Edição 194 – 4/11/2019

BC no “Carreirão”? O presidente se dirige à categoria


O presidente do Banco Central do Brasil, Roberto Campos Neto, instado pela forte mobilização dos servidores, que avançou em todas as sedes da Instituição, dirigiu-se na última sexta, 1º de novembro, por meio de videoconferência, a todo o corpo funcional, a partir de São Paulo, onde compartilhou a mesa com o presidente do Sinal, Paulo Lino, que horas antes havia entregue, pessoalmente, oficio com o pedido de audiência.

Em sua fala inicial e nas respostas às questões dos servidores, o presidente foi enfático ao afirmar que, na primeira fase, a Reforma Administrativa, que está para ser encaminhada ao Congresso Nacional no formato de Proposta de Emenda à Constituição (PEC), não tratará de assuntos ligados às carreiras do funcionalismo, ficando afastada, no momento, a ameaça imediata da inclusão do BC no que se convencionou chamar de “Carreirão”.

Assegurou, ademais, que não considera a hipótese de o BC não ter carreira específica, dada a natureza de suas atividades, principalmente diante da possibilidade de vir a obter, formalmente, autonomia técnica, operacional, administrativa e financeira, e que, numa fase posterior da reforma – dentro de um ano e meio –, destinada à revisão das carreiras do serviço público, caso seja necessário, empenhará todos os seus esforços para garantir a manutenção da estrutura funcional atualmente vigente na Casa.

Sem tempo para ficar aliviado 

Ainda que em boa hora, a manifestação do presidente do BC, muito longe de tranquilizar, deve servir para que nos conscientizemos da força de nossa mobilização e da necessidade de permanecermos em estado de atenção total, pois a Reforma Administrativa que o governo pretende implantar atinge duramente todos os servidores públicos e precisará ser enfrentada com muita coragem e determinação.

Redução de salário e jornada de trabalho em 25%; congelamento remuneratório pelos próximos anos; suspensão da progressão e promoção funcional; aumento no número de níveis para se atingir o topo da carreira; modificações estruturais na licença capacitação; fim da estabilidade; avaliação de desempenho sujeita a discricionariedades e novas formas de contratação que não seja a do concurso público, são algumas das ameaças que vêm redobrar os prejuízos já materializados com a Reforma da Previdência.

O mais lamentável é que, entre as tantas justificativas equivocadas para a reforma – que, por isso mesmo, devem ser refutadas –, o governo, calcado em mitos sobre o Estado brasileiro, se vale do discurso corrente, porém, inaceitável e indigno, de que os servidores públicos são um bando de privilegiados, que ganham muito e trabalham nada, verdadeiros vilões da nação brasileira.

Portanto, não é hora de esmorecer! Temos que permanecer juntos e mobilizados, a luta está apenas começando e promete ser muita dura.

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