Edição 516 – 12.02.2026
PASBC: UMA ENTREVISTA IMPERDÍVEL COM QUEM CONHECE A FUNDO NOSSO PROGRAMA DE SAÚDE!
No dia 21 de janeiro de 2026 foi realizada, em auditório do edifício-sede do Banco Central no Rio de Janeiro, a assim denominada “Roda de Conversa”, atividade promovida pelo DEPES a respeito de nosso Programa de Saúde.Presente ao evento, o colega Carlos Torkomian – servidor da ativa do Banco, presidente do Sinal-SP, ex-membro do Comitê Gestor do PASBC – concedeu ao Apito Carioca a entrevista publicada em seguida, cujas perguntas foram formuladas pelo colega Wilson Ribeiro, servidor aposentado do Banco e conselheiro regional do Sinal-RJ.Agradecemos ao colega Carlos pela gentileza de sua qualificada participação, a qual, temos certeza, muito irá contribuir para o adequado tratamento dos complexas desafios com que se defronta atualmente nosso Programa de Saúde.Boa leitura!
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PASBC: A CASSI é, realmente, uma solução?
(Perguntamos a quem conhece).
Apito Carioca – Pela apresentação de hoje, na sua opinião qual a aposta que a administração tem para os problemas do BC Saúde? Você acha que a alternativa da Cassi é a solução para os problemas dos beneficiários do Pasbc?
Carlos Torkomian – A apresentação do chefe adjunto de Saúde do Depes, Sérgio Caracas, se concentrou na questão da nova lei de licitação, a Lei nº 14 133, de 2021. Para atender a nova lei, toda a rede credenciada do BC Saúde deverá ser credenciada novamente, com base num edital de chamamento. Isso significa que todos os “termos de credenciamento” (ou seja, os contratos) precisarão ser refeitos, ou seja, os atuais credenciados da nossa rede precisarão aderir ao edital e encaminhar toda a documentação necessária para firmar o contrato.
O Depes então alerta que o processo de “recredenciamento” é complicado (e parece-me, realmente, que é um grande desafio) e que há risco de nem todos aderirem ou dos processos demorarem. Por isso é que foi liberada a Cassi para todas as praças (exceto Brasília, devido a uma norma da ANS, que, segundo noticiaram, está sendo revista – ou seja, a Cassi deve também ser liberada em Brasília), para suprir eventuais deficiências durante esse período de recredenciamento da rede. O Depes pretende, inclusive, que nesse período de transição, a Cassi seja gratuita e que a adesão seja feita de ofício – mas isso ainda depende de decisão do Comitê Gestor.
Cabe lembrar, entretanto, que quando a Cassi foi liberada em Belém (inclusive com gratuidade da mensalidade e inscrição “de ofício”), também foi usado o argumento que era plano de contingência para Belém, considerando a falta de servidores naquela praça e as dificuldades de gestão da rede. Posteriormente, usou-se o mesmo argumento para expandir o projeto piloto de Belém para Salvador, que tinha outras dificuldades (concentração de mercado e dificuldade de negociação com as cooperativas médicas). E agora o uso da Cassi foi liberado para todas as regionais, possivelmente sem custos e com inscrição de ofício, ainda mantendo o argumento de que seria para resolver dificuldades transitórias.
Parece-me, porém, que o que a administração pretende, de fato, é incentivar o uso da Cassi, deixando o beneficiário habituado à rede da Cassi, permitindo assim que a rede credenciada do BC Saúde seja significativamente reduzida. Com isso, a gestão do programa seria simplificada, haveria menor necessidade de servidores e de recursos.
A possibilidade de utilização da Cassi nas capitais pode, de fato, trazer alguns benefícios aos beneficiários, sobretudo em razão da ampla rede de médicos, clínicas e laboratórios que o plano oferece. Nesse sentido, para atendimentos mais cotidianos, ambulatoriais e de menor complexidade, é possível que a Cassi preste um bom serviço.
