Liberdade de expressão ameaçada
Em 31 de março, festejamos o BC 45 anos. Medalhas distribuídas a colegas com mais tempo de casa, cerimônia pomposa, exaltação dos feitos do Presidente Meirelles. Todos felizes? Nem todos.
Não aqueles punidos por externar a opinião. Não aqueles que prezam a liberdade de expressão e o direito à crítica. Não aqueles que consideram as redes informais canais legítimos de expressão do funcionalismo.
Os que discordam dos caminhos escolhidos pela direção para o Banco Central, amordaçados, estão infelizes. E indignados!
Referimo-nos especificamente a algumas representações contra colegas que correm na Corregedoria do Banco.
Parece-nos que, de uma hora para a outra, divergências e críticas internas passaram a ser resolvidas naquela instância. Colega critica colega? Comissão de sindicância nele. Colega critica departamento? Chama o corregedor. Colega critica a Direção? Quem você pensa que é? Vamos dar-lhe o que merece: denúncia múltipla!
Acreditamos que a profusão de representações, à parte casos de inimizades manifestas e de querelas pessoais, visa, basicamente, a cercear o direito de expressão dos colegas e a garantir a manutenção do statu quo, dos feudos em que, muitas vezes, se transformam os departamentos do BC.
Em caso recente e de grande repercussão, alguns gerentes se sentiram ofendidos por manifestação nas redes informais e patrocinaram denúncia contra seu autor.
Interessante notar: apesar de a representação ter sido solicitada pelas pretensas injúrias divulgadas, a leitura da íntegra do Termo de Interrogatório revela que a Comissão de Sindicância concentra as questões na opinião do acusado sobre o "Projeto Mais".
Se o objetivo da comissão é apurar se houve dano moral aos acusadores, não se deveriam basear as perguntas ao acusado na discordância das idéias consubstanciadas no tal Projeto.
Perguntamo-nos em que medida a opinião do servidor sobre um projeto da Diretoria ofende os Gerentes Administrativos que representaram contra ele. Desconhecemos a resposta.
Ou a comissão terá sido convocada para calar o acusado, promover um (démodé) almejado e ditatorial alinhamento cultural e massacrar o servidor em benefício de um modelo de gestão de há muito ultrapassado?
O BC e seu funcionalismo – tendo suas funções e atribuições hoje consideradas como típicas de Estado – detêm uma enorme responsabilidade no sentido de fazer-se respeitar como tal, e poder cumprir seu papel em nome e em face da sociedade.
Esse é um dever de todos – servidores, gerentes, Direção – e não se coaduna com uma política de opressão à divulgação de ideias.
Além do mais, a se iniciar um ciclo de "caça às bruxas", não terá razão de ser qualquer Projeto administrativo para otimização do Órgão nem do funcionalismo: o clima organizacional que necessariamente se instalará será de todo infértil.
O Sinal não vai tolerar o surgimento, no BC, de um ambiente de opressão. Viva a dissidência de pensamento! Viva o espírito crítico! Viva a nossa tão propalada democracia!
Que o BC se liberte definitivamente das sombras do 31 de março de 64, que, infelizmente, empanam sua criação.
Liberdade! Liberdade!
Abre as asas sobre nós.
Das lutas nas tempestades,
Dá que ouçamos tua voz!
Em 120 anos da existência da República, será que não aprendemos nada sobre a essencial necessidade do ser humano de ser livre na sua expressão?
Ética, sim. Comitê de Censura e volta à Inquisição, não!!!!

