Para diretor do BNDES, pedido de devolução não é inconveniente

    O diretor financeiro do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Carlos Thadeu de Freitas Gomes, disse não ver inconveniente numa eventual devolução antecipada de R$ 100 bilhões à União. Ele afirmou, porém, que é preciso estudar a forma como seria feita essa devolução e destacou a importância de definir uma estratégia que não atrapalhe a dinâmica do banco. “Isso atrapalharia a União também, já que o banco paga dividendos para a União”, afirmou ontem, no Senado.

    Com dificuldades para fechar as contas, a equipe econômica estuda pedir ao BNDES a devolução de aproximadamente R$ 100 bilhões de empréstimos de longo prazo que o Tesouro Nacional liberou ao banco nos últimos nove anos.

    Questionado sobre se este seria o momento para o BNDES realizar essa devolução, o diretor financeiro disse que “o momento é aquele em que o banco estiver com condições favoráveis de não depender mais desses recursos”. “Neste momento, ele [o banco] depende, mas não tanto, porque o banco não tem tanta demanda por empréstimo como teve no passado. Está aumentando [a demanda por empréstimo]. Se continuar aumentando a demanda de empréstimo, é provável que a gente tenha de mostrar um fluxo de caixa dizendo que tem um timing para isso, fazer várias tranches”, disse o diretor.

    Segundo Gomes, o BNDES baixou, na semana passada, os seus spreads, o que deve contribuir para aumento na demanda por empréstimos. “O BNDES está muito mais competitivo. Os bancos estão emprestando menos e o BNDES quer emprestar mais. Então, é óbvio que dentro desse cenário não vamos ter recursos tão férteis como já tivemos no passado, mas também não estamos com necessidade de dizer não para o Tesouro. Não existe essa possibilidade”, disse.

    O diretor financeiro considera importante discutir em que formato, se por meio de Títulos públicos ou dinheiro, uma eventual devolução de recursos à União deveria ser feita. Ele lembrou que, no ano passado, o BNDES repassou R$ 100 bilhões ao Tesouro Nacional, de forma líquida e também por meio de títulos.

    “Tenho a impressão que a devolução mais formal é em títulos. Recebeu títulos, devolve títulos. É a mais formal. Talvez seja essa devolução também”, afirmou Gomes, observando que, até aquele momento, a União não havia feito comunicado ao BNDES sobre o pedido.

    O diretor disse também que, para compensar uma saída lenta e gradual do Tesouro Nacional de seu funding, o banco de fomento pode passar a captar mais recursos externamente. “O Tesouro tem suas necessidades orçamentárias. Ele não pode deixar de, eventualmente, em momentos de déficits primários muito elevados, pedir ao banco que devolva parte desses recursos”, disse. À medida que recursos forem devolvidos à União, o BNDES pode ir ao mercado de capitais internacional, explicou.

    “Já que o banco sempre foi um captador no mercado de capitais internacional, vai compensar um pouco essa saída gradual e lenta do Tesouro Nacional de seu funding. Ele vai voltar para o mercado de captação internacional, que tem funding longo também”, afirmou.

    Fonte: VALOR ECONÔMICO

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