Edição 0 - 31/05/2007

BOCA PAULISTA ELETRÔNICO nº 3, de 31.05.07 – Consciência coletiva: a grande vitória

 

 BOCA PAULISTA ELETRÔNICO

São Paulo, 31 de maio de 2007 – nº 3

 

 

CONSCIÊNCIA COLETIVA: A GRANDE VITÓRIA

Hoje em São Paulo tivemos uma das mais belas assembléias realizadas durante este nosso movimento, que já perdura por 29 dias, em uma greve por tempo indeterminado em busca de nossos direitos.

A aproximação do trigésimo dia consecutivo de greve vinha causando preocupações em alguns colegas: uma possível retaliação do governo, mediante a possibilidade de caracterização de nossa ausência como "abandono de emprego".

Diariamente, em nossas assembléias, além de trazer informações e análises de conjuntura, busca-se demonstrar, por meio da leitura de leis e pareceres jurídicos, nosso amparo legal para greves. Ainda assim, percebeu-se certo medo em alguns colegas.

A clara demonstração desse medo deu-se quando dois valorosos colegas, presentes na greve desde o primeiro dia, demonstraram perante a assembléia seus receios, sendo até mesmo proposto, por um deles, que "na sexta-feira, dia 01.06, fosse assinado o ponto e se ficasse em vigília".

Possivelmente outros colegas poderiam estar remoendo esses medos individuais, embora não os externassem perante a assembléia.

São medos que, aos poucos, podem corroer nossa autoconfiança! Porque recorrentes, momentaneamente desaparecem: sugerem que os dominamos; de repente, na próxima esquina surgem do nada e tomam conta novamente de nosso pensamento.

Colegas que não compartilhavam deste medo começaram então a demonstrar as razões porque não deveríamos como um todo senti-lo:

Foi lembrado o passado longínquo, quando alguns colegas, dezenove para sermos exatos, foram demitidos pelo governo Sarney, ainda sob a égide da Constituição elaborada no período militar; esse fato, ao invés de nos intimidar, causou extrema indignação fazendo com que o Bacen parasse: aqueles que ainda não estavam em greve uniram-se, no mesmo instante, na luta pelo respeito e dignidade de todos os funcionários.

Lembrou-se, ainda, do passado recente: nossa vitoriosa greve de trinta e três dias, em 95: não houve qualquer retaliação.

Também falou-se do presente: o medo estava sendo criado – quase uma auto-ameaça, pois o governo, em nenhum momento, se manifestou nesse sentido.

Mas a principal constatação surgiu quando um colega disse a verdade, que pode ser considerada definitiva:

"todos nós temos nossos medos individuais, e é bonito reconhecê-los, mas é mais bonito ainda quando nos juntamos todos na coragem coletiva e percebemos o quanto somos grandes, quando unidos".

A partir desse momento, os medos individuais foram sumindo, a confiança no colega ao lado, a certeza de que ninguém está sozinho, a certeza de que, além dos presentes na nossa assembléia, temos outros amigos cerrando fileiras por todo o Brasil, acabaram por encher nossos corações e sentimo-nos fortes, mais fortes que qualquer medo individual, e nossa coragem coletiva cresceu, se agigantou, e quando da votação pela continuação da greve, a proposta foi aprovada sem nenhum voto contra.

Mais que a votação, o que tornou a assembléia desta quinta-feira tão bela foi o brilho no olhar de cada um dos participantes, o brilho de vencedores, o brilho de quem sabe que temos amigos ao nosso lado, o brilho de quem não se sente mais sozinho, o brilho de quem tem confiança em repartir seus medos, o brilho de quem tem a certeza de que somos apenas uma categoria guerreira, que acredita em seu valor e em sua capacidade de luta e resistência!

Finalizando, cabe um apelo aos colegas que ainda pensam em lutar:

A hora É AGORA!

Participe dessa luta em que o companheirismo e a solidariedade são visíveis!

Conselho Regional do SINAL-SP

 

 

SINAL – Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central

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