No entanto, não considero que a Cassi seja a solução para os problemas do BC Saúde. O que me preocupa é que, ao se liberar amplamente a Cassi para todos os beneficiários, o nosso plano — que já é de médio para pequeno porte — passe a enfrentar ainda mais dificuldades para credenciar e, principalmente, para manter sua própria rede. O risco concreto é que parte significativa da rede do BC Saúde deixe de ser utilizada, tornando-se economicamente inviável, e acabe sendo descontinuada. Com isso, acredito que permaneceriam sob a gestão direta do BC Saúde apenas alguns serviços específicos, que a Cassi não oferece: o atendimento odontológico; o home care; algumas coberturas que nós temos e a Cassi não; e, sendo otimista, alguns hospitais de referência que, eventualmente, não façam parte da rede credenciada da Cassi.
Esse cenário me parece temerário. A Cassi é, afinal, um plano de mercado, ainda que de grande porte. Trata-se de um plano comercial, sujeito às lógicas típicas da saúde suplementar. É verdade que, por contar com cerca de um milhão de beneficiários, a Cassi tende a dispor de uma rede muito mais ampla, especialmente de médicos, clínicas e laboratórios. Isso pode funcionar bem para atendimentos mais simples e frequentes. Mas essa lógica não necessariamente se sustenta quando falamos de internações, casos complexos e tratamentos de maior gravidade.
Apito Carioca – Com o avanço da faixa etária a crescente necessidade de internações e atendimento em nível hospitalar, a forma de gestão preconizada pela atual administração é viável?
Carlos Torkomian – E é justamente aí que, a meu ver, sempre residiu a maior virtude do BC Saúde: o atendimento hospitalar, sobretudo nos casos mais complexos. Nessas situações, a existência de uma gestão próxima, feita por colegas, com empatia e sensibilidade, faz toda a diferença. Trata-se de uma atuação que vai além do que está estritamente previsto em manuais, protocolos ou fluxos pré-determinados (obviamente, sempre dentro da estrita legalidade). Nos planos de mercado, ao contrário, prevalece a lógica do resultado financeiro, do lucro, e não necessariamente a centralidade da saúde e do cuidado com o beneficiário.
Nesse ponto, entendo que a gestão atual tem privilegiado excessivamente o controle financeiro, especialmente no que se refere às contas médicas e aos processos de autorização. É inegável que o mercado de saúde suplementar é complexo, que existem abusos por parte de prestadores e que algum endurecimento nos processos de auditoria é necessário e bem-vindo. O problema surge quando esse embate se intensifica a tal ponto que quem acaba sofrendo as consequências é o beneficiário — justamente quando se encontra mais fragilizado, precisando de acolhimento e de segurança. Dificuldades para obtenção de autorizações, atrasos, indefinições e cobranças diretas por parte de prestadores têm sido fontes recorrentes de estresse e angústia.
Minha impressão é que a atual gestão tem priorizado a dimensão financeira em detrimento do cuidado com as pessoas, o que tem gerado transtornos significativos para os beneficiários. Além disso, entendo que os mecanismos de auditoria e controle, embora necessários, vêm sendo aplicados de forma excessivamente rigorosa, fazendo com que, mais uma vez, o ônus recaia sobre o beneficiário.
Há ainda um problema grave de comunicação. E aqui não me refiro apenas à comunicação institucional genérica, por meio de informes ou e-mails enviados de forma ampla. Na área da saúde, a comunicação precisa ser individualizada, direta e acessível. Quando uma pessoa precisa realizar um procedimento ou obter uma autorização, ela precisa saber com quem falar, por qual canal, e obter respostas claras sobre sua situação específica. Acho que é muito pouco efetivo divulgar um informe geral explicando os procedimentos e requisitos para realizar um exame se, quando o beneficiário precisar realizá-lo, ele não souber a quem recorrer ou não receber um retorno adequado.
Essa falha de comunicação gera ansiedade, insegurança e sensação de abandono. É fundamental que existam canais efetivos de atendimento — telefone, WhatsApp e outros— que permitam diálogo, esclarecimento e acompanhamento dos casos, especialmente para os beneficiários de faixa etária mais elevada, que demandam mais cuidados e, em geral, necessitam com maior frequência de atendimentos hospitalares.
Apito Carioca – A atual estrutura de autorizações centralizada em BSB tem sido motivo de muitas críticas de beneficiários. Seja pela demora, seja pela indefinição, em alguns casos, se serão concedidas ou não, deixando os colegas angustiados se terão ou não cobertura para alguns tratamentos. Isto tem como ser resolvido pela administração?
Carlos Torkomian – Inicialmente, acho importante fazer um esclarecimento. A regulação nos planos de saúde, por meio da autorização de exames e procedimentos, não tem apenas finalidade financeira, mas também um papel assistencial relevante. Ela busca verificar a indicação clínica, a adequação do procedimento e sua necessidade naquele momento, evitando exames ou intervenções desnecessárias, repetitivas ou potencialmente prejudiciais.
Assim, uma negativa tecnicamente fundamentada pode, em alguns casos, beneficiar o próprio paciente, ao protegê-lo de riscos evitáveis e orientar o cuidado segundo critérios clínicos, evidências científicas e boas práticas em saúde.
Feita a ressalva, constata-se que a centralização das autorizações em Brasília realmente tem sido alvo de críticas recorrentes. O início desse processo foi, de fato, bastante confuso: mal informado, malconduzido e com sérios problemas operacionais. Com o tempo, entretanto, melhorou — hoje os fluxos estão mais claros e as comunicações funcionam melhor do que no início. Ainda assim, há muito espaço para avançar, sobretudo no que diz respeito à transparência, à agilidade e à comunicação com o beneficiário.
Em casos cirúrgicos, por exemplo, é comum que as autorizações demorem em razão da necessidade de negociação de materiais especiais (OPME), com solicitação de orçamentos e discussão sobre marcas e quantidades dos materiais. Esse processo é legítimo e necessário, já que materiais e medicamentos representam a maior parcela das despesas do programa (cerca de 60% de todas as despesas do nosso Programa). No entanto, ele precisa ser acompanhado de informação clara ao beneficiário, que deve saber o que está acontecendo, por que há demora e em que etapa o processo se encontra.
Houve, sem dúvida, avanços e economias relevantes — o próprio Depes mencionou uma economia de cerca de 30 milhões de reais no último ano, apenas com as negociações de OPME. Mas esse resultado precisa vir acompanhado de maior transparência, melhor gestão do tempo e, sobretudo, de uma comunicação mais humana e eficaz. Em síntese, houve alguma melhoria, mas ainda há muito a ser feito. Trata-se, fundamentalmente, de uma questão de gestão, com foco nas pessoas.
No dia 28 de janeiro o Depes realizou um Bate Papo com os beneficiários sobre o funcionamento do PASBC em São Paulo. O evento contou com a presença do chefe-adjunto do BC Saúde, Sérgio Caracas, e Douglas Cavalari, gerente de regulação e sistemas do programa.Durante as mais de três horas de conversa, os presentes conversaram sobre uma ampla gama de assuntos, com destaque para preocupações recorrentes entre os servidores, tais como a rede credenciada, o sistema de reembolso e a autorização de procedimentos específicos, dentre muitos outros. Atendendo a solicitação do Sinal/SP, a Gerência Administrativa do BC em São Paulo disponibilizou a gravação do evento para os beneficiários que não puderam participar.Agradecemos o atendimento deste pedido e disponibilizamos o link na área do filiado do portal do Sinal Clique no link abaixo para assistir à integra do bate papohttps://arearestrita.sinal.org.br/videos/?107 |
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