Edição 111 - 08/10/2007

O trabalho da semana passada no Congresso

 

1. Os números.

De terça-feira passada (02.10), a partir das 8 horas, quando fizemos a reunião com o senador Paulo Paim (PT-RS), até à tarde de quinta-feira (04.10), quando o Congresso já se encontrava vazio, o SINAL, representado por 15 dirigentes e ex-dirigentes, além de cinco diretores da Executiva, enfrentou no Parlamento uma verdadeira maratona (no sentido físico mesmo): três dias de abordagens, contatos e reuniões com parlamentares, gabinetes e assessores.

Objetivos:

  1. reverter o desconto pecuniário dos sete dias de nossa greve e
  2. apresentar emendas em favor da admissibilidade da Centrus, em alternativa ao "fundão", para os servidores do BC.

Quem participou da maratona: Belsito, Elmo e Júlio (RIO), Gustavo e Bruna (POA), Calovi, Degel, Max e José Manoel (BSB), Clóvis e David (REC), Getúlio e Mauro (BHZ), Patruni e Pedro Paulo (CUR), Paulo Lino, Stalin e José Carlos (SP), Ricardo (FOR) e José Flávio (BEL).

Estratégia de atuação:  definida a partir de contatos prévios em várias regionais, como SP, CUR e POA, explorando o impacto da interação entre o político e o eleitor de seu estado, de forma a facilitar, agilizar e dinamizar o trabalho centralizado no Congresso.

Prática de atuação: em BSB, dividiu-se o pessoal em quatro sub-grupos – um encarregado de colocar as emendas da Centrus e os outros três com o objetivo de buscar a intermediação parlamentar para a reversão do desconto dos sete dias junto ao Ministro Paulo Bernardo (e, paralelamente, trabalhando pelas emendas citadas).

Contatos feitos: 33 parlamentares (pessoalmente ou por intermédio de  assessores e gabinetes) – 25 deputados e 8 senadores de 10 partidos e 11 estados (veja tabela abaixo).

       

 

Eis os 33 parlamentares com que o SINAL entrou em contado

 

 

 

Deputados

 

 

Senadores

Andréia Zito (PSDB-RJ)

André Vargas (PT-PR)

Alice Portugal (PCdoB-BA)

Chico Lopes (PCdoB-CE)

Ciro Gomes (PSB-CE)

Edinho Bez (PMDB-SC)

Gilmar Machado (PT-MG)

Gustavo Fruet (PSDB-PR)

Ibsen Pinheiro (PMDB-RS)

Ivan Valente (PSOL-SP)

Jô Moraes (PCdoB-MG)

José Múcio Monteiro (PTB-PE)

Luiza Erundina (PSB-SP)

Magela (PT-DF)      

Manuela D'Ávila (PCdoB-RS)

Marco Maia (PT-RS)

Nelson Pellegrino (PT-BA)

Palocci (PT-SP)

Paulo R. Santiago (PTB-PE)

Pepe Vargas (PT-RS)

Onyx Lorenzoni (DEM-RS)

Osmar Serraglio (PMDB-PR)

Régis de Oliveira (PSC-SP)

Rodrigo Maia (DEM-RJ)

Virgílio Guimarães (PT-MG)

Aloisio Mercadante (PT-SP)

Álvaro Dias (PSDB-PR)

Flávio Arns (PT-PR)

Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE)

Paulo Paim (PT-RS)

Pedro Simon (PMDB-RS)

Osmar Dias (PDT-PR)

Tião Viana (PT-AC)

 

Partidos de origem:

PT (12)

PMDB (5)

PCdoB (4)

PSDB (3)

DEM (2)

PSB (2)

PTB (2)

PDT (1)

PSC (1)

PSOL (1)

 

Estados de origem:

RS (7)

PR (6)

SP (5)

MG (3)

PE (3)

BA (2)

CE (2)

RJ (2)

AC (1)

DF (1)

SC (1)

2. A análise.

1) a sensação de estar cumprindo com um dever, como dirigente sindical, compondo um "esquadrão" de conselheiros de todo o País, que formavam um time e perseguiam um mesmo objetivo, com vistas a se evitar que o Governo consuma esse ato incompreensível e, sobretudo, discriminatório, contra uma categoria profissional importante, séria e responsável como a representada pelo BC.

