“SPAM-NANDO”

    Nós que escrevemos para vários sites de literatura ficamos expostos numa vitrine onde pessoas que, muitas das vezes, nada têm a ver com o tipo de trabalho que desenvolvemos, valem-se disso para nos importunar quase diariamente. Claro que não me refiro a mensagens de pessoas gentis que nos convidam  a visitar seus sites, literários ou não,  e nos pedem para conhecermos seu trabalho. Nesses casos tenho o maior prazer em aceder a esses convites e, além da visita, ponho-me sempre o dever de escrever a essas pessoas e a comentar, a opinar com honestidade sobre o trabalho que desenvolvem. Acabo, muitas das vezes, ganhando novos(as) amigos(as). Também faço exceção àqueles que habitualmente me enviam histórias engraçadas, piadas, páginas inteiras de autores, famosos ou não, mas que têm uma mensagem a  comunicar, o que me agrada e às vezes até me comove muito. Em verdade esses são sempre amigos do peito, gente que freqüenta o meu coração diariamente. Gosto disso. Continuem mandando, por favor. Atualizações de sites literários recebo com o maior prazer, até porque faço o mesmo quando lanço novos trabalhos. Também nesses casos atendo às indicações e convites que amigos(as) me fazem e acho que todos deveriam usar dessa sistemática. Afinal não são todos os sites de literatura que comunicam suas atualizações ou que se referem aos autores daquela nova edição. Cada um tem seus critérios de trabalho. Gosto de acompanhar o trabalho desenvolvido por todos que comigo se comunicam. No mais costumo nunca deixar alguém sem uma palavra, sem uma resposta ao que me escrevem. Assim tenho colecionado amigos e amigas maravilhosos(as) e que estão sempre presente nos nossos melhores momentos de alegria, ou compartilham conosco as eventuais tristezas e mágoas. Creiam que a recíproca é verdadeira.  O meu “spam-nando” tem como alvo o indesejável, o excrementício, a anti-cultura ou mesmo o que não tem qualquer veio de ligação com o bom gosto, com o culturalismo, e até com o respeito que todos merecemos daqueles que a nós se dirigem. É incrível, hoje em dia, a quantidade de lixo de toda espécie que recebemos, o que deve estar acontecendo com tantos outros amigos e amigas. Outro dia alguém me escreveu dizendo que não agüentava mais tanta baboseira, tanta baixaria, tanta inutilidade que atiram em sua caixa de correspondência. Referia-se a coisas várias, inclusive do tipo… “veja como aumentar o seu pênis…” e tratava-se de uma senhora, excelente escritora, poeta, professora, entre outras muitas virtudes que possui. É uma falta de respeito, uma agressão, uma hostilidade imperdoável. Outras pessoas se têm queixado desta verdadeira invasão de nossos espaços por agentes do mau gosto, da autêntica anti-cultura, processo este que parece vir num crescendo atualmente. Eles se defendem por trazerem, ao final, aquela observação exigida por lei. Para alguns é pura inutilidade, já que ao retornarem à nossa telinha vêm, muitas das vezes, com outro  nome, com outro endereço de e-mail. Antes de minhas correspondências chegarem ao “Outlook” elas são filtradas no “Mailwasher”. Lá eu já incluí uma relação imensa de endereços que são indesejáveis, do tipo a que me refiro acima, e que ficam numa “lista negra” para devolução aos remetentes. De que me adianta isso? Deveria ser a solução, mas não é. Recebo coisas repetidas que vêm, na vez seguinte, com endereço diferente e então driblam a referida “lista negra”. Por outro lado, não me agrada adotar alguns novos sistemas que provedores oferecem visando alijar de nossa caixa de entrada muitos desses chamados “spam”. Eles não deixam de ter utilidade, claro, mas, há também o reverso da medalha. Explico: já aconteceu de eu escrever para alguém com quem costumo me corresponder e ver minha mensagem sendo devolvida pelo tal sistema que a considerou, digamos, “spam”, isto em várias oportunidades. O destinatário não teve nenhuma interferência nessa devolução, mas o sistema não foi feito para pensar, para selecionar e nem para interpretar. Apenas obedece cegamente certas regras e as executa.   Acho isso muito desagradável para quem nos escreve, entendem? Eu jamais submeteria meus amigos e amigas a essa situação. Há que ter mais cuidado quando se acolher esses oferecimentos de nossos provedores. Há que estabelecer regras bem definidas e que nós ditemos a eles, em vez deles o fazerem. Se isso for possível, tudo bem, do contrário, pelo menos eu não aceito isso.  Mas, finalizando, a verdade é que esta situação com o bombardeio de “spam” a que temos estado sujeitos, vem se tornando cada vez mais séria. Se alguém tiver uma fórmula mágica que realmente solucione este problema, sem prejudicar o relacionamento com os muitos amigos que nos escrevem, por favor, me indique.