ADEUS AMIGA NILCÉA

    HTML clipboard É sempre triste perder alguém que se estima muito. Por isso tenho o hábito de prestar minha última homenagem com algumas palavras sobre o amigo ou amiga que nos deixa desta vida. Aconteceu novamente ontem.   Nilcéa trabalhou com Zezé por muitas décadas, tanto no Banco do Brasil como depois no BACEN. Eram muito amigas e esta amizade se estendeu a mim e mais recentemente à nossa Marlene também.   Durante a doença de Zezé, Nilcéa se fez presente em nosso apartamento, em Ipanema, para visitá-la, sempre que podia. Com temperamento alegre, suas visitas faziam muito bem ao ânimo de Zezé. Ela era das raras pessoas com quem esta admitia falar da doença que a acometia.   Nilcéa já estava enfrentando com muita dignidade o mal de Parkisson. Tinha fases melhores, outras piores, e depois que Zezé partiu, ela se aproximou ainda mais de mim e de Marlene, a quem Nilcéa dedicava um carinho muito grande. Morava já em Rio das Ostras, há cerca de 40 km de Cabo Frio e ia ao Rio eventualmente resolver assuntos pessoais.   Quando completei 70 anos de idade houve uma festinha programada por Marlene e sua filha, a Grasiele, nesta casa