Edição 66 - 31/05/2012

Para reflexão dos servidores do BC: redistribuição das funções comissionadas

Nossas assembleias realizadas ontem tiveram um grande componente de indignação e perplexidade dos servidores com o conteúdo do Decreto 7735/2012, de 25 de maio, e do voto BCB 109. Entretanto, as orientações traçadas nesses documentos trazem elementos ricos para a discussão dos servidores da Casa que merecem melhor análise, principalmente em momento de campanha salarial.

Primeiramente, reforça a tese de que a LUTA primordial dos servidores deve estar sempre centrada na valorização dos salários. A perda inesperada de parte de nossos ganhos, como aconteceu com mais de 200 servidores, não pode ser motivo de aprisionamento do servidor à administração da organização.

A quantidade de críticas levadas, por gerentes, às assembleias, pela total falta de conhecimento e participação no processo decisório, deixa-nos preocupados.

Parece-nos que não se pretende adotar na organização o princípio da democratização das relações de trabalho e de poder, claramente adotado no programa de QVT aprovado pelo BC.

A mensuração do clima organizacional no dia de ontem, certamente, revelaria um dos piores momentos da organização, anulando relevantes trabalhos já realizados no sentido de sua melhoria.
 
Preocupa-nos, também, a proposta de redistribuição de novas funções sem que sejam elas utilizadas verdadeiramente para retomar o processo de revitalização das Regionais. Salvo em algumas pequenas e irremediáveis correções, não se vislumbra o desejo da administração do BC em investir nas regionais como alternativas para a descentralização de suas atividades, de forma a promover, internamente, o mesmo princípio do artigo 192 da Constituição Federal, que visa estruturar o sistema financeiro nacional de forma a promover o desenvolvimento equilibrado do País e servir aos interesses da coletividade, em todas as partes que o compõem.

Mais uma eventual utilização, simplesmente, de trabalhos de consultorias externas, sem discussão com nosso nível gerencial – verdadeiro conhecedor das demandas do BC – que traz como resultado apenas a economia  de centavos, desconhecendo a melhor forma de atendimento das necessidades da sociedade.

É fato que é de responsabilidade da administração se organizar para atender a seus objetivos, entretanto, o corpo funcional se sentiu alijado do processo para o qual poderia ter contribuído.

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