PEDIDOS PARA 2009

                É lugar comum que a virada de ano significa a reafirmação de velhas promessas que sequer são iniciadas: parar de fumar, fazer regime, entrar para uma academia, aprender a dançar, enfim, tudo aquilo que é apalavrado com todos os juramentos a Iemanjá e a Todos os Santos na noite de Ano Novo e que são sumariamente esquecidos a partir do dia 02 de janeiro.             Também nessa época, surge aquela fatídica pergunta do “E aí? Como foi de Festas?” e os repetitivos votos que os próximos 365 dias sejam de muita saúde, dinheiro, paz e amor.             Em tempos de internet, surgem edições “piratas” de jornais on-line exibindo manchetes que fariam à felicidade geral. Anotei três delas: “Israelitas, palestinos e muçulmanos trocam juras de amor na Faixa de Gaza”; “Índices de criminalidade no país apresentam deflação”; “Política de saúde pública na baixada fluminense é modelo para Cuba”. É otimismo para dar e vender.                Como todo mundo, também possuo uma lista de pedidos. Só que na contramão daqueles que sonham com o prêmio da mega-sena (a palavra foi registrada pela CEF com hífen!), os meus desejos são quase irrisórios. Ainda por cima acredito que, por serem autenticamente nacionais, fariam um bem danado ao país. Para que sejam realizados, faço até mesmo algumas promessas.              No carnaval deste ano, se ignorarem as presenças do Ivo Meirelles, da Lecy Brandão, do Carlinhos de Jesus, da Daniela Mercury, da Alcione, do Chiclete com Banana e do Elymar Santos, eu juro que suportarei o desfile de pelo menos uma escola.              Apesar do intenso desejo de que a maioria dos políticos seja deletada dos seus cargos, se daqui para frente houver sinal de que ficaremos livres de, pelo menos, Garotinho, Artur Virgilio, Roberto Jerférson, Paulinho da Força Sindical e Garibaldi Alves Filho e daqueles 7.343 novos vereadores, volto a dar um mínimo de crédito à política.            Se houver aposentadoria irreversível do Eurico Miranda e do Rubinho Barrichello – o primeiro pelo restabelecimento da moralidade no esporte e o segundo por pura incompetência – além da confirmação da saída de cena do Edmundo, do Romário, do Popó, e do Nalbert, retornarei à condição de inveterado desportista.                Voltarei a confiar cegamente na justiça se o Marco Aurélio Mota, o Gilmar Mendes e a OAB passarem a ficar nos seus lugares, ou seja, longe das câmeras, microfones e holofotes.             Juro que retornarei ao vício da leitura diária dos jornais se não forem mais noticiadas às viagens da Suzana Vieira, as brigas do Dado Dolabela com a Luana Piovani e a suposta gravidez da Ivete Sangallo.            Se ninguém mais ler os blogs do José Dirceu e do César Maia, eu passarei a ler as opiniões do Caetano Veloso no seu espaço on-line, onde discorre sobre tudo que não sabe.            O último desejo para 2009 é o mais simples: o de não mais receber e-mails de correntes de dinheiro para ganhar rios de dinheiro e de orações com milagres automáticos em prazo determinado. Em 2008, cumpri tudinho, certinho e bonitinho e o que recebi em troca foi um vírus “deeeesse tamanho” que, além da amolação, me deu um baita prejuízo financeiro.   Obs. Vou dar uma notícia boa e outra ruim: a boa, estou saindo de férias. A ruim: volto no dia 10.