REALIDADE OU FICÇÃO?

    Uma das cenas mais emblemáticas da TV aconteceu no dia 20/07/69 , às 23h56min31s, quando Neil Armstrong, tornou-se o primeiro homem a pisar na lua. O feito, assistido por 1,2 bilhão de pessoas, foi tão espetacular que os âncoras da transmissão da Globo, Rubens Amaral e Heron Domingues, cumprimentaram-se no ar, como se um dissesse para o outro: CONSEGUIMOS!Nos dias posteriores, o mundo não tinha outro assunto, porém, uma vizinha me chamou no canto e disse: – “Meu filho, essa história de que o homem foi à lua é invenção. Aquilo foi um filme!” Anos mais tarde, soube pela minha esposa, que avó dela pensava da mesma maneira.Em 1938, muitos anos antes, Orson Welles literalmente sacudiu Nova Iorque com sua adaptação para o rádio do romance de ficção-científica “A Guerra dos Mundos”, ao convencer um número surpreendente de cidadãos sensatos de que a terra estava sendo invadida por extraterrestres. Num antigo setor aqui do BC, apreciava uma foto da Nicole Kidman descendo uma escadaria, enquanto o Tom Cruise a observava do primeiro degrau. Olhando aquela lindíssima mulher espetacularmente elegante, exclamei em voz alta: –       Uma mulher dessas não existe! –       Ele é que  é um sonho! Um sonho impossível! – Disse uma voz feminina atrás de mim. Com boa vontade, os três parágrafos iniciais, poderiam corroborar, ou quem sabe, exemplificar, o pensamento de Albert Einstein, de que a “realidade é somente uma ilusão”.   Sem saber, quando adolescente, após desilusões amorosas, reprovações escolares ou sonhos desfeitos, andei concordando com o cientista. Deitado na cama olhando o teto e inconformado com as “derrotas”, ora acreditava, ora torcia para que realidade não passasse de ficção. Nessas horas, já naquela época, batia outra dúvida: o quanto de ficção era realidade?  E hoje em dia? Que gargalhadas e choros incontroláveis são aqueles que nos acometem ao assistirmos àqueles filmes emocionantes, em cinemas modernamente aparelhados, capazes de fazer a gente “viajar” pela história/estória através dos mais diversos sentimentos? É a ficção que se transformou em realidade ou a realidade que se transformou em ficção?Em apaixonadas trocas de cartas entre amantes que se encontram distantes, o que recebe possui a certeza absoluta de que o outro está ali presente lhe dirigindo a palavra, não é? Não!? Como não, se ouve a voz, sente o perfume, o hálito e o calor do corpo?  Recentemente, ao sentar para tomar um chope com amigos num bar em Friburgo, uma presença feminina que eu até aquele momento julgava ter sido uma ex-namorada “adentrou” no recinto, com a mesma aparência de 30 anos atrás: morena, pele de pêssego e corpo perfeito:-       Marinho (meu apelido), você por aqui! Já casou?-       Não só casei, como tenho até neta, a Clarinha, de quatro anos!-       Jurava que você fosse ficar solteiro! Nunca te vi com nenhuma namorada!Atônito, fiquei pensando: – Ué!? Mas nós não namoramos por uns meses! Será que ela não se lembra?! Ou será que bebi demais? Não é possível! Nem provei do chope ainda! Depois que ela se retirou, meus amigos, ironizaram “as juras” sobre o antigo namoro: – “Pô! Se hoje ela  é isso tudo, imagina aquela época?Não, era muita areia para o seu caminhão, não?E aí? Eu namorei ou julguei que namorei? Foi ficção ou realidade?Assisti ao filme “Antes do Amanhecer”, que tem como pano de fundo o passeio de um casal por Viena e comprovei que de tanto pesquisar sobre a capital austríaca, conheço tudo sobre a cidade. Até pronuncio aqueles nomes complicados. Já fui ao Hundertwasser Haus, prédio onde cada apartamento tem uma fachada diferente, ao palácio e jardins do Belvedere, a Casa de Freud, à óperas no Burgtheater , aos bares da Schwedenplatz. Passeei no parque Stadtpark, onde as pessoas saboreiam tortas, tomam cervejas e cafés enquanto assistem a concertos e sentei nos cafés Demel e Landtmann que era freqüentado por Freud. No entanto, nunca saí do Brasil! E aí?E os locais e pessoas que vemos pela 1ª vez e temos a impressão que conhecemos há 20 anos? A minha irmã, ao saber dessas idéias, diz sempre a mesma coisa: Eu não sei aonde você arranja tempo pra pensar tanta bobagem! Mas, quem sabe se de um disparate como este não surge um proveitoso e acalorado debate? Quem se arrisca primeiro? A Rosi o Vivas ou você?  Disso tudo aí, de uma coisa tenho certeza absoluta: a Daniela Escobar, a Malu Mader e a Luma de Oliveira foram criadas por computador. Não é possível que sejam de carne e osso!