Edição 124 - 28/08/2012

Entrevista na RIONET

 

Entrevista – Sergio Belsito
 

Todos hoje às assembleias!


Movimento será avaliado hoje nas assembleias e delas sairá uma decisão final sobre a proposta do governo
 

Caixa de texto:  Ante a expectativa em torno das assembleias que serão realizadas hoje em todo o Brasil, o presidente nacional do Sinal, Sergio Belsito apela para que todos compareçam à convocação do sindicato. E se dirige aos novos servidores: “Faço aqui um convite aos novos servidores do BC para que se filiem e se aproximem do sindicato. O salário inicial de hoje foi conquistado com grandes lutas. A sua manutenção também dependerá da continuidade de nossa mobilização e participação. A criação do FUNPRESP é um sinal claro de onde o governo Dilma quer chegar.”

 

œComo você avalia a campanha salarial e seus resultados?

SERGIO BELSITO – Está sendo uma campanha dura, duríssima. De nossa parte fizemos tudo que estava ao nosso alcance nos dois últimos anos: trabalho de mídia, construção de uma unidade entre as carreiras de estado, que precisa ser fortalecida, principalmente nos estados. Fizemos interlocução com autoridades e mobilização da base quando o momento demandava. Por parte do governo, a atuação foi de baixo nível, pouco civilizada, com interferência direta da Presidente Dilma ,tentando desqualificar e demonizar os servidores públicos, principalmente os de carreiras estratégicas. Requintes de crueldade e de arapongagem foram usados pelo governo.

 

O que há entre o governo, a mídia e os empresários em comum contra os servidores públicos?

BELSITO – Primeiramente, a mídia não tem isenção e trabalha para o capital e para o governo. Os empresários veem nas despesas com os servidores públicos a maneira mais fácil de reduzir a carga tributária e o custo Brasil. Normalmente são empresários bem-sucedidos que assessoram o governo mas, que, em sua maioria, tiveram suas fortunas construídas nas tetas do BNDES e não pela eficiência que querem demonstrar. Por parte do governo, vemos uma percepção de que os servidores são muito bem remunerados, para o padrão da iniciativa privada, e que são ineficientes. Além disso, a burocracia de estado acaba por atrapalhar as pretensões do governo de fazer o desenvolvimento acontecer, a qualquer custo, sem os controles necessários com os recursos públicos. O exemplo maior desse pensamento é a proposta de dar aos procuradores contratados por livre nomeação os mesmos poderes dos concursados.
 

Com a decisão das assembleias de hoje sobre a aceitação ou não da proposta do governo a campanha salarial está encerrada?

BELSITO – Não, claro que não. Estamos concluindo uma batalha e não toda a guerra. Temos o comando da AND de buscar a modernização das carreiras e o topo do Executivo. São determinações ao SINAL que deverão ser perseguidas, quer em mesa de negociação quer no Congresso.

 

Sobre a contraproposta feita na mesa de sábado e não aceita, imediatamente, pelo governo, o problema foi orçamentário?

BELSITO – Não, avaliamos, juntamente com o pessoal da área orçamentária do governo a questão. A contraproposta daria um comprometimento máximo de 7,5 bilhões de reais, com peso maior em 2014 e 2015. A negativa , por parte do governo, se fundamenta em orientação política. O governo precisava dar demonstrações à sociedade que tem o controle dos gastos públicos e que tem supremacia sobre o movimento sindical.

 

Caixa de texto: ‘Se a proposta for rejeitada pela base do BC, Como você avalia a proposta negociada que será levada à votação?

BELSITO – A proposta foi imposta e não negociada. Ela tem um único mérito, a meu ver, em trazer um reajuste linear para os servidores, principalmente para as categorias cujas tabelas estão estruturadas. Entretanto, ela é insuficiente por não repor imediatamente as perdas inflacionárias passadas que já se acumulam em 23,00%, por trazer apenas uma frágil proteção para os salários nos próximos três anos e só permitindo que possamos obter novas reposições, de fato, a partir do ano de 2017.

 

Você pessoalmente aceitaria a proposta?

BELSITO – Eu me alinho à avaliação do Conselho Nacional do SINAL de que a proposta é insuficiente. Entretanto, como presidente não seria bom eu me manifestar nesse momento sobre a proposta. A avaliação tem que ser de cada um e não gostaria de influenciar ninguém. Cabe ao dirigente sindical expor à categoria os seus efeitos financeiros, cenários, dificuldades e perspectivas futuras. Gostaria que a decisão se desse pela avaliação da categoria. Todos devemos participar das assembleias hoje. É uma decisão que vai influenciar nossa carreira pelos próximos anos.

 

Se a proposta como um todo é insuficiente e amarra por um período longo, porque não negociar somente para 2013?

BELSITO – O governo não aceita. Ele quer a garantia de que terá tranquilidade nos anos seguintes para enfrentar os mega eventos. Ou seja, ele não quer ver mais mobilização de servidores públicos nesse governo.

 

Essa situação anterior é a melhor?

BELSITO – Depende da conjuntara mais a frente, depende da força que poderemos unir para pleitear e, também, do rol de entidades que não aceitarão a proposta na mesa de hoje.

 

Qual a tendência das demais carreiras?

BELSITO – Na base da Condsef que trata de 18 carreiras dos servidores de apoio dos ministérios, já houve a aceitação. No ciclo de gestão e núcleo financeiro a base da UNACON assim como a nossa estão muito parecidas. A base da CVM defende a rejeição da proposta. As demais entidades do Ciclo de gestão devem aprová-la.

 

Mas o Sindifisco irá rejeitar a proposta?

BELSITO – Sim, a base já rejeitou. Entretanto se houver sinalização do governo para o atendimento de outros pleitos da categoria não financeiros, a exemplo da autorização de porte de armas, a proposta poderá ser reexaminada novamente pela base.

 

Caixa de texto: ‘O comportamento da diretoria do BC foi deE sobre a falta a greve?

BELSITO – Pleitearemos junto à direção do BC a reversão dos dias paralisados. O mínimo que o funcionalismo espera da direção do BC é o seu envolvimento nessa questão menor.

 


Como você avalia o comportamento da categoria na campanha?

BELSITO – Formidável. Confiante nas orientações do SINAL e bem participativa.Em função da falta de independência do judiciário e da predominância das decisões contra a greve, buscamos centralizar a mobilização para os momentos fundamentais da campanha. Tenho grande orgulho e admiração da base que represento.

 

O que podem esperar os servidores públicos desse governo?

BELSITO – A implantação de um arrocho salarial que já se iniciou e medidas medievais e truculentas para dar mostras de eficiência na máquina pública, tais como "catracas" avaliação de desempenho com critérios que mais avaliarão o nível de submissão dos servidores do que a sua eficiência. Temos que estar atentos e reagir.

Edições Anteriores RSS