2) a lamentar: todo esse gasto de dinheiro do SINAL (leia-se filiados), de tempo e afastamento de famílias/trabalho de 20 colegas do Banco, além do tempo e (algum) trabalho de todos esses deputados e senadores, poderia ter sido canalizado para outras questões mais importantes, não fossem a inabilidade, a inércia e a falta de vontade política da direção do BC em dar uma solução à questão dos sete dias.

Na verdade, nossos problemas estão muito mais dentro da Instituição do que propriamente fora. A "birra" do Ministro Paulo Bernardo contra os servidores do BC nada mais é do que o reflexo de sua orfandade interna. Enquanto o Unafisco leva o Secretário Rachid para se reunir com o Ministro Mantega e tratar de questões de interesses corporativos, nós – SINAL e funcionalismo – sequer conseguimos audiência com o nosso Presidente/Ministro. Um telefonema dele ao Ministro Paulo Bernardo, um entendimento, uma conversa simples, resolveriam o problema. No entanto, nossos dirigentes diretos lavam as mãos, inclusive e principalmente o Diretor Gustavo, e "passam a bola" ao SINAL, levando ao gasto de tanto tempo, dinheiro, trabalho e esforço, que, ainda assim, podem resultar em nada.

Nesse aspecto, vale repetir as palavras de Clóvis (REC), colega que estreou no trabalho com grande estilo:

"O que nos levou ao congresso foi a incapacidade da administração do BC de se impor e tomar partido em nosso favor. Assim, houve momentos que me senti quase envergonhado por ter que tratar uma questão meramente administrativa com um Senador da República (Pedro Simon), tomando o tempo de um representante do Estado com assunto desse quilate. Poderíamos sim, estar ali para tratar questões maiores, sobre a nossa categoria, o papel e independência do BC, e coisas desta natureza. Contudo, orgulhei-me de ter participado da equipe que, eficientemente, fez o trabalho pedido pela categoria, diante desta agonizante campanha salarial que não tem fim."

Tudo isso me envergonha também, como funcionário do BC e como dirigente do SINAL, a despeito da alegria de estarmos juntos no Congresso, formando um "time" e atuando com o objetivo de evitar que a categoria que representamos, além de não estar no topo de linha (que seria o correto, pela importância de seu trabalho e a seriedade e responsabilidade com que a ele se dedica), seja discriminada em relação a todas as outras, de uma forma hedionda e incompreensível.

3. Os resultados.

1.  Em relação à admissibilidade da Centrus, em alternativa ao Fundão, para os servidores do BC:

Os deputados Andréia Zito (PSDB-RJ), Nelson Pellegrino (PT-BA) e Rodrigo Maia (DEM-RJ) protocolaram as emendas.

Impressões: objetivo inicial cumprido; parabéns a Belsito e Cia. Agora, temos pela frente muito, mas muito trabalho de acompanhamento da tramitação do PL e monitoramento das emendas, num desafio sem tamanho.

2.  Quanto à batalha dos sete dias:

Cumprimos com o nosso dever e fizemos o melhor que pudemos, dentro das limitações existentes. Estão de parabéns todos os que assim o fizeram.

Impressões:  envolvemos, em favor de nossa "pequena" causa, entre contatos pessoais e de gabinetes, 25 deputados e 8 senadores, com direito a discurso favorável no Plenário do Senado de um senador oposicionista (Álvaro Dias – PSDB/PR), imediatamente reforçado por outro colega situacionista (Paulo Paim – PT/RS), fato raríssimo naquela casa atualmente, além de telegramas e várias contatos telefônicos de Parlamentares diretamente com o Ministro Paulo Bernardo (Ivan Valente – PSOL/SP, Jô Moraes – PCdoB/MG e Gabinete/Assessoria de Paulo Palocci – PT/SP, entre outros).

