos futebolistas com o nome terminado em “son”. Entre eles: Acleisson, Anailson, Demerson, Emerson, Gilson, Jackson, Jeferson, Jobson, Joison, Keirrison, Kleberson, Liedson,  Maylson, Vilson. E mais 6 Andersons e 5 Wellingtons!             Acrescento as variações percebidas pelo cronista para as variações provenientes de Alexandre (Alex, Aleks, Alex Silva, Alessandro (vários), D”Alessandro, Alec Sandro e Alex Sandro), as que se referem a Ricardo (Richardson, Richarlyson, Rick, Ricardinho).            O que tenho notando, também, é que não há mais positividade nos apelidos. Havia o Roberto Dinamite, Orlando Pingo de Ouro, Príncipe Danilo, Dadá Maravilha, Mestre Ziza. Hoje os apelidos são pejorativos: Léo Gago, Rodrigo Mancha, Alexandre Pato, Paulo Henrique Ganso, Valdir Papel. O Vasco proibiu que seu ex-jogador Madson fosse chamado de Micão.   Também é digno de registro que os nomes começados por “W” começam a ganhar espaço: Wallace, Warley, Werley, Wesley e  Wallysson.             Volto ao Ruy Castro para registrar o final do texto: “Pensando bem, de que estou me queixando? Em que outra época teria Avine, Robston, Glaydson, Sheslon e Tressor?”

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