Edição 564 – Tarde de 28.04.2026

VITRINE CULTURAL: EM DEFESA DA DEMOCRACIA

Para os defensores da verdadeira democracia, é animador o fracasso do primeiro-ministro Viktor Orbán nas eleições parlamentares da Hungria em 12 de abril. Com a participação recorde de 78% dos eleitores, não restou alternativa ao líder nacionalista de extrema-direita senão admitir e lamentar sua esmagadora derrota nas urnas para Peter Magyar, cujo partido de centro-direita Tisza conquistou mais de 2/3 do parlamento. A vitória de seu ex-aliado foi celebrada por diversos líderes europeus, dentre eles Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, Pedro Sánchez, primeiro-ministro da Espanha e Emmanuel Macron, presidente francês, que a classificou como “o compromisso do povo húngaro com os valores da União Europeia e o compromisso da Hungria com a Europa”.

A queda de Viktor Orbán, após 16 anos no poder, marca um revés na ascensão mundial da extrema direita e da “democracia iliberal”, expressão usada pelo próprio Orbán para definir seu regime de governo. São governos autoritários com aparência democrática porque, apesar de manterem a prática de eleições populares, atacam o equilíbrio entre os poderes, a liberdade de imprensa e a proteção dos direitos humanos, corroendo a essência da própria democracia. Estamos assistindo a esse fenômeno nos Estados Unidos, neste segundo mandato de Donald Trump, em que o Poder Judiciário e o Congresso americanos não têm sido suficientes para conter seu ímpeto autoritário. O perigo da erosão democrática nos EUA, sob o comando de Trump, foi anunciado por Steven Levitsky e Daniel Ziblatt, no célebre livro Como As Democracias Morrem, lançado em 2018. Os autores já questionavam naquele ano se a democracia norte-americana seria vulnerável a essa forma de retrocesso, a exemplo de Venezuela, Hungria e Turquia.

Precisamos estar vigilantes para impedir que ocorra um processo semelhante no Brasil ou novas tentativas de ruptura da ordem democrática. O documentário de Petra Costa, Apocalipse nos Trópicos, disponível na Netflix, retrata bem toda a cronologia da última tentativa de golpe, que culminou com a destruição da Praça dos Três Poderes, em 8 de janeiro de 2023.

Ele se insere na recente produção cinematográfica brasileira que tem contribuído para valorizar a nossa democracia e reavivar a memória da ditadura brasileira. Filmes como Ainda Estou Aqui e O Agente Secreto foram fundamentais para mostrar, principalmente para a população mais jovem, os riscos de viver sob uma ditadura. Outro filme impressionante que cumpre bem esse papel é Zuzu Angel (2006), do diretor Sérgio Rezende, disponível para aluguel nas plataformas Apple TV e Prime Video. O filme conta a história verídica da famosa estilista, interpretada por Patrícia Pillar, que se dedica incansavelmente a denunciar os crimes da ditadura militar brasileira após a prisão de seu filho Stuart Angel, militante do grupo de luta armada MR-8, que foi torturado e morto em 1971, aos 25 anos de idade. Vale também assistir ao filme Marighella (2019), disponível na Globoplay, Apple TV e Prime Video. Com direção de Wagner Moura e ótima atuação de Seu Jorge, a obra retrata os últimos anos do ex-deputado federal que, após ser expulso do Partido Comunista Brasileiro, ingressou na luta armada contra a ditadura ao fundar a Ação Libertadora Nacional (ALN), tornando-se então um dos principais alvos do regime.

Felizmente, nossas instituições republicanas resistiram à tentativa de implantar uma nova ditadura no país. Conseguimos não só evitar o golpe, como também julgar e condenar aqueles que tramaram contra o resultado das eleições de 2022, incluindo militares, fato inédito no Brasil.

Simone é servidora aposentada do Banco Central do Brasil e Conselheira Regional do Sinal-RJ.

A coluna expressa opiniões da autora e não reflete necessariamente o posicionamento do Sinal-RJ. 

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