Edição 77 - 01/08/2007

Financiamento imobiliário: anunciada a proposta de revisão aprovada pela Centrus

 


 

Como estabelecido na XXI AND do SINAL, em agosto de 2006, constituiu-se, no âmbito do SINAL, um Grupo de Trabalho sobre os financiamentos imobiliários tomados pelo funcionalismo junto à Centrus. 

 

A proposta resultante desse GT foi levada à Centrus, com a solicitação do Sindicato no sentido da revisão daqueles mútuos, cujos saldos devedores vinham sufocando seus tomadores.

 

A Fundação instituiu o seu próprio GT, para o qual convidou o SINAL e a Fenabacen.  Representando a Centrus, Sônia Maria da Silva Holanda e Jerônimo Campos; o SINAL, Maria Juliana Zeilmann Fabris e Edilson Rodrigues de Sousa; a Fenabacen, José Perez Puente, e, pelo GT-Centrus, Carlos Waldyr Chagas de Araújo.

 

A atuação de Maria Juliana e Edílson, do SINAL, foi calcada nas conclusões do GT do SINAL, originado na AND citada.

 

Implantado em março deste ano, o GT da Centrus entregou, em 7 de julho, o relatório final com suas conclusões.

 

Nem todas as reivindicações do GT foram aprovadas no seu conjunto.  Pode-se, porém, afirmar com segurança que os financiamentos foram estudados criteriosamente, caso a caso, e, dentro das limitações legais e regulamentares, as fórmulas encontradas foram as melhores possíveis.

 

Agradecemos enormemente o esforço dos colegas nesse seu trabalho voluntário extra-Banco, e apresentamos, em formato de Perguntas e Respostas, um apanhado de informações para os interessados.

 

Dúvidas adicionais poderão ser sanadas através do email econteudo@sinal.org.br . 

 

1. Qual o tamanho da carteira de financiamentos imobiliários da Centrus?

 

São 2.483 contratos ativos, totalizando R$ 258,1 milhões (dados de 30/04/2007), exclusive os financiamentos Previ. Tais operações estão distribuídas em treze versões dos regulamentos de 1981, 1991 e 1993, com diferentes formas de cálculo de remuneração, correção e prazo de pagamento.

 

2. Qual a situação da carteira?

 

Estimativas a partir de dados de abril de 2007 apontam para um saldo devedor residual entre 62,2% e 71,7% do total da carteira, mesmo depois de decorrido o prazo de pagamento. Ou seja, a despeito do esforço dos mutuários, o desequilíbrio de inúmeros contratos o tornam impagáveis.
 

3. Qual a orientação do Grupo de Trabalho?

 

Os princípios seguidos foram:

 

I – oferecer vantagens no mínimo equivalentes àquelas já oferecidas pela novação em vigor;

 

II – garantir, a quem fez novação nas condições aprovadas em março de 2005, desconto equivalente ao que viesse a ser oferecido aos demais mutuários, mediante aplicação de taxa de desconto complementar;

 

III – oferecer desconto aos mutuários em percentual que correspondesse ao exato desequilíbrio medido para seu contrato individual;

 

IV – proporcionar condições para que os valores das prestações fossem reduzidos ou, na hipótese menos favorável, permanecessem os mesmos;

 

V – garantir a liquidação da dívida ao término do novo prazo de repactuação;

 

VI – remuneração, na repactuação, no mínimo equivalente ao custo atuarial (IPCA + 6% a.a.) adicionado de parcela destinada à cobertura dos custos administrativos da Fundação, conforme exigência dos artigos 5º e 43 da Resolução CMN 3121/2003;

 

VII – aplicar os mesmos índices de reajuste e mesma periodicidade para prestação e saldo devedor;

 

VIII – elaborar proposta atrativa para universo significativo de mutuários, de forma a incentivá-los a procurar pela liquidação ou repactuação de suas dívidas;

 

IX – propiciar condições para que os mutuários optassem pelas condições de repactuação e desistissem das ações na Justiça;

 

X – limitar o valor da prestação a menos de 30% dos proventos do mutuário;

 

XI – limitar o prazo de amortização à idade de 80 anos do mutuário.

