Edição 539 – 23.03.2026

VITRINE CULTURAL: LUTA E RESISTÊNCIA

Está em cartaz no Teatro Poeira, até 26 de abril, a peça Eu Sou Minha Própria Mulher. O texto do dramaturgo estadunidense Doug Wright, vencedor do Prêmio Pulitzer de Teatro em 2004, brilhantemente interpretado pelo ator Edwin Luisi, conta a história verídica da travesti alemã Charlotte von Mahlsdorf, que sobreviveu ao nazismo, assumiu sua identidade transgênero e manteve um cabaré clandestino que se tornou um refúgio para pessoas LGBTQIA+ na Alemanha Oriental.

Nascida em 1928 na Alemanha, Charlotte foi batizada com o nome masculino Lothar Berfelde, mas desde sua infância se identificava com o universo feminino. Na juventude, a relação conflituosa com o pai, que era violento e membro do Partido Nazista, se intensificou e teve um fim trágico. Durante a guerra, ela começou a colecionar objetos de uso cotidiano, retirados das casas de judeus deportados, tais como relógios, espelhos, fonógrafos e gramofones. Essa coleção compôs o acervo do Museu Gründerzeit, inaugurado em 1960, na Berlim Oriental. No porão desse prédio, Charlotte  manteve uma taverna secreta que se tornou um ponto de encontro e resistência da comunidade LGBTQIA+, que sofria discriminação e repressão durante o regime comunista.
A história incrível de sobrevivência dessa mulher trans, personagem complexa e controversa que encantou o dramaturgo Doug Wright, é narrada de forma muito dinâmica. Em cena, Edwin Luisi interpreta não só a protagonista, mas também muitos outros personagens, incluindo o próprio autor do texto, que entrevistou Charlotte em várias visitas a seu museu. A atuação impecável do ator é marcada pela ótima caracterização dos personagens, baseada em vozes, sotaques, gestos e tiques.
Além de divertir e emocionar, a peça levanta reflexões importantes sobre as dificuldades que pessoas LGBTQIA+ enfrentam até hoje no mundo todo quando assumem suas identidades e orientações sexuais. No Brasil, sofrem com a falta de acolhimento na própria família, a discriminação no mercado de trabalho, os ataques constantes quando alcançam esferas de poder, e a violência de uma sociedade muito machista, que ameaça constantemente suas vidas. Infelizmente, apesar de o STF ter criminalizado a homotransfobia em 2019 com a equiparação ao crime de racismo previsto na Lei 7.716/1989, nosso país segue liderando o ranking mundial de assassinatos de pessoas LGBTQIA+. Segundo o relatório anual do Grupo Gay da Bahia, em 2025 foram registradas 257 mortes violentas de pessoas da comunidade LGBTQIA+ no Brasil, o que equivale a uma pessoa morta a cada 34 horas. É urgente, portanto, combater o preconceito e os discursos de ódio contra essas pessoas, que tornam sua existência tão vulnerável em nossa sociedade.
É possível comprar ingressos para a peça Eu Sou Minha Própria Mulher no site da plataforma Sympla: https://www.sympla.com.br/. Não perca!

Simone é servidora aposentada do Banco Central do Brasil e Conselheira Regional do Sinal-RJ.

A coluna expressa opiniões da autora e não reflete necessariamente o posicionamento do Sinal-RJ.

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