Edição 0 - 20/12/2002

Declaração aumenta polêmica

S“nia Araripe e Isabel Clemente – Jornal do Brasil – 20/12/2002

Eleva‡Æo dos juros dividiu opiniäes O quase desabafo feito ontem pelo vice-presidente eleito, Jos‚ Alencar, mostra que a eleva‡Æo dos juros b sicos da economia de 22% para 25% ao ano provocou muita polˆmica. Para os consumidores, milhäes de brasileiros que dependem de empr‚stimo, do cheque especial ou devem no cartÆo de cr‚dito, o impacto chegou a 170% ao ano.

O presidente da Associa‡Æo Brasileira das Companhias Abertas, Alfried Pl”eger, concordou com o futuro vice-presidente e empres rio. Ele acredita que os bancos nÆo sÆo algozes e sim v¡timas de um modelo econ“mico perverso, que penaliza o capital produtivo e incentiva a aplica‡Æo em t¡tulos p£blicos.

– Os juros chegam a ser um verdadeiro escƒndalo. Que investimento produtivo ir  remunerar mais do que a aplica‡Æo em renda fixa?

Por isso, a concessÆo de empr‚stimos no pa¡s ‚ muito pequena comparada com o tamanho da economia: 28% do PIB contra 86% no Chile e 64% nos Estados Unidos. O presidente do Sindicato dos Bancos do Rio de Janeiro, Walber Xavantes, criticou a alta dos juros, mas frisou que os bancos nÆo sÆo culpados.

– NÆo se resolve a infla‡Æo de custo, provocada em boa parte pelo governo, pelos pre‡os administrados, e tamb‚m pelo d¢lar, elevando os juros. Foi uma medida incorreta. Mas os bancos nÆo sÆo viläes. H  uma enorme cunha fiscal e dep¢sitos compuls¢rios elevados do Banco Central.

Na avalia‡Æo do presidente da Associa‡Æo Nacional das Institui‡äes do Mercado Aberto, Edgar da Silva Ramos, a declara‡Æo de Alencar foi ‘um pouco exagerada’.

– Os bancos sÆo intermedi rios. Toda vez que h  um aumento de juros, quem tem empr‚stimo paga mais. O problema ‚ que o Estado gasta mais do que arrecada.  uma questÆo fiscal.

O economista Alexandre Fischer, da RC Consultores, concordou que as taxas se tornam ‘um assalto’ porque elevam a rela‡Æo d¡vida/PIB, justamente o indicador de vulnerabilidade do pa¡s. ‘Isso vai requerer mais ajustes do outro lado’, disse, completando que foi um mal necess rio.

O economista Raul Velloso, especialista em contas p£blicas, disse que ‘volta tremendo de raiva cada vez que tenta fazer uma compra a prazo’. Mas reconheceu que negociar redu‡Æo dos juros ao consumidor foi um dos itens permanentes da agenda de Arminio Fraga no BC.

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