PÃO COM FEIJÃO

    <!– /* Font Definitions */ @font-face {font-family:Verdana; panose-1:2 11 6 4 3 5 4 4 2 4; mso-font-charset:0; mso-generic-font-family:swiss; mso-font-pitch:variable; mso-font-signature:536871559 0 0 0 415 0;} /* Style Definitions */ p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal {mso-style-parent:""; margin:0cm; margin-bottom:.0001pt; mso-pagination:widow-orphan; font-size:12.0pt; font-family:"Times New Roman"; mso-fareast-font-family:"Times New Roman";}@page Section1 {size:612.0pt 792.0pt; margin:70.85pt 3.0cm 70.85pt 3.0cm; mso-header-margin:36.0pt; mso-footer-margin:36.0pt; mso-paper-source:0;}div.Section1 {page:Section1;}–>                Em Friburgo, fui reconhecido por umvizinho de infância que não via há uma eternidade. Após as atualizações depraxe, elogiei o seu atual estado atlético e pedi que me revelasse o seusegredo para estar com corpo de maratonista, já que, ambos, éramosbastante “cheinhos”. Sorrindo, ele me respondeu que apenas abandonou o “pão comfeijão”.                Explicando o “pão com feijão”: tanto no almoço quanto no jantar o meuex-vizinho ficava escondido atrás de uma montanha de comida que colocava noprato fundo. As refeições, encomendadas por sua mãe numa pensão, nunca eramsuficientes para matar sua fome. Sem a possibilidade de repetir, incrementavasuas “bóias” com bastante farinha. “Batida” a comida principal, arrematava comuma bisnaga inteira recheada com a mistura que sobrara na periferia, umaespécie de tutu. Só, então, ficava satisfeito.               Depois de ter comentado sobre o encontro com a minha irmã, falamos das iguariascaseiras que ajudavam a acalmar o estômago nos tempos de pobreza  daadolescência. Lembramos de quando vistoriávamos a geladeira à procura de algumasobra de comida e o resultado era negativo. A solução era utilizar o tomate, que nunca faltava. Abríamos a fruta aomeio, retirávamos os caroços, recheávamos com açúcar e comíamos com todoprazer. Como plano “B”, caso o tomate não “matasse” a fome, elegíamos a cenouracrua,com ou sem casca.                O princípio do “pão com feijão”, além de adotado por nós naqueles temposdifíceis, rendeu três outras variações: o “pão com açúcar, o “pão combanana”, e o “pão com azeite”,  oprincipal deles, que pode fazer parte de qualquer caderno de receitas.Pegávamos as sobras de pão duro e as encharcávamos de azeite. O resultado eraque, além de amolecê-lo,  deixava aiguaria simplesmente deliciosa.                 Quando o estômago pedia um doce na sobremesa, a solução era descobrir ondeestava o leite condensado.  Escondidos damãe fazíamos pose para deixar cair na boca, lá do alto, através do furo dalata, aquele grosso fio de leite, cor de gelo, delicioso. Uma observação: tomarleite condensado de forma “legal”, ou seja, sem ser “roubado”, não possui omesmo sabor. Também como sobremesa servia laranja azeda. É só descascar, partirao meio e ir polvilhando a polpa com bastante sal. Não fica uma “Brastemp”, masdá para chupar.                   Duas receitas nos davam a impressão de que o café da tarde poderia sustentarnossos estômagos que sempre reclamavam mais nas invernais e geladíssimas tardesfriburguenses: 1) comer primeiro o miolo e deixar a casca e/ou o bico do pãopara o final. 2) afundar integralmente o pão com manteiga na xícara de café comleite. O resultado era comido a colheradas.                “Saideira”: por bastante tempo utilizei como recurso para melhorar um pratomeio “caidinho” misturar rodelas de banana na comida. Mas, depois, aprendi como genial cronista Sérgio Porto que não existe prato tão ruim – mesmo aquelesdas segundas-feiras que precedem um lauto almoço dominical da nossa preferência- que não melhore se ganhar dois ovos estrelados em cima. Apósexperimentar, descobri que a estratégia possui um “poder de cura”tão grande que consegue deixar “comível” até ensopadinho de jiló, chuchu enabo.