Edição 0 - 18/05/2010

BOCA LIVRE – Ideia, crítica & debate: nº 4, de 18.5.2010

 

 

BOCA LIVRE

Ideia, crítica & debate                 

São Paulo, 18 de maio de 2010 – nº  4

 

EDITORIAL

Manchetes de jornal são motivo de comentários nesta edição do Boca Livre, boletim aberto aos filiados do Sinal para o debate, a apresentação de ideais e críticas sobre os mais variados assuntos.

O autor da matéria, Idalvo Cavalcanti Toscano [DESUC/GTSP2/COSUP], é Coordenador de Estudos Técnicos do Sinal-SP.

Boa leitura!

MANCHETES DE JORNAIS…

[Fome e guerra não obedecem a qualquer razão natural – são criações humanas – Josué de Castro, geógrafo]

Idalvo Toscano (*)

1 – "EUA dizem duvidar que Irã cumprirá termos de acordo nuclear".

"Uma guerra sem razão
Já são tantas as crianças
Com armas na mão
Mas explicam novamente
Que a guerra gera empregos
Aumenta a produção…"

(A Canção Do Senhor Da Guerra – Renato Russo)

A máquina de guerra em curso…

A diplomacia brasileira é de reconhecida eficácia: desde Rio Branco a Celso Amorim, exceto raros episódios que nos humilharam como o "sem sapato" chanceler brasileiro após os ataques de 11 de setembro.

Com raros átimos de sensatez, o noticiário do dia colocou em suspeição o acordo realizado sobre a questão iraniana de acesso ao beneficiamento de urânio para fins pacíficos. No Iraque foi a mesma coisa: a mentira e a distorção dos relatórios exarados pela ONU (comissão de energia atômica) justificaram a invasão daquele país, destruindo insubstituíveis tesouros da humanidade e ceifando inúmeras vidas civis e militares.

Saddam e Ahmadinejad não são os melhores exemplos de democratas, como não o foi o alcoholic "Bushinho" e tantos outros, mas aprendi que os problemas dos povos devem ser resolvidos por eles mesmos, pois, habitualmente, intervenções militares acabam destruindo a participação popular na construção de modelos de Estado e de governos que lhes sejam adequados. Mas o caso Afeganistão, Iraque e Irã, foi um problema econômico: o controle sobre o petróleo do golfo (o pérsico) não permite "aventuras" de outra ordem.

Inegavelmente o presidente Lula e seu parceiro turco (melhor até falar na diplomacia destes países) avançaram significativamente em direção a um mundo melhor, a um caminho de paz e à pacificação de uma região extraordinariamente conturbada.

Israel já se manifestou a respeito: o Irã não vai desistir de destruir o Estado judeu; e a recíproca não seria igualmente verdadeira? Por que – sob as bênçãos das grandes potências o Estado israelense não desmonta seu próprio e robusto arsenal nuclear?

Aliás, por que todos os países que possuem armamentos nucleares não desmontam os mesmos? Por que não se desmobilizam as forças armadas em todos os países do mundo? Ou não se sabe que a resposta a uma ogiva nuclear equivale à destruição do planeta?

O governo Lula é passível de inúmeras críticas, dentre elas a – ainda – insuficiente atenção a programas sociais como o Bolsa Família onde a transferência de renda deveria ser muito, muitíssimo mais significativa – triplicá-la não seria uma insensatez; no geral, houve avanços na área social, mas tímidos antes o flagelo do empobrecimento que atinge 50 milhões de pessoas, sendo que, destas, ainda 10 milhões vivem em condições de pobreza absoluta. Por tudo isso, há dividas expressivas a serem resgatadas.

Mas ele – Lula – foi lá e fez; fez o que até então parecia impossível. Resta, agora, aos guardiões dos planetas – os ômes do "livre mercado"… os imperadores do mal – darem seus passos em direção a um mundo menos insensato.

2 – "Benefício social reduz atividade rural no NE"

Isso é grave, muito grave!

A atividade rural no nordeste brasileiro sempre foi vital à sobrevivência da população local pelos bons salários pagos, pelos benefícios propiciados pelo estatuto da carteira assinada, pelo respeito ao trabalho infantil, pelo trabalho livre e respectiva jornada de trabalho; sem contar que são atividades produtivas cercadas de garantias de segurança – luvas nos canaviais, máscaras em carvoarias, vestimentas apropriadas na pecuária, além do respeito aos menores avanços dos acordos trabalhistas.

Continua a reportagem em questão (Folha de São Paulo – 14.05.10, de capa):

"Trabalhadores optam por não ter carteira assinada a fim de manter Bolsa Família e aposentadoria especial antecipada".

"Fazendas de café na Bahia, que usam o emprego intensivo, abandonam a produção e acabam transformadas em pasto".

Canalhas! Sim, trata-se de verdadeiros canalhas: fugir do trabalho e aspirar uma aposentadoria (R$ 510,00/mês) prejudicando a sociedade brasileira que bem poderia construir usinas que comprometem o meio ambiente, rodovias que incitam o modal sobre 4 rodas, reduzir o IPI para aumentar o consumo desembestado de automóveis que não circulam nas grandes cidades, ampliar os níveis de CO2 na atmosfera, indenizar os bancos falidos e em liquidação judicial, manter uma burocracia encastelada em torres autoritárias etc.

Ademais – pasmem! – na terra de padin Toninho Ternura (que Deus o tenha por lá, vixe!) estão – estes impiedosos bolsistas – destruindo a atividade agrícola que, há muitos anos, nobres senhores de terra iniciaram com enorme despojamento, tudo pelo bem do país. Coitados, agora são obrigados a sacrificar sua razão de viver (e contrariar leis econômicas!), apenas porque um bando de trabalhadores resolveu ser vagabundo (**)!

Agora, falando sério, essa Bolsa Família tem que acabar: os caras estão botando filhos no mundo só para aumentar o valor da transferência.

Tenha paciência!

________________________

(*) Funcionário do Banco Central; Coordenador de Estudos Técnicos do Sinal-SP. As opiniões aqui expressas não representam de modo algum o entendimento destas instituições.

(**) Certo mandatário, em passado recente, qualificou os aposentados de vagabundo, raro exemplo de autocrítica, já que o próprio era, igualmente, um aposentado.

PALAVRAS FINAIS

Você tem algo a acrescentar ou uma opinião diferente sobre o assunto? Você gostaria de escrever sobre outro tema? Sua opinião é valiosa e poderá ser publicada em próximo boletim.

Os textos para o BOCA LIVRE deverão ser encaminhados para o email sinalsp@sinal.org.br, com o nome completo do autor, matrícula e telefone(s) para contato.

SINAL – Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central

R. Peixoto Gomide, 211 – S.Paulo SP – CEP 01409-001  /   (11) 3159-0252

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