Edição 34 - 11/04/2012

Nem apontador, nem lápis


 
Você acha, mesmo, que a relação sede-regionais, no BCB,
deve ser da mesma natureza que aquela mantida entre o apontador e o lápis?

 

Recentemente foi publicado em redes internas do BCB artigo de autoria da Comissão de Concursados (www.concursadosbacen.com.br), tratando da diminuição do número de servidores, na ativa,da autarquia, em comparação com o crescimento do quadro de pessoal de outros importantes bancos centrais.
Reproduzimos, a seguir, tal artigo, em razão de sua relevância para a abordagem do tema Revitalização das Regionais do Banco Central do Brasil, sob a ótica da Qualidade de Vida no Trabalho (QVT), uma vez que o encolhimento abordado no artigo ocorre, de modo muito mais radical, nas Regionais do BCB.
Boa leitura!

 

Banco Central do Brasil encolhe,
enquanto outros países reforçam o efetivo

 

A edição de Janeiro/2012 da publicação "RH em Números" do Banco Central do Brasil apresenta a forte redução em sua força de trabalho durante o último ano. Somente em 2011, o BCB perdeu o equivalente a 5,7% do efetivo (279 servidores) [1]. Com isso, fechou o ano passado com deficit de 29% em relação aos cargos definidos em lei [2].

O infográfico abaixo mostra a evolução dos quadros de alguns bancos centrais. A comparação internacional aponta que o BCB foi um dos que teve a maior redução na força de trabalho. Para o estudo utilizou-se dados das duas maiores economias desenvolvidas (EUA [3] e União Européia [4]) e de dois países em desenvolvimento (China [5] e África do Sul [6]). O conjunto dos países analisados corresponde a 57% do PIB mundial (em Paridade do Poder de Compra) [7].




Apesar das especificidades das funções de cada banco central, observa-se que o efetivo do BCB é bastante reduzido em relação ao tamanho da população e importância econômica do Brasil. A deficiência de pessoal do Banco Central do Brasil também já foi objeto de alerta por organismos internacionais. O Banco Mundial, na última edição de seu Relatório sobre a Observância de Normas e Códigos (Report on the Observance of Standards and Codes – ROSC), alertou sobre a insuficiência de pessoal para realizar uma adequada supervisão bancária [8].

Nos relatórios anuais dos bancos centrais pesquisados, verifica-se uma grande ênfase nos investimentos em Recursos Humanos, em decorrência do aumento da complexidade na atuação dessas instituições. Nos EUA, por exemplo, apesar das fortes restrições orçamentárias americanas, o Federal Reserve aumentou sua força de trabalho em 3% no último ano.
_____________
[1] RH em Números. Janeiro, 2012.
[2] Lei Nº 9.650, de 27 de maio de 1998.
[3] FED, Federal Reserve. Annual Report: Budget Review 2011.
[4] Central Bank Directory highlights rise in female central bank governors.
[5] The People’s Bank of China. Anual Report 2010.
[6] Resbank – South African Reserve Bank. Annual Report – 2010-2011.
[7] World Bank. World Development Indicators database, 1 July 2011.
[8] World Bank. BRASIL – Relatório sobre a Observância de Normas e Códigos (ROSC) – Contabilidade e Auditoria, 20 de junho de 2005.
 

Manifestações, de qualquer natureza, quanto ao texto – críticas, sugestões etc. – serão muito bem-vindas.
Caso você tenha interesse em fazê-las, por favor envie mensagem para sinalrj@sinal.org.br

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