Sindicato reclama de tentativa de “fomentar indisposição” entre BC e STF

    Segundo a entidade que representa os funcionários do BC, há uma tentativa de “construir artificialmente um clima de antagonismo” entre a autarquia e o STF

    Redação O Antagonista | 31.12.2025

    Diante do debate gerado pela liquidação extrajudicial do Banco Master, o Sindicato dos Funcionários do Banco Central (Sinal) emitiu nota na terça-feira, 30, para repudiar qualquer tentativa de “fomentar indisposição institucional” entre a autarquia e integrantes do Supremo Tribunal Federal.

    Segundo a entidade, há uma tentativa de “construir artificialmente um clima de antagonismo” entre o BC e o STF.

    Para o sindicato, tais iniciativas “apenas contribuem para a desinformação, fragilizam o debate público e colocam em risco a credibilidade das instituições”.

    Leia a nota na íntegra:

    “O SINAL – Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central vem acompanhando as recentes notícias relacionadas à decisão do Banco Central do Brasil (BC) de submeter instituições financeiras ao regime de liquidação extrajudicial.

    No debate público que se seguiu, têm sido veiculadas as mais diversas “análises”, muitas delas antagônicas entre si: há quem afirme que houve demora na decretação do regime, enquanto outros apontam precipitação; alguns falam em pressões do mercado, outros em pressões de agentes políticos. Em determinados casos, chega-se inclusive a tentar construir artificialmente um clima de antagonismo entre o BC e o Supremo Tribunal Federal (STF).

    O SINAL repudia veementemente qualquer tentativa de arrastar o Banco Central para disputas de natureza político-eleitoral ou de fomentar indisposição institucional entre a autarquia e membros do STF. Tais iniciativas apenas contribuem para a desinformação, fragilizam o debate público e colocam em risco a credibilidade das instituições.

    Reiteramos nossa plena confiança na lisura, na qualidade técnica e no compromisso público dos trabalhos realizados pelos servidores do BC — Auditores, Técnicos e Procuradores — que constituem a base técnica das decisões adotadas pela Diretoria Colegiada da instituição. Essa excelência profissional é amplamente reconhecida, no Brasil e no exterior, e tem sido determinante para que o país atravesse sucessivas crises financeiras internacionais preservando um sistema financeiro sólido, estável e confiável para a sociedade brasileira.

    O SINAL expressa, ainda, sua convicção de que todos os esclarecimentos necessários serão prestados às autoridades competentes pelos representantes do Banco Central, no tempo adequado e nos fóruns e instâncias institucionais apropriados, como sempre ocorreu.

    Por fim, não poderíamos deixar de registrar nosso absoluto repúdio a manifestações oportunistas que tentam explorar o episódio para promover a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 65/2023. Trata-se de uma proposta altamente lesiva aos interesses da sociedade e atentatória às garantias atualmente asseguradas aos servidores do Banco Central, garantias estas que lhes permitem atuar com autonomia técnica, sem submissão a pressões externas indevidas. A retirada do BC da esfera do direito público, além de introduzir grave insegurança jurídica, fragilizaria o regime jurídico do seu corpo funcional e comprometeria a própria natureza pública da Autoridade Monetária.

    Não há dúvida de que as decisões do Banco Central, em todos os campos de sua atuação, produzem impactos relevantes sobre a sociedade. Justamente por isso, a instituição está permanentemente exposta a pressões de diferentes naturezas — políticas, sociais e de mercado. É exatamente nesse contexto que se evidencia o caráter de atividade típica de Estado desempenhada pelo BC e a necessidade de que seus servidores estejam submetidos às regras e garantias do direito público e do Regime Jurídico Único (RJU), que lhes asseguram proteção institucional e tranquilidade para o exercício pleno de suas funções.”

    Toffoli e o BC

    O ministro Dias Toffoli, do STF, convocou o diretor de Fiscalização do BC, Ailton de Aquino Santos, para participar da acareação entre Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB.

    Como mostramos, o Banco Central questionou Toffoli sobre a natureza e a urgência do ato.

    Em meio a críticas, o ministro do STF autorizou a Polícia Federal a decidir sobre acareação em inquérito do Banco Master.

    Os interrogatórios ocorreram na terça-feira, 30.

    O inquérito integra o chamado caso Master, que tramita no tribunal para apurar condutas no setor financeiro. As autoridades buscam conciliar as informações colhidas para fundamentar os próximos passos da instrução processual.

    O foco da PF reside na verificação da exatidão dos dados fornecidos durante as oitivas.

    Fonte: O Antagonista

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