Edição 95 - 23/10/2026
O voto também é um instrumento de luta dos servidores públicos
O próximo dia 25 de outubro será um momento importante para a democracia brasileira. A escolha do presidente da República terá consequências que ultrapassam o processo eleitoral e influenciará, nos próximos quatro anos, os rumos das políticas públicas, da economia, das relações de trabalho e das condições de vida da população.
Mais do que o exercício de um direito político e de um dever cívico, o voto deve ser compreendido também como um instrumento de participação, mobilização e luta da classe trabalhadora. Por meio dele, cada cidadão participa da definição dos caminhos do país e das políticas que poderão ampliar, preservar ou restringir direitos conquistados ao longo de décadas.
Para os servidores públicos, essa reflexão assume especial importância. As decisões tomadas pelos Poderes Executivo e Legislativo repercutem diretamente sobre nossas carreiras, remuneração, condições de trabalho, direitos previdenciários, autonomia técnica e capacidade das instituições públicas de cumprir suas missões constitucionais.
O compromisso com o serviço público deve ser demonstrado por propostas e ações
O processo eleitoral oferece uma oportunidade para examinar não apenas os discursos e compromissos dos candidatos, mas também o histórico das correntes políticas que representam, suas decisões anteriores e suas posições diante de temas relevantes para os trabalhadores e para a sociedade.
É fundamental observar a coerência entre o que se promete e o que efetivamente se pratica. A valorização do serviço público não pode permanecer restrita às manifestações de intenção, mas também traduzir-se em políticas concretas de fortalecimento das instituições, recomposição dos quadros de pessoal, remuneração adequada, respeito aos direitos e melhoria das condições de trabalho.
Nesse contexto, merecem atenção especial proposições legislativas que afetam diretamente os servidores do Banco Central, dentre elas:
MPV 1.375/2026 (Emenda 38) – referente à reivindicação de exigência de nível superior para ingresso no cargo de Técnico do Banco Central, uma das pautas de valorização da carreira de Especialista defendidas pelo SINAL.
PL 1.893/2026 – relativo à regulamentação da negociação das relações de trabalho no setor público e à representação sindical dos servidores e empregados públicos.
PECs 6/2024 e 555/2006 – relacionadas à discussão sobre a contribuição previdenciária incidente sobre proventos de aposentadorias e pensões, tema de grande relevância para aposentados e pensionistas do serviço público.
PEC 32/2020 – proposta de reforma administrativa que suscita preocupações quanto às mudanças nas relações de trabalho, nos vínculos funcionais e na organização do serviço público.
PEC 38/2025 – proposta de alterações nas normas da Administração Pública, com possíveis repercussões negativas sobre carreiras, remuneração, gestão de pessoal e estrutura do Estado.
Essas matérias evidenciam que os direitos dos servidores não estão dissociados das escolhas políticas feitas pela sociedade. Sua preservação e ampliação dependem de mobilização permanente, organização sindical, diálogo institucional e acompanhamento das decisões dos representantes eleitos.
Valorizar os servidores é fortalecer o Banco Central
Como integrantes, ativos ou aposentados, de uma instituição estratégica para o país, conhecemos a importância de um Banco Central forte, tecnicamente qualificado e dotado das condições necessárias ao pleno exercício de suas atribuições.
A estabilidade do sistema financeiro, o controle da inflação e o adequado funcionamento da Autoridade Monetária exigem uma instituição pública estruturada, com servidores valorizados, carreiras fortalecidas, quadro de pessoal suficiente e condições de trabalho compatíveis com suas responsabilidades.
Defender essas condições significa reconhecer que a valorização dos servidores públicos é parte indispensável da construção de um Estado capaz de atender aos interesses da sociedade brasileira.
Da mesma forma, a preservação dos direitos previdenciários, a realização de concursos públicos, a recomposição remuneratória, a independência técnica e o respeito à negociação coletiva são elementos essenciais para o fortalecimento das instituições e a qualidade dos serviços prestados à população.
A luta pelos direitos também passa pela participação democrática
As conquistas da classe trabalhadora não surgiram espontaneamente. São resultado de organização, mobilização, negociação e participação nas decisões que definem os rumos da sociedade.
A atuação sindical permanece indispensável nesse processo. Entretanto, a defesa dos direitos não se limita às mesas de negociação, às mobilizações ou ao acompanhamento das propostas legislativas. Ela também se expressa na participação consciente de cada trabalhador na vida democrática do país.
O voto não substitui a organização coletiva nem encerra a luta por direitos. É mais um instrumento dessa luta, que se soma à ação sindical, à participação cidadã e à fiscalização permanente das políticas públicas.
O compromisso do SINAL é com a democracia, os direitos dos cidadãos e o serviço público
O SINAL reafirma seu compromisso com a democracia, com a liberdade de pensamento, com a pluralidade de convicções e com a autonomia de cada servidor para exercer seu direito de voto.
Cabe ao eleitor, com plena liberdade de consciência, avaliar quais propostas, compromissos e trajetórias políticas considera mais compatíveis com seus valores, com a defesa dos direitos sociais e trabalhistas e com o projeto de sociedade que deseja construir.
Ao Sindicato cabe contribuir para que essa decisão seja tomada com informação, reflexão e consciência sobre os desafios que se apresentam ao serviço público e à classe trabalhadora.
Neste momento decisivo, convidamos os servidores ativos, aposentados e pensionistas a refletirem sobre o futuro que desejam para o país, para o Banco Central, para o serviço público e para as próximas gerações.
Que cada voto seja expressão livre e consciente por uma sociedade mais justa, democrática, solidária e próspera, na qual todos possam viver com dignidade, independentemente de sua origem, condição social, crença ou orientação política.