 

4. Qual a proposta formatada pelo GT?

 

O grupo apresentou NOVE simulações:

 

  1. com correção do saldo devedor e das prestações pelo IPCA acrescido de 7% a.a.;

  2. trabalhando taxa de desconto para atualização do valor presente da dívida (de 10%a.a., 11% a.a.e 12%a.a.) e

  3. com o prazo da operação: a) sem inclusão do prazo residual, b) com inclusão parcial do prazo residual e c) com inclusão total do prazo residual.

 

Adicionalmente, foram sugeridos:
 

  1. formalização via aditivo contratual;

  2. desconto adicional para quitação ou amortização antecipada da dívida e

  3. alteração da taxa de Quitação por Morte.

 

Observe-se que se trabalhou com os desequilíbrios individuais dos contratos, daí porque alguns descontos serão superiores a outros.

 

5. Qual a proposta aprovada pela Diretoria Executiva e pelo Conselho Deliberativo da Centrus?

 

  1. Sistema: Price

  2. Taxa de desconto para cálculo do valor presente da dívida = 11% a.a.

  3. Prazo integral do financiamento = prazo original + prazo residual

  4. Remuneração = 7% a.a.

  5. Correção = IPCA

  6. Formalização via escritura pública (não atendida a sugestão do grupo)

  7. Não concessão de desconto adicional para quitação ou amortização antecipada do financiamento (não atendida a sugestão do grupo)

  8. Taxa de Quitação por Morte conforme segue:

 

Faixas de idade

% a.a.

Até 50 anos

1,00%

De 51 a 65 anos

1,30%

Acima de 65 anos

1,60%

 

6. Como ficarão as prestações?

 

O valor da prestação não será superior a 25% do valor dos proventos recebidos pelo mutuário. O prazo para amortização poderá ser ampliado, na hipótese de o valor da primeira prestação ultrapassar os 25% dos proventos do mutuário.

 

Nesse caso, o prazo para amortização poderá ser alongado até o limite que resultar do estabelecimento da prestação no patamar de 25% dos proventos do mutuário, desde que não ultrapasse o prazo-limite de 180 meses e a data em que o mutuário completar a idade de 80 anos.

 

Com o refinanciamento, a maior parte das prestações será reduzida (sem ampliação do prazo). Veja abaixo:

 

Prestações no Refinanciamento
 

Nova prestação maior que a atual

1

Mantém ou reduz até 10% o valor da prestação

1.060

Reduz entre 10,1% e 30% o valor da prestação

1.168

Reduz entre 30,1% e 50% o valor da prestação

157

Reduz acima de 50,1% o valor da prestação

97

Total de operações

2.483

 

7. Qual o montante envolvido na proposta?

 

Os saldos devedores serão reduzidos entre 15% e 86%, conforme o desequilíbrio do contrato. Com isso, o total do desconto será de aproximadamente 40% do total da carteira, ou seja, R$ 103,8 milhões.

 

8. Como o mutuário poderá simular a operação de refinanciamento?

 

A partir do dia 6 de agosto, a Centrus disponibilizará sistema para as simulações em seu Portal.

 

9. E o mutuário que esteja questionando judicialmente seu contrato de financiamento imobiliário?

 

Para aderir às regras ora propostas, ou se beneficiar do desconto oferecido para liquidação ou para a repactuação, os mutuários deverão primeiramente obter, na Justiça, a desistência das ações de que são parte e que versem sobre a respectiva operação de financiamento imobiliário.

 

10. Por que a proposta apresentada pelo SINAL para aplicação no programa de reestruturação das operações de financiamento imobiliário (desconto + 6% a.a. + SAC) não foi aceita?
 

Os impedimentos foram de ordem legal.  Nos normativos que orientam as aplicações de recursos nas Entidades Fechadas de Previdência Privada, está previsto o tratamento individual da carteira com remuneração mínima equivalente à taxa atuarial do respectivo plano de benefícios, acrescida de custos administrativos (Resolução 3.121, de 25 de setembro de 2003, artigos 5º e 43).
 

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