Edição 20 - 13/06/2005

Deu na Imprensa: Fundamentalismos

Aquela interminável festa fúnebre-televisiva promovida na praça São Pedro, em Roma, que inundou as casas do mundo ocidental, serviu para confirmar a distância que separa o Vaticano da chamada Igreja dos pobres. Pompa e circunstância, culminando com a eleição de um papa cujo passado é rico de atos e idéias mais do que autoritários – cruéis, no julgamento de religiosos e leigos que conheceram e conhecem de perto o ex-cardeal Ratzinger. E o papa morto, João Paulo II, que papel desempenhou no plano político internacional, além do estrago que provocou no seio de sua própria Igreja ao desmantelar a ala progressista organizada principalmente na América do Sul? Um estudioso da teologia, Eduardo Hoornaert, autor da História do Cristianismo na América Latina e Caribe, escreve nesta edição um artigo profundamente esclarecedor sobre o que classifica de fundamentalismo de João Paulo II e Bento XVI.

O entrevistado de capa, o socialista-católico Plínio de Arruda Sampaio, também cita João Paulo II e o cardeal Ratzinger, agora Bento XVI, duas figuras que estão longe de entusiasmá-lo. Cita-os en passant, numa entrevista memorável pela análise corajosa da trajetória e do atual estágio do PT, partido do qual ainda é militante e pretende resgatar as origens.

“Lula está numa posição errada”, “o governo está sendo mandado por uma política feita pelo mercado e pelo imperialismo” – por essas duas declarações pode-se perceber o grau de decepção sentido pelo velho militante de esquerda. Que reflete a opinião de não poucos eleitores de Lula. Na verdade, é o PT na pior encruzilhada de sua curta história.

Confira na Súmula de Jornais, no Portal Sinal a entrevista com o professor, promotor, advogado, duas vezes deputado, Plínio de Arruda Sampaio. Deputado do PDC no governo Jacó Goulart, seguiu na esquerda durante o exílio logo após a sua cassação. Socialista e católico, foi um dos idealizadores do PT.

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