Edição 94 - 31/10/2019

CARREIRÃO

Nos alegres anos 90, pelo menos na economia americana, um turbilhão de fusões e aquisições fez surgir uma nova profissão: o Consultor em Outplacement, cuja especialidade seria cuidar da recolocação dos demitidos no mercado. Algumas palavras amenas, um psicólogo de plantão, o oferecimento de algum curso para enriquecer o seu currículo e voilá… você está na rua, não importa quantos anos de sua vida você tenha se dedicado àquela empresa. A função já foi inclusive mote para um filme com George Clooney, “Amor sem Escalas”, no Brasil, ou “Nas nuvens”, numa tradução mais correta, em Portugal.

A palavra “cuidar”, sabemos perfeitamente, é apenas um eufemismo. O mais importante para a administração é que a função de demitir foi terceirizada, e, o melhor de tudo, ao final do trabalho ele simplesmente desaparece do ambiente de trabalho. Não há remorsos ou culpa do lado de dentro, só “mortos e feridos” do lado de fora e, portanto, longe dos olhos. Já então, não podem fazer mais nada.

Infelizmente parece que só agora alguns colegas se deram conta daquilo que era óbvio desde o início: não há qualquer comprometimento da Alta Administração com o futuro das Carreiras do Banco Central do Brasil.

No atual Congresso Nacional, após a reforma da previdência, até mesmo o seu projeto de autonomia para o BCB encontra obstáculos para decolar.

A reunião com o Sr. Marcelo Cota, chefe do DEPES, nesta quarta, dia 30, no Rio de Janeiro, podia perfeitamente fazer parte do roteiro do filme: é triste, é lamentável, mas vamos torcer pelo melhor!

A cobrança por atitude só existe quando respaldada em atos de protestos e paralisações.

A sensibilização do Congresso só ocorrerá por pressão direta junto com outras Categorias de Estado que se encontram na mesma situação.

A ideia de que certas coisas só acontecerão para novos Servidores é pura ilusão. A reforma será para cortar gastos obrigatórios e dar livre trânsito de mão-de-obra dentro das autarquias e instituições públicas.

A ideia de que gatilhos permitirão a redução de jornada e sua consequente remuneração é simplesmente a precarização da função pública.

A ideia de “entrada lateral” (very British) significará que cada novo diretor terá carta branca para trazer quem quiser para dentro da instituição.

Estamos sendo colocados para fora da instituição para a qual prestamos concurso público.

É mais do que hora de organizarmos a luta de verdade.

Diga pelo que você quer lutar!

LUTE JUNTO COM O SINAL!

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