“Sem orçamento, Banco Central passa custódia ao Banco do Brasil
Transcrevemos abaixo mat‚ria publicada em 1.6.03 na se‡Æo
Economia, do colunista Nairo Alm‚ri, no jornal HOJE EM DIA, que circula em todo
o Estado de Minas Gerais. Extra¡da de entrevista com S‚rgio Belsito, versa sobre
os problemas funcionais, conjunturais e estruturais que envolvem o Banco
Central, sobre os quais opina o Presidente Nacional do SINAL.
"Sem or‡amento, Banco Central passa cust¢dia ao Banco do
Brasil
A discussÆo pol¡tica da autonomia do Banco Central do Brasil
(BC), est ofuscando uma situa‡Æo de "falˆncia" da m quina da institui‡Æo. Sem
or‡amento suficiente para o custeio de todas as suas atividades, o BC prepara a
terceiriza‡Æo de algumas fun‡äes de ponta como a da cust¢dia do dinheiro, que
dever ser entregue ao Banco do Brasil.
" O BC nÆo dispäe hoje de recursos or‡ament rios para
manter sua atividade b sica de cust¢dia do dinheiro (Meio Circulante), pois nÆo
tem viaturas em n£mero necess rio e as que existem estÆo em p‚ssima condi‡Æo. O
BC est negociando a terceiriza‡Æo desta atividade para o Banco do Brasil ",
diz o presidente do Sindicato Nacional dos Funcion rios do Banco Central
(Sinal), S‚rgio Belsito. De acordo com ele, o funcionalismo do banco est mesmo
mais preocupado ‚ com a sua ‘autonomia or‡ament ria’ .
S‚rgio Belsito insiste que a pen£ria or‡ament ria do BC ‚
grave. " O BC est sucateado, nÆo existem funcion rios suficientes para
manter as principais fun‡äes do Banco e com isso corremos o risco de perdermos
ainda mais atribui‡äes fundamentais da principal institui‡Æo financeira do pa¡s
".
O tema est fechado em redoma pela dire‡Æo do BC.
Concentra‡Æo
O sindicalista real‡a que entre as reas mais afetadas pela
crise de dinheiro no custeio do BC est a fiscaliza‡Æo. A ponta desse iceberg
surgiu, diz, em 1999, quando o Governo concentrou suas atividades em poucas
regionais esvaziando outras. ” Com isso, muitas atividades da competˆncia do
BC estÆo sendo realizadas de maneira prec ria ou mesmo abandonadas, deixando a
institui‡Æo de cumprir seu papel ", denuncia o presidente do Sinal.
Remessas
O sindicalista do funcionalismo do BC assegura que a
fiscaliza‡Æo sobre as remessas de dinheiro para o exterior est cr¡tica. " O
projeto de se criar um cadastro nacional de correntistas e de clientes de
bancos, para agilizar o combate a il¡citos cambiais e … lavagem de dinheiro,
ser de dif¡cil execu‡Æo, se nÆo houver disponibilidade de recursos ",
adverte Belsito. De acordo com ele, esse projeto teve or‡amento fixado em R$ 10
milhäes.
Microcr‚dito
Essa crise or‡ament ria coloca na berlinda da administra‡Æo
do BC duas das j¢ias da Coroa do Governo Lula (PT), o microcr‚dito e o
cooperativismo. " NÆo h estrutura de funcion rios para atender os segmentos
de cooperativas de microcr‚dito, administradoras de cons¢rcio etc ", afirma
o presidente do Sinal.
Consumidor
Belsito diz tamb‚m que a defesa de consumidor foi "
prejudicada ", o que justifica a nota baixa do Instituto de Defesa do Consumidor
(Idec) … rea de atendimento do BC.
EvasÆo
A partir de 1999, situa o dirigente do Sinal, o BC entrou em
processo de perda de seus melhores quadros – demissäes, pedidos de sa¡da e
aposentadorias com d‚ficit no preenchimento das vagas. O n£mero de funcion rios
caiu de mais de 8.000 para 4.600, atualmente. Do quadro atual, 800 estariam em
condi‡äes de requerer aposentadoria ainda neste ano e outros 1.500 no per¡odo
2004/06. " Ou seja, em pouco tempo poder ter apenas 2,5 mil funcion rios. O
n£mero ideal seria de 6 mil ", calcula Belsito.
Crise em SP
O desinteresse pela carreira dentro do BC, em fun‡Æo da
supressÆo de cargos e defasagem salarial, pode ser retratada, de acordo com o
presidente do Sinal, no pedido de demissÆo de 200 dos 2.000 funcion rios
aprovados no concurso do ano 2000. " S¢ em SÆo Paulo, h 140 vagas abertas
para fiscal que nÆo sÆo preenchidas e faltam procuradores. ", concluiu."

