PASSANDO A SACOLINHA

    Não consigo atinar para os motivos que fizeram o Pastor Silas Malafaia, da Assembléia de Deus Vitória em Cristo, espalhar pelo Estado do Rio, no primeiro turno da campanha eleitoral, 600 outdoors atacando os direitos civis dos homossexuais. Nas peças, ao lado de uma imensa foto do pastor, há a mensagem: “Em favor da família e preservação da espécie humana. Deus fez macho e fêmea”.Numa data comemorativa ao perdão, zapeava pelos canais de TV, quando assisti a um padre, destituído de qualquer carisma e sem transmitir nenhuma emoção, pregar sobre a data. No mesmo dia, mais tarde, vi o Malafaia abordar o tema. Ele pulava, gritava, girava em torno púlpito e enfatizava cada palavra que dizia. Só não plantou bananeira. O resto ele fez. A partir daí ficou difícil me livrar dele. Ingenuamente, julguei-o diferente dos demais e durante três sábados seguintes, lá estava eu de frente à TV acompanhando-o até ao 1º intervalo. Comprovei o que já me haviam dito: quem assiste aos seus sermões por mais de um minuto não consegue trocar de canal. Silas Malafaia é um fenomenal comunicador de massas.Quando decidi não trocar de canal durante o intervalo da sua pregação, verifiquei decepcionado que ele, assim como a maioria dos pastores eletrônicos, também, após os seus shows de oratória, vendia inúmeros produtos religiosos e “passava a sacolinha” para as diversas doações.  O que mais me espantou foi a audácia de pedir doações de mil reais. Depois fiquei sabendo que a intenção dele era conseguir um milhão de doações, que perfaça um bilhão de reais, montante necessário para montar a sua própria rede de TV, assim como fizeram os “inimigos”, bispo Edir Macedo (de quem é desafeto, mas de quem foi pregador, com o salário de 40 mil dólares) e o pastor R.R. Soares. Dinheiro que deve tê-lo ajudado a comprar um helicóptero de R$12 milhões, a exemplo dos seus dois concorrentes.    Sua campanha foi intrigante porque há muito ele se consolidou como defensor do cristianismo ortodoxo e contrário a questões que estão na agenda da sociedade, como a legitimação do aborto, descriminilização das drogas, etc. Ele não precisava reafirmar a posição.Descartei a hipótese de que os outdoors poderiam estar a serviço da eleição do seu irmão, Samuel Malafaia, por não haver de forma explícita nenhuma alusão à política. Conclusão que poderia ser contrariada com a deflagração pelo pastor  nesta reta final do 2º  turno de nova campanha, com o oferecimento/agradecimento ao Senhor dos 303.284 votos obtidos por quatro dos seus “eleitos”, sob a frase: “A Deus toda honra e toda glória”. Como certamente Deus não tem nada a ver com o triunfo de nenhum deles, muito pelo contrário até, presumo que também não seja por aí.  " Há mais segredos entre o céu e a terra que a vã filosofia humana pode imaginar”, “filosofei” para  a minha esposa quando ela me perguntou sobre as campanhas. Ela retrucou no “popular””: “Vindo daquele Malafaia que você via na TV, não deve ser nada que preste”.

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