Edição 14 - 01/02/2008

Reunião com o Ministro Paulo Bernardo em 30.01.08


O MPOG, na pessoa do seu titular, Paulo Bernardo, convidou representantes de entidades sindicais de servidores públicos para uma conversa sobre os acordos salariais suspensos por conta dos ajustes no Orçamento.

O que disse Paulo Bernardo:

1. a determinação do encontro partiu do Presidente Lula.  Objetivo: manter aberto o diálogo, mas tendo presentes os problemas atuais do governo.

2. o governo foi derrotado pelo Congresso, quando da rejeição da CPMF.  Vai deixar de arrecadar, em valores de 2008, cerca de 160 bilhões de reais até 2011.  Isso afeta o orçamento dos três últimos anos deste governo e um ano do próximo: hoje, a perda da CPMF equivale quase ao orçamento anual total para a saúde, estimado em 47 bilhões.

3. na semana posterior ao carnaval, o governo encaminhará sua proposta de reforma tributária, que não ressuscitará a CPMF.  Enquanto isso, continuará trabalhando para reequilibrar o orçamento.

4. o crescimento do PIB foi maior que o projetado, e deve sair o resultado de um dos institutos dando conta de um percentual de 5,4%; a inflação foi maior que a esperada, e essa combinação (crescimento do PIB + inflação) resultou num aumento de receita de R$ 10 bilhões, combinado com o aumento das alíquotas do IOF e da CSLL.

5. quanto às despesas com o pessoal da União: o MPOG havia inscrito no Orçamento enviado ao Congresso (julho/2007), previsão de incremento de R$ 5,8 ou 5,9 bilhões, destinados aos reajustes, à criação de cargos e à realização de concursos públicos (para preenchimento de 29 mil vagas).

6. o governo tem negociações fechadas e outras em curso: só para atender às primeiras, precisa de R$ 5 bilhões, além do que está no Orçamento.

7. é incorreto afirmar que todas as tratativas e acordos já feitos não valem, mas enquanto o Orçamento não for equacionado, não há como implantar o negociado. Será necessário, no mínimo, repactuar os prazos.

8. como o Orçamento não foi votado, nem pode encaminhar ao Congresso nenhum projeto: há impedimento legal, mas vai continuar conversando com as categorias em negociação.

9. teve reunião de mais de três horas com o Presidente Lula sobre o assunto Acordos: o Presidente pediu esclarecimentos sobre todos, caso a caso.

10. exortou a que mantenhamos o diálogo, apesar de não se poder enviar nada ao Congresso agora. A propósito dessa declaração, afirmou estar ciente de que choveriam questionamentos por parte dos sindicatos, mas tudo tem que passar pelo Congresso, principalmente o Orçamento.

11. referiu-se às três legislaturas em que vem trabalhando, e disse nunca haver visto situação semelhante no Congresso. Fez uma analogia com os EUA: George W. Bush amarga baixíssimos índices de popularidade, iminente recessão e dificuldades no Congresso; no entanto, os parlamentares americanos aprovaram, em menos de uma semana, o pacote que o Presidente propôs para recuperar a economia.

A seguir, praticamente todas as 25 representações sindicais presentes passaram a pedir esclarecimentos, relatar suas situações específicas e ressaltar a importância das respectivas categorias para o país.

O Presidente do SINAL, em sua manifestação, tocou nos seguintes pontos:

1. as diferentes situações das categorias ali representadas, no tocante ao acordo:  1) negociações a iniciar; 2) negociações em curso mas não fechadas; 3) fechadas verbalmente; 4) concluídas e com acordo assinado, aguardando com implementação e 5) acordo assinado com implementação já vencida, ou em mora.

2. o Bacen ter saído da greve com acordo aprovado pela categoria em 14.06.07, só apresentado para assinatura em 26.11.07, e implementação marcada para dez/07: a categoria não viu seu reajuste até agora.

3. o governo exibir com satisfação os resultados da estabilização econômica: inflação sob controle e na meta são as principais conquistas sociais do governo, pois contêm o mais injusto dos impostos – o que penaliza com maior rigor os brasileiros de menor renda.

4. o equilíbrio das contas externas e a administração de reservas, através das políticas executadas pelos servidores do BC, estarem permitindo ao país continuar a receber investimentos externos em profusão.  Isso tudo calcado na confiança internacional alcançada desde quando o Presidente Lula, em campanha eleitoral, se comprometeu com o estrito cumprimento dos contratos:  isso acalmou os conturbados mercados na ocasião.

5. Detalhou aos presentes particularidades existentes no Banco Central:

a. os vencimentos iniciais do BC despencaram para a 19ª posição entre as carreiras federais (só no Poder Executivo);

b. estamos perdendo quadros do BC para o próprio governo, numa concorrência predatória que não faz bem a qualquer das duas partes.

c. cerca de 40% da força de trabalho do BC adquirem, em 2010, condições de se aposentar;

d. muitos servidores do BC estão voltando de férias, e construíram seus orçamentos domésticos contando com o cumprimento do acordo: as pressões serão inevitáveis, por providências e respostas razoáveis.

O que disse Duvanier Paiva:

1. acordo é para ser cumprido, mas o cenário em que foram fechados mudou;

2. repactuação de prazo é imposição do Orçamento/2008, ainda não fechado.

3. vai organizar calendário para conversar com as entidades.

O Min. Paulo Bernardo, fechando a reunião:

1. não se mexe na política social.

2. a perda da CPMF foi uma pancada muito grande para o governo.

3. sobre a Convenção 151 da OIT (que reza sobre a negociação salarial): na semana posterior ao Carnaval será encaminhado ao Congresso o projeto de ratificação.

4. o governo vai manter a expansão das universidades, já prevista.

5. não se tocará na meta de superávit fiscal;

6. não é política do governo a fragilização do serviço público, ao contrário.

Dirigindo-se ao Presidente do SINAL, buscou justificar o hiato entre a aprovação do acordo pela categoria e sua formalização.  Alegou que passamos aquele período tratando do não desconto dos dias de greve (David Falcão tentou responder, mas o ministro não abriu espaço para a réplica em sua afirmação; no entanto, encerrada  a reunião, foi ao seu encontro, quando falaram rapidamente sobre a reunião com o SINAL em Curitiba, em setembro de 2006).

Disse que entende o papel do SINAL de reivindicar.  Lembrou que, em 1987, liderou uma greve do BB pela equiparação aos salários do BC à época.

Falou ainda que considera as negociações formalizadas e as já comprometidas de forma igual (referia-se ao caso do pessoal da RF, com o qual haveria proposta verbalizada, mas não escrita). Afirmou que não estava retirando nada da Mesa.

Concluiu dizendo que há expectativa de o Orçamento ser votado até final de fevereiro; pessoalmente, pensa que isso só se dará na primeira quinzena de março.

Edições Anteriores RSS
Matéria anteriorCompromisso do SINAL quanto ao GT do PCS
Matéria seguinteReuniões Ordinárias do Conselho Regional do Sinal/DF