Reciclagem de papel-moeda: a contribuição que vem de Belém
Quando foi trabalhar no Mecir, alguns anos atrás, o colega José Flávio Silva Corrêa, hoje Presidente do SINAL-Belém, tomou conhecimento de como as cédulas, fragmentadas, iam parar nos aterros sanitários da cidade, e imediatamente pensou em quanto mal faria aquele lixo, impregnado de substâncias químicas e jogado a céu aberto.
Solicitou – e obteve – da Gerência Administrativa da Regional do BC autorização para entrar em contato com o meio acadêmico, para ver se havia interesse no estudo da possibilidade de aproveitamento desses resíduos de forma a não agredir a Natureza e, se possível, contribuir socialmente de alguma forma.
Na Universidade Federal Rural da Amazônia, encontrou a disposição do Prof. Carlos Costa, que vem tocando o projeto há dois anos, tendo-se revelado altamente viável o resultado até aqui obtido.
Basicamente, o processo consiste na limpeza do resíduo das notas, que depois de peneirado é misturado a restos de legumes e palha, em composição balanceada. O produto final dessa reciclagem serve como adubo, podendo vir a beneficiar pequenos produtores rurais, aos quais as entidades governamentais poderiam ceder, ou mesmo vender, a preço de custo, o material reciclado.
Segundo o prof. Carlos, a quantidade de produtos químicos que resta das notas velhas após todo o processo é muito pequena, e não afeta a saúde humana.
Tendo José Flávio trazido à direção nacional do SINAL o relato desses esforços de anos, o Conselho o cumprimentou pela iniciativa e deliberou assumir a sua parte no sentido de um BC melhor para todos, e com responsabilidade social e ambiental.
Assim, o assunto foi levado à atual Diretoria de Administração e, na segunda-feira, haverá reunião, às 14h, com uma vídeo-conferência que tratará do assunto dentro do BC.
A reunião contará com o Diretor Anthero, o Professor Carlos Costa (UFRPA), o colega José Flávio, e representantes da Casa Civil do Governo do Estado do Pará, do Mecir e do SINAL.
O SINAL espera que iniciativas da espécie sejam encampadas, institucionalizadas e divulgadas internamente pelo Banco Central.
É uma maneira de contribuir positivamente para o país, ademais implantando uma cultura de responsabilidade sócio-ambiental no BC e mostrando à sociedade uma outra faceta dos servidores da Casa: sua preocupação com o meio-ambiente e a conseqüente contribuição para um mundo melhor.

