Vai QUE…

               A internet está nos deixando mais burros e dificultando o aprendizado. Faz com que a nossa dependência dos PCs e celulares seja crescente. Está afetando a nossa capacidade de raciocinar e de realizar algum esforço. Dois exemplos em uma matéria de O Globo mostram situações que podem acontecer com qualquer um no dia-a-dia.            Um diretor de empresa usou a internet para “se “virar” em São Paulo. Sem saber o endereço do local para onde ia, checou o endereço durante o trajeto do táxi e informou ao motorista. Ainda pela web pesquisou restaurantes e verificou on-line o que havia no cardápio.           Uma estudante universitária é tão apaixonada pelo seu IPhone que quase esqueceu a matemática. Disse que quando saiu do colégio desaprendeu a fazer contas. O que faz quando recebe troco? Não confere! E diz que mesmo acontece com algumas colegas.           A leitura da matéria me levou a recordar que no “meu tempo” a vida poderia dar mais trabalho, mas era mais romântica. Tinha graça.                  No atual 1º grau tinha que saber na matemática, de “cór e salteado” – no mínimo – a tabuada e os números relativos. Em português, era preciso trazer na ponta da língua, entre outras coisas, a conjugação dos verbos, os pronomes e as preposições. Além das provas escritas, havia as lições orais, “cara a cara” com a professora, em pé “lá na frente”, encarando a turma.           Quando cheguei ao Rio, carregava a “minha vida” numa enorme bolsa a tiracolo que quase esbarrava no chão. Além de inúmeros objetos pessoais, levava, entre outros objetos, agenda, fichas de telefone, envelope e papel de carta, livros, jornal e o Guia Rex.           Fichas para telefonar para meus pais. Envelope e papel de carta para me corresponder a namorada distante. Agenda para procurar endereços de amigos e conhecidos e Guia Rex para me guiar pelas ruas do Rio. Nada era fácil. Tudo requeria algum trabalho.            Hoje, os corretores ortográficos alertam para os erros. O Google decretou a falência das enciclopédias.  Vai longe o tempo em que se via alguém com o lápis pendurado na orelha para fazer a conta “à mão”. Todo mundo usa calculadora eletrônica. Os GPS indicam o caminho aos carros. O e-mail acabou com as longas cartas apaixonadas em papel perfumado. Em muitas universidades a sala de aula é uma tela de TV. O ensino é à distância.           A “vida” cabe no celular guardado no bolso da camisa: calculadora, TV, agenda, relógio, calendário, FM, câmera, GPS, vídeo, internet, e-mail. Tudo está ao nosso alcance. São raras as dúvidas, os improvisos, os imprevistos. Está tudo previsto nos “script s.             Outro dia vi um camelô anunciar a venda de uma tabuada, informatizada e “atualizada” – 2011. Pensei em ver quais eram as “atualizações” propostas pela informatização, para ver se havia alguma surpresa, mas fiquei com medo. Vai que dois mais dois deixe de ser quatro… .