Edição 0 - 19/12/2002

AS CORPORAÇÕES E O MALABARISMO

Fazer pol¡tica comporta v rias defini‡äes, dependendo da conota‡Æo que se queira dar.

O comportamento da equipe de transi‡Æo do governo Lula, me faz pensar que a pol¡tica ‚ a arte de equilibrar-se em contradi‡äes, trocando em mi£dos, uma esp‚cie de malabarismo desengon‡ado em que o artista nÆo veste roupas circenses mas terno e gravata.

Um dos integrantes da equipe – acho que o Gushiken – disse recentemente que no primeiro escalÆo do futuro governo nÆo haver  representantes das ‘corpora‡äes’, referindo-se ao que parece aos sindicatos e representa‡äes de classe dos trabalhadores.

De um lado, a frase denota um preconceito: o de que as lideran‡as sindicais seriam incapazes de
formular pol¡ticas que transcendessem interesses meramente corporativos; de outro, revela uma
profunda contradi‡Æo, afinal dentre os nomes at‚ agora indicados para o futuro minist‚rio temos um representante da FIESP, a maior corpora‡Æo industrial do pa¡s, outro das corpora‡äes vinculadas ao agrobusiness e outro ainda de uma corpora‡Æo financeira internacional, que auferiu lucros extraordin rios especulando por estas bandas.

Acompanho os passos dos malabaristas que se equilibram nestas e noutras contradi‡äes, com a
perturbadora sensa‡Æo de que me desloquei da plat‚ia para o centro do picadeiro, vestindo roupas largas e coloridas.

Lademir Gomes da Rocha
DEJUR/PRPAL

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