Edição 513 – 06.02.2026
LADY TEMPESTADE NA VITRINE CULTURAL, DA COLEGA SIMONE DAUMAS
Lady Tempestade
Após receber o Globo de Ouro de melhor ator de drama por sua atuação no filme O Agente Secreto, Wagner Moura afirmou que a ditadura ainda é uma ferida aberta na vida brasileira. É importante, portanto, que a arte e a literatura continuem abordando esse tema, já que muitos jovens de hoje não têm ideia do aparato repressivo que marcou o regime autoritário, principalmente no período de 1968 a 1974, conhecido como “anos de chumbo”.
A peça Lady Tempestade encaixa-se perfeitamente na coleção de obras fundamentais para resgatar a memória desse tempo. Com texto de Sílvia Gomez, indicada ao Prêmio Shell em dramaturgia, a peça baseia-se nos diários de 1973-74 escritos pela advogada pernambucana Mércia Albuquerque, que defendeu corajosamente centenas de presos políticos perseguidos pela ditadura militar. Conhecemos a bravura do célebre Sobral Pinto, brilhante advogado criminalista que defendeu presos políticos do Estado Novo e da ditadura militar, mas Mércia é desconhecida da maioria do público, talvez pelo fato de ser mulher e nordestina.
Andréa Beltrão encarna a personagem num monólogo instigante, em que representa também a si mesma, provocando um diálogo constante entre o passado e o presente. Com atuação magistral, a atriz vive a angústia dessa advogada incansável, cuja história é uma demonstração de resistência e luta pelos direitos humanos. Conhecer a atuação de Mércia Albuquerque, naqueles tempos sombrios de violência extrema, é valorizar sua importância histórica e, sobretudo, reafirmar a necessidade de defesa permanente da democracia.
Lady Tempestade está em cartaz no Teatro Poeira, em Botafogo, até o dia 27 de abril. Não perca!
Simone é servidora aposentada do Banco Central do Brasil e Conselheira Regional do Sinal-RJ. Trabalhou durante 20 anos no DEMAB, no Rio de Janeiro. É bacharel em Informática (UERJ), mestre em Administração – Finanças (COPPEAD-UFRJ) e, mais recentemente, bacharel em Letras (UNIRIO).
A coluna expressa opiniões da autora e não reflete necessariamente o posicionamento do Sinal-RJ.
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