“PAS DE DEUX”

    <!– /* Font Definitions */ @font-face {font-family:Verdana; panose-1:2 11 6 4 3 5 4 4 2 4; mso-font-charset:0; mso-generic-font-family:swiss; mso-font-pitch:variable; mso-font-signature:536871559 0 0 0 415 0;} /* Style Definitions */ p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal {mso-style-parent:""; margin:0cm; margin-bottom:.0001pt; mso-pagination:widow-orphan; font-size:12.0pt; font-family:"Times New Roman"; mso-fareast-font-family:"Times New Roman";}@page Section1 {size:595.3pt 841.9pt; margin:70.85pt 3.0cm 70.85pt 3.0cm; mso-header-margin:35.4pt; mso-footer-margin:35.4pt; mso-paper-source:0;}div.Section1 {page:Section1;}–>Nossos filhos, em sua infância, tiveram que satisfazeralguns antigos desejos reprimidos dos pais: os meninos, de freqüentarem aulasde futebol, capoeira, etc. As meninas de balé. Também eram estimulados a torcerpelo time do progenitor. Além disso, o uso de aparelho no dentes era quaseobrigatório para ambos: menino ou menina. Minhas duas filhas não fugiram a regra: ganharam camisas do Vasco, fizeram balée passaram a usar aparelhos dentários corretivos móveis. A mais velha, quepassou a ser vascaína e nunca possuiu defeito algum nos dentes, logo se livroudaquela traquitana, abandonou a dança, trabalhou, casou, possui uma filha evive sua vida.A caçula (bem mais nova), ao contrário da primeira, passou a usar aparelho fixonos dentes e sempre gostou dessa história de dança, atividade para a qual o seucorpo esbelto leva jeito. Adotou o Flamengo e, gostava tanto de futebol, queandou até praticando o esporte na escola, contando com orgulho do cartãoamarelo que recebeu numa partida que disputou.Quando criança, além do colégio e a da academia, “montou” o show da Mariana”.Junto a três amigas contemporâneas, realizavam excursões pelos corredores,playground e salas dos apartamentos do prédio onde morávamos, treinando para asapresentações de danças nos respectivos aniversários. No dia do dela era umproblema: o show não poderia acabar sob a alegação de que, se terminasse,viriam os parabéns e todos iriam embora.  Ao crescer e ganhar corpo e altura passou a fazer parte do “cast” de dança daacademia. Foi quando, para posar de pai participativo, fingia que sabia tudosobre “fazer ponta”, “plié”, “aula pública” e “pás de deux’. Daí em diante, alguns dos meus finais de semana foram comparecer aos encontrosentre academias, geralmente realizados nos “países baixos” da baixadafluminense. Era necessário chegar cedo com a pesada bagagem artística compostapor uma ou duas bolsas médias a tiracolo e vários cabides com as suasfantasias.Era uma “delicia” ficar assistindo a inúmeras danças clássicas, desde o inícioda tarde ao meio da noite, de diversas companhias (alguma indigentes), quedemoravam “um século” entre uma apresentação e outra em teatros nem sempreconfortáveis.Veio a época de faculdade, pós-graduação e ela, então, parou com o balé. Deixouo Flamengo de lado e aderiu ao Orkut. Em seguida, foi fazer mestrado. Sua tesepassou a ser seu único assunto. Ouvindo suas intermináveis conversas notelefone, tentava entender o que queria dizer siglas como PAISM (pronunciadascomo se fossem palavras corriqueiras) e o que fazia o Grupo de Mulheres Nzinga.Há pouco tempo, ainda conservando o corpo esbelto e aproveitando que o prazopara casar não terminou, voltou para a academia. A princípio, não percebi asconseqüências. Só o fiz quando fui assistir ao espetáculo de encerramento de2009 num calorento teatro do subúrbio: ela não só voltou a dançar. É uma dasduas estrelas da companhia.Não sei não, mas ando desconfiado que, daqui pra frente, meus finais de semanaserão desfrutados em bucólicos e aprazíveis recantos turísticos da BaixadaFluminense como Queimados, Austin, Imabariê, Seropédica…