Edição 162 – 13/9/2019

Mudança no atendimento do BC ressuscita antigas ameaças


Medida anunciada pela direção do Banco Central do Brasil nesta quinta-feira, 12 de setembro, pode prejudicar o acesso da população mais carente ao órgão e trazer de volta antigos receios do corpo funcional. Por meio do boletim Conexão Real, foi anunciada a descontinuidade do atendimento ao público nas representações regionais da Autarquia.

A “reestruturação” dos canais, conforme classifica o informativo, parte de premissa equivocada ao desconsiderar a dura realidade dos cidadãos brasileiros afetados pela medida. A nova rotina de atendimento, ao romper o único mecanismo de interação “face a face” do BC, pode resultar numa injustificável e significativa exclusão de parcela considerável da sociedade.

O Sinal considera relevante a preocupação da Autoridade Monetária em relação às mudanças peculiares da era digital, bem como aos impactos dela resultantes, no entanto, reitera a importância de atenção continuada às persistentes demandas que são marcas de um país ainda em busca do necessário desenvolvimento.

Outro aspecto que se mostra importante neste debate é o esvaziamento de atribuições das sedes regionais que, inevitavelmente, traz de volta a ameaça de concentração de competências e possível encerramento de atividades nas praças menores. Vale lembrar que o contexto fiscal do país tem servido de argumento para uma série de contingenciamentos orçamentários, como os anunciados sobre o próprio Banco Central. Hoje, o atendimento, amanhã, o já precarizado Meio Circulante – que recentemente encerrou as atividades em Porto Alegre – e, depois, quem sabe….

Há que se redobrar a vigilância e repudiar sempre todo e qualquer movimento que vise enfraquecer a estrutura da Autarquia e, consequentemente, desprover seu corpo funcional dos meios necessários para a consecução de sua missão maior, o atendimento equilibrado dos interesses da coletividade.

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