Todo esse dispêndio de tempo/trabalho/esforço/dinheiro, em prol de uma causa "diminuta", envolvendo uma das categorias de funcionários públicos mais importantes deste País e o Congresso Brasileiro há que produzir algum resultado.

4. Conclusão, perspectivas e agradecimentos.

A reunião com o Senador Mercadante (PT-SP) foi, de longe, a que me deixou melhor impressão. Primeiro, pela sua sinceridade (coisa raríssima em político) em tratar a questão dos sete dias, dizendo da necessidade premente da regulamentação (leia-se restrição ao) do direito de greve do servidor público, de forma a se evitar a banalização da greve no setor público, em franco prejuízo da sociedade brasileira.

Criticou a atuação do meio sindical em geral na reforma da previdência do Governo Lula.  Ressaltou nos haver transmitido sempre seu entendimento que o SINAL faria mais e melhor se atuasse no Parlamento auxiliando e contribuindo para o aprimoramento do debate econômico, ao invés de se limitar a idas esporádicas ao Congresso para pedir intermediação de deputados e senadores para suas causas corporativas.

Contrapusemos.  Afirmamos que o que nos levava até ele não era somente o corte dos dias de greve mas, acima de tudo, o tratamento discriminatório que o Governo estava dedicando aos servidores do BC nesse aspecto. E, mais: que estávamos ali para propor uma parceria contínua no Congresso, via CAE – Comissão de Assuntos Econômicos, que Mercadante preside no Senado. Uma parceria que poderia começar pela Cartilha do BC, que ele vem defendendo como forma de explicar, de uma maneira mais elaborada, e de outra mais simples, as funções da Autarquia.

Ele retomou a palavra e falou sobre a audiência/reunião técnica que a CAE fará com a Febraban, no dia 16.10, sobre a questão da regulamentação das tarifas bancárias. Disse que o SINAL poderia iniciar a sua participação esclarecendo os senadores a respeito do assunto e formulando perguntas para serem feitas por eles. Disse que tudo isso se daria formalmente: todo o crédito seria conferido por ele ao SINAL, na audiência.  Disse mais que, dependendo do desenrolar de todo o processo, o Sindicato poderá vir a ser chamado futuramente pela Comissão para uma audiência própria.

Finalizou afirmando que iria verificar a questão da discriminação dos dias descontados dos servidores do BC em relação a outras categorias, e que nos daria um retorno a respeito. De quebra, e muito mais importante, nos deixou uma porta aberta para entrarmos no Parlamento para uma atuação diferenciada e qualitativa, que nos permita tornar o SINAL uma referência sindical no debate parlamentar, que implicará em abertura de outras portas na defesa de nossas questões corporativas.

A participação do SINAL começa na audiência do dia 16, quando efetivamente se iniciará o enfrentamento desse desafio, que pode colocar o SINAL definitivamente em defesa de interesses maiores, ligados ao conjunto dos anseios da sociedade brasileira, sem qualquer perda de qualidade na defesa de seus interesses corporativos; ao contrário.

E esse desafio terá que ser enfrentado pelos mais de cem colegas do BC, entre recém-chegados e velhos conhecidos, que optaram pela condição de dirigentes do SINAL em todo o País, na gestão 2007/2009. Se é nossa responsabilidade, vamos a ela!

Por mim, a despeito de minha inexperiência e de qualquer conhecimento mais íntimo com parlamentares, resta-me a disposição de topar o desafio, com muita dedicação, esforço e trabalho, principalmente por levar em conta que teremos sempre todas as nossas ações alicerçadas por um "timaço", de atuação em níveis regional e nacional, como o que se dispôs a ir ao Congresso na semana que se encerrou, na batalha pelos sete dias.

Agradecimento a todos os que fizeram os contatos locais e que se deslocaram de suas Regionais para o Congresso, aos de BSB que se juntaram a nós, aos que deram o ótimo suporte (Sandra, escritório da Nacional e escritório da Regional) e aos que fizeram a excelente cobertura e divulgação do evento (Salles, Pessoal da Comunicação no Rio, fotógrafo e a jornalista Eunice em BSB).

Mario Getúlio Vargas Etelvino
Diretor de Relações Externas do SINAL

 

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