NOME DE RUA

                       Esta rua é a Primeiro de Março ou a Primeiro de Maio? Não sei. Estou sem calendário”. Piadinhas, infames à parte, assisti na TV que em determinados bairros da zona sul a prefeitura do Rio, tem incluído no rodapé das placas indicativas das ruas um histórico resumido de “qual foi” a do homenageado. Tem muito nome de rua que não é preciso explicar quem foi a pessoa, mas, em boa parte, pelo menos para mim, os homenageados são ilustres desconhecidos.                     As placas das ruas nos arredores do BC aqui no Rio estão precisando dessa providência. A maioria das pessoas sabe que a Avenida Presidente Vargas homenageia o ex-presidente Getúlio Vargas. Mas não creio que uma pergunta sobre outros homenageados, como o Barão do Rio Branco, nome da mais famosa avenida do centro da cidade, seja respondida por 1% dos entrevistados. Talvez por estar distraído em algumas das aulas de história, fui obrigado a consultar a internet para saber que o “homem” era “bola cheia”, com títulos de professor, político (?), jornalista, diplomata, historiador e biógrafo. Todavia, dando razão ao ex-ministro Delfim Netto quando afirmava que o bolso é o órgão mais sensível do corpo humano, nunca esqueci que o “Barão” já estampou a cédula de mil cruzeiros, que foi, durante muito tempo, o meu grande sonho de consumo.                    Aqui por perto, pontificam as ruas Marechal Floriano, Visconde de Inhaúma e Miguel Couto. Como no meu tempo de colégio éramos obrigados a saber, na “ponta da língua” quais foram os presidentes brasileiros, sei que o Floriano Peixoto foi um deles.  Mas, desconheço os motivos para que ele fosse trocado pelo Duque de Caxias na estampa das cédulas de cem cruzeiros, na década de 70. Ao ler sobre o Visconde de Inhaúma fiquei com a impressão de que ninguém sabe que ele foi um destacado militar.  Quanto ao Miguel Couto, o hospital com seu nome, faz com que algumas pessoas acertem que ele foi um médico.                      Um desencontro na questão dos nomes de ruas acontece em Ipanema, onde um endereço ficou famoso, porque, num sobrado, frequentado pelo pessoal da bossa-nova, foi o lugar onde Tom Jobim compôs “Garota de Ipanema”: Rua Nascimento e Silva 107. Entretanto, se a minha memória não falha, creio que um descendente dos Nascimento Silva foi signatário de um dos atos institucionais pós 1964. Sendo o Tom nome de aeroporto internacional, sugiro a mudança para ” Rua Garota de Ipanema”.                        O Carlos Heitor Cony corrobora a tese das injustiças nos nomes de ruas lembrando que Machado de Assis é nome de rua mesquinha, escondida no Catete. Enquanto isso, ex-ministro Ataulpho de Paiva dá nome a avenida mais importante do Leblon. Segundo o Cony, o Atahulfo chegou ao Supremo Federal, sem ser jurista e, à Academia sem ter livro publicado. Não perdia conferências, simpósios, palestras, debates ou mesas. Aprovava tudo que o orador dizia, lesse ele o catálogo de telefones ou tábua de logaritmos. Dizem que convidou Getúlio Vargas para entrar para a Academia. Mas, Getúlio tirou o corpo fora, alegando não haver vaga. Atahulpho respondeu: “Não seja por isso, presidente, eu me suicido”.

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