Edição 103 - 19/09/2006

MOSTRANDO A CARA

 

Por diversas vezes, por escrito e verbalmente, já manifestamos aos outros sindicatos nossa posição contrária à participação no encontro nacional de funcionários do Banco Central, mas parece que eles ainda não se conformaram com a ausência do SINAL, pois, sistematicamente, insistem em divulgar que ainda esperam por nossa presença. Mais uma vez afirmamos, em respeito à verdadeira representação sindical, que não vamos participar.

 

Sabemos que a realização do referido encontro foi deliberado em assembléia realizada em Brasília, na última campanha salarial, como conseqüência de uma proposta feita, oportunisticamente, ao apagar das luzes, pelo último orador inscrito, representante do Sindsep, e sem qualquer discussão prévia com as demais entidades sindicais.

 

Reconhecemos a soberania das assembléias para deliberar acerca dos interesses da categoria, o que não significa a aceitação de qualquer decisão, mormente quando se verificarem afrontas a dispositivos legais e aos estatutos das entidades sindicais. Os sindicatos existem para exercer a defesa dos interesses dos trabalhadores que representam, para serem uma fonte reguladora das relações entre o capital e o trabalho, cabendo aos dirigentes sindicais zelar para que isso aconteça. Por isso, e em respeito à categoria, sentimo-nos no dever de informar os motivos que nos levaram a adotar esta postura:

 

1 – O SINAL, como único e legítimo representante dos funcionários do Banco Central, nacionalmente, tem os fóruns adequados para debate dos assuntos afetos ao funcionalismo, quais sejam: Conselho Nacional, Assembléia Nacional Deliberativa – AND e Assembléia Geral Nacional – AGN;
 

2 – Recentemente, realizamos nossa XXI Assembléia Nacional Deliberativa, cujas decisões serão em breve submetidas à categoria em Assembléia Geral Nacional, ocasião em que o funcionalismo poderá, democraticamente, referendar ou rejeitar, no todo ou em parte, as propostas retiradas daquele encontro ou até mesmo deliberar sobre outras proposições. Vale destacar que a AND é restrita aos filiados do SINAL; já a AGN é aberta a toda categoria.

 

Por outro lado, não podemos participar de um "encontro nacional de funcionários do Banco Central" onde haja reserva de mercado quanto à participação do funcionalismo. Em nossos encontros, os delegados são eleitos livremente, sem privilégio algum a este ou aquele segmento funcional. Nesse encontro, serão eleitos dois delegados em cada regional, sendo pelo menos um da carreira de técnico. É evidente que os organizadores do encontro podem adotar qualquer critério de participação, mas este não nos parece ser o mais adequado, tampouco democrático ou representativo.

 

Registre-se, por oportuno, que, até pouco tempo atrás, existia na Diretoria Executiva Nacional do SINAL uma Diretoria Extraordinária para Assuntos dos Técnicos e que, em face da vacância do cargo, o Conselho Nacional, reconhecendo sua impropriedade, resolveu extinguir. Na verdade, num sindicato que se diz representante de toda a categoria, não há por que tratar diferentemente seus representados.

 

Não podemos, e nem é da nossa índole, impedir que as pessoas se reúnam, mas é óbvio que não devemos abrir mão das prerrogativas sindicais que vimos consolidando ao longo de quase dezoito anos de existência do SINAL. Nosso quadro de filiados cresce a cada dia. Já somos quase seis mil; em breve seremos muitos mais, pois, além de estarmos abertos a todo funcionalismo, temos um trabalho sério, dedicado e transparente voltado, única e exclusivamente, aos servidores do Banco Central, sem qualquer vinculação política, ideológica ou partidária.

 

A ocorrência de eventos da espécie não será um sinal de que, finalmente, o funcionalismo do Banco Central, notadamente em Brasília, tem de refletir, seriamente, sobre a existência de três sindicatos em nosso meio? Será que ainda não temos a maturidade suficiente para decidir quem de fato e de direito deva nos representar? Porque não enfrentamos de vez este problema? De nossa parte não temos qualquer medo ou receio; pelo contrário, já devíamos ter feito isso há muito tempo. Temos a certeza de que seremos – os servidores do Banco Central – muito mais fortes se estivermos abrigados sob uma única bandeira, com nossas diferenças, sim, pois elas são salutares, mas com um único propósito – qual seja, a defesa de todos os interesses do funcionalismo desta Casa.

 

Será com este objetivo que em breve promoveremos um debate sobre a existência de três sindicatos em Brasília. Após esse debate, ou como conseqüência dele, realizaremos ampla consulta ao funcionalismo para conhecer o sentimento que reina no seio da nossa base. Outra consulta que também pode ser feita à categoria é no sentido de se devemos ou não nos filiar a uma central sindical. A palavra estará novamente com o funcionalismo, que, de maneira livre e democrática, saberá mais uma vez traçar o seu destino.

 

POR UMA ÚNICA E VERDADEIRA REPRESENTAÇÃO SINDICAL.

 

CONSELHO REGIONAL DE BRASÍLIA

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