PAREM O MUNDO, POR FAVOR

    Amigos, tem-me dado vontade de repetir, com veemência, em certas ocasiões, o que alguém já disse um dia: “Parem o mundo, por favor. Eu quero saltar.” Cada ano minha esperança desacredita da sinceridade do desejo humano, de muitos de nós, tão repetido a cada réveillon : — “Feliz Ano Novo” —   Aliás, há seres humanos que têm uma facilidade muito grande em falar de paz, de amor, em versejar sobre esses temas, mas alguns desses (felizmente poucos, mas nem tanto) acabam é por traçar uma realidade que denegue o que parecia haver sido ditado pelos seus corações. Isto desde que o mundo é mundo, como dirão uns amigos, ou desde que nossa espécie evoluiu (?!) dos símios, de acordo com a teoria de Darwin. Por isso, não obstante minha eventual resistência, minha relutante fé, me considero, já há algum tempo, um revel quanto à nossa raça. Reajo, mas acabo tendo recaída. Nem se apresse em argumentar que a maioria das pessoas não é assim, por favor, ocorre que a minoria é que geralmente detém o poder maior, que decide, que escreve leis, que as executa e que conduz a infeliz maioria para desastres lamentáveis.  A História o prova e parece continuar a ser escrita com a mesma tinta, a mesma caneta (ou computador), pelo mesmo tipo de seres ditos humanos e racionais. Há os que se flagelam, pugnam, traem e são traídos, gastam grande parte do seu tempo de vida em querelas, em disputas menores, procurando saciar pequenas ambições. E chegam a se julgar modelos, e a pregar uma filosofia de vida e algum tipo de fé como o mais ditoso, o mais afortunado, abençoado… Que Deus nos proteja. Se fazem algum exame de consciência geralmente devem postar-se à frente de um espelho. Assim ouvem apenas a sua própria voz, posto que a da sua consciência, convenientemente, deve estar amordaçada.  Outros, porém, entregam-se a disputas… maiores. O poder os cega, os corrompe, e dá-lhes aquele pequeno empurrão para que seu caráter se revele definitivamente expondo a face da ambição, da maldade, da corrupção, do terror, da tortura, da morte, etc. Curiosamente esse poder costuma lhes ser entregue justo pela… maioria, e democraticamente. Ah, democracia, vilipendiada, hoje, tão ou mais que ontem. Claro que nem todos os governantes são tão repugnantes, mas infelizmente alguns o são e isto basta para que nossa esperança em um mundo melhor possa não passar de mera frustração. Acha que não? Pois veja: afinal o poder maior do planeta é o que mais aterroriza, o que mais se ocupa com um belicismo quase generalizado a fazer ameaças a quem bem entende, a querer dar lições a um mundo que sabe não ser ele o exemplo maior nem melhor para nada, absolutamente?! Você pode estar tranqüilo, mas somente até nós virmos também a ser um dos alvos dos donos do mundo. Não pense que o fato de a CIA ter considerado que nosso país pode ser uma nação forte dentro de pouco mais de uma década trata-se de elogio. Atenção, vejo muito mais cores de velada ameaça nessa “previsão”. Cuidado. É só pensarmos que podemos e logo veremos que não. O resto é história da carochinha. Mudando de Chico para Francisco, como se diz popularmente, saibam que no mês de janeiro cientistas da maior credibilidade no cenário internacional estiveram reunidos por vários dias na Europa. Na pauta a séria e justificada preocupação com o destino de nosso planeta. E não pensem que o prazo para eventuais catástrofes, perfeitamente previsíveis, ainda chega a meio século, como antes consideravam. Agora o prazo se mantém em torno de apenas uns 10 anos. Está começando a se preocupar, amigo?  O aumento da temperatura média anual, o derretimento constante de geleiras nos pólos, a elevação gradual do nível dos mares, o desflorestamento de extensas áreas, especialmente na Amazônia, a modificação no eixo da terra como conseqüência do recente e assustador terremoto na Ásia, com graduação superior a 9 pontos, as ondas gigantes que ceifaram mais de 300.000 vidas, tudo isto tem sido por eles considerado como conseqüência da irresponsabilidade humana no mal trato para com o  meio ambiente. E sabemos que é uma grande verdade, mas alguns acham um exagero!! Aí está, já há oito anos, o conhecido Protocolo de Kyoto. Assinando-o as nações se comprometem a adotar as providências necessárias para reduzir a um nível mínimo a agressão ao meio ambiente. Muitos países já participam desta iniciativa. Infelizmente algumas das nações mais industrializadas e que, por conseqüência, enviam para nossa atmosfera poluição em grande escala, têm se recusado a assiná-lo.  A nação que mais polui o meio ambiente todos sabem qual é: os EUA, mas seus governantes vêm, sistematicamente, virando as costas ao Protocolo de Kyoto. Devem se imaginar indestrutíveis e que se este planeta explodir, ou afogar-se, ou torrar em chamas, ou despencar no abismo do infinito, eles não irão junto. Santa estupidez.  Leiam, por favor, o que retirei da imprensa internacional no começo de fevereiro: “Na Grã-Bretanha, o The Independent publica manchete alarmista, dizendo que estamos vivendo uma "contagem regressiva para uma catástrofe global". A catástrofe alardeada pelo diário londrino se refere ao aquecimento global. Um estudo a ser divulgado na terça-feira diz que em dez anos o mundo pode chegar a um ponto em que não vai mais ser possível reverter os estragos causados no clima pela poluição.  Se isso de fato acontecer, o jornal prevê a ocorrência generalizada de fracassos agrícolas, falta de água e grandes secas, aumento nas doenças, elevação do nível do mar e desflorestamento ao redor do mundo.”  De alarmista este noticiário não tem nada, todavia infelizmente ainda há muitos “cegos” que se recusam a ver um palmo além de seu mundinho egoísta e de sua paz entre quatro paredes. Talvez a voz dos cientistas a que me refiro acima não seja forte o suficiente para acordar consciências que insistem em poluir, desperdiçar e destruir. Azar o nosso, amigos