Edição 14 - 03/03/2005

PEC Paralela: Entidades se reúnem com Severino

Foi com estas palavras que Severino Cavalcanti recebeu em seu gabinete, ontem, 02/03, pela manhã, mais de 30 entidades dos servidores (incluindo o Sinal). Aplaudido várias vezes, o presidente da Câmara afirmou que, sem os funcionários públicos, o país não poderia andar. Está mais no que na hora, segundo ele, de se concluir a votação da PEC paralela iniciada há dois anos no Senado. O deputado Onyx Lorenzoni (PFL-RS), que mediou o encontro dos servidores com Severino, lembrou que a Câmara precisa honrar o acordo construído por todos os partidos durante a votação do texto ori-ginal da reforma da previdência no Senado. "A PEC paralela corrige impropriedades da reforma da previdência, que agrediu de forma significativa os direitos dos servidores, colocando em risco carreiras importantíssimas para o funcionamento do Estado", disse Lorenzoni.

Os sindicalistas aproveitaram a audiência para expor ao presidente da Câmara a sua visão sobre a reforma sindical. Maria Lúcia Fatorelli, presidente do Unafisco Sindical, disse a Severino que a reforma do governo fere os princípios constitucionais que asseguram a liberdade de organização dos trabalhadores.

A resposta de Severino gerou mais aplausos:

Assessoria de imprensa do SINAL em Brasília

"A Presidência da Câmara mudou. É uma nova fase. Nós somos intérpretes da ansiedade nacional. E eu, como presidente independente, que não estou subjugado a nenhum poder, tenho a certeza que estou cumprindo meu dever com esse grande número de funcionários públicos ao colocar a PEC paralela em votação. O governo, se quiser, que vete a PEC. Mas nós derrubaremos o veto"

"Nós vamos marchar juntos porque o que nós queremos é que os sindicatos sejam realmente sindicatos e não lugar de pelegos".

Em seguida, José Maria de Almeida, da direção da Coordenação Nacional de Lutas, a Conlutas, disse a Severino que as centrais sindicais negociaram a reforma sindical com o governo e os patrões sem consultar seus sindicatos de base. "Queremos ser ouvidos e esclarecer o Congresso e a sociedade sobre a natureza da proposta do governo", ponderou o sindicalista. Por este motivo, a matéria deve ser discutida até a exaustão, ao contrário do que quer o Ministério do Trabalho. 

O presidente da Câmara foi sincero. Referindo-se ao encontro da semana passada, quando Berzoini fez a entrega simbólica do projeto, ele disse que os sindicalistas chegaram atrasados, pois já havia assumido o compromisso de não adiar a tramitação da reforma sindical. 

"Eles (o governo e as centrais) foram mais espertos que vocês. Eu já dei a minha palavra e tenho de cumprir. Mas eu não sabia que estava acontecendo isso (alusão às negociações de gabinete conduzidas pelo governo). Vocês devem procurar os deputados, eles são sensíveis e não vão querer preterir um pleito dos trabalhadores". O presidente da Câmara garantiu, no entanto, que não vai atropelar a discussão da matéria. Isso, por si só, já é uma boa notícia. O rolo compressor do governo terá mais dificuldade de empurrar a reforma sindical goela abaixo dos trabalhadores. 

BARRACO

À tarde, porém, o cenário era outro. No Auditório Nereu Ramos, na Câmara, aguardava-se o início da cerimônia em que o ministro do Trabalho, Ricardo Berzoini, faria a entrega formal da proposta de reforma sindical. 

Por volta de 14h30, entidades contrárias à reforma – notadamente dos servidores públicos – tentaram entrar no auditório. Com papéis que diziam "Esta reforma não", os servidores ficaram em pé, quase na saída do auditório, já inteiramente lotado. Representantes da Força Sindical e da CUT reagiram prontamente. "Fora pelegada", disseram eles. Os servidores retrucaram com o mesmo bordão por entenderem que, pelego, é quem faz reforma sindical tomando cafezinho com o governo e os patrões.

Durante 10 minutos, o embate verbal esquentou o clima no auditório. Em muito maior número, os delegados das centrais conseguiram constranger e acuar os servidores, que se viram forçados a deixar o recinto. 

Quando tudo parecia calmo, o barraco recomeçou. Agora, a disputa era entre a Força Sindical e a CUT. Os integrantes da Força berravam "Central é Força Sindical", a CUT respondia com seus slogans e até a discreta Social Democracia Sindical resolveu marcar a presença. 

Se ninguém fizesse nada, eles estariam brigando até agora. O deputado Vicentinho, um experiente líder sindical, pegou o microfone para selar a paz. "Trabalhador unido jamais será vencido", disse ele. Todos começaram a repetir o velho slogan. Em seguida, foi mais audacioso ao puxar o coro "Centrais, unidas, jamais serão vencidas".

Deu certo. A paz se fez, pelo menos momentaneamente. Depois disso, o único motivo de impaciência foi o atraso do pre-sidente da Câmara. Marcada para as 15h, a cerimônia só começou perto das 17h. Berzoini teve a coragem de dizer que a reforma sindical será "o presente de Natal" que o Congresso vai dar aos trabalhadores. O presidente da Câmara, por sua vez, prometeu não medir esforços para a aprovação da reforma.

O Sinal e todas as entidades combativas desse país irão lutar para que o governo e o Congresso não estraguem o seu Natal.

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