SINAIS

    <!– /* Font Definitions */ @font-face {font-family:Verdana; panose-1:2 11 6 4 3 5 4 4 2 4; mso-font-charset:0; mso-generic-font-family:swiss; mso-font-pitch:variable; mso-font-signature:536871559 0 0 0 415 0;} /* Style Definitions */ p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal {mso-style-parent:""; margin:0cm; margin-bottom:.0001pt; mso-pagination:widow-orphan; font-size:12.0pt; font-family:"Times New Roman"; mso-fareast-font-family:"Times New Roman";}p {margin:0cm; margin-bottom:.0001pt; mso-pagination:widow-orphan; font-size:12.0pt; font-family:"Times New Roman"; mso-fareast-font-family:"Times New Roman";}@page Section1 {size:612.0pt 792.0pt; margin:70.85pt 3.0cm 70.85pt 3.0cm; mso-header-margin:36.0pt; mso-footer-margin:36.0pt; mso-paper-source:0;}div.Section1 {page:Section1;}–>           Todo dia quandolevanto da cama vou até a janela e vejo como está o tempo. E, a partir daí, emvez de ficar pensando em como vai ser o meu dia, se alguma dívida está vencendoou na necessidade de fazer um check-up, deixo-me levar pelas lembranças das”abobrinhas” do dia anterior, que variam entre as peripécias de algum “mocinho” de filmefaroeste, cenas de novelas de TV ou os gols do meu time. Ou seja, não penso em nada sério. Atéporque eu desprezo a hipótese de que sou mortal e que, como todo mundo, estousujeito a me molhar com o temporal e de me assustar com as trovoadas.              Contudo,meses atrás, ao cumprir o ritual matinal, a escuridão do dia e a intensidade dachuva lá fora, me levaram a outros pensamentos, através de duas cenas quepersistem guardadas há muito tempo no fundo do baú, versando sobre o mesmotema.            A primeira foi a irônica observação de um senhor com quem trabalhei nainiciativa privada de que os dias frios, chuvosos, de céu escuro e com neblinalembrando Londres, eram ideais para se cometer um assassinato.             A outra, uma recordação do meu pai, que no final da vida andava trocando muitoas bolas. Para testar como andava a sua memória, de vez em quando eu lhe faziaalgumas perguntas sobre a nossa família. Uma vez perguntei por um irmão deleque já havia falecido há anos. Ele simplesmente respondeu: – “Manuel? O Manuelacabou!”. Aquela resposta me fez imaginar aquele “acabou” como uma folha deárvore que seca, cai no chão, despedaça, apodrece e desaparece (já falei sobreisso).  Já na condução, ainda meio “encucado” com o tema, paratentar “mudar de assunto”, liguei o MP3 e lá estava o Ricardo Boechat, daBandNews, contando uma história sobre um almoço que participou com OscarNiemeyer: “eu queria perguntar ao Dr. Oscar sobre como ele, já com mais denoventa anos, via a perspectiva de morrer, mas estava cheio de dedos.Contei-lhe então que meu pai, que sempre foi incrédulo, no fim da vida, setornou místico e passou a acreditar até em simpatia, rogação de praga, essascoisas”. O Niemeyer não deu uma palavra. O Boechat então continuou: “tomei corageme perguntei: Dr. Oscar o que o senhor acha da morte?” E o Niemeyer: “Nada. Sepassarinho que é passarinho morre, porque não posso morrer?”. Resolvi mudar o rumo da prosa novamente e comecei a ler ojornal que estava dobrado na minha bolsa. Ao desdobrá-lo dei de cara com umamatéria sobre o Zeca Pagodinho dizendo que ele passou a temer a morte! Osambista, apesar de não dispensar a cerveja, cortou o pão que adora e estácaminhando.  No final da matéria declarou: – “Já passei dos cinqüenta, tenhoque tomar cuidados. Evito até sair de casa à noite. Tenho medo de ir embora…”Depois dessessinais todos numa só manhã, eu, que estou caminhando célere rumo para ser ummembro da terceira idade, concluo que preciso começar a pensar seriamente naremota possibilidade de que não vou ficar para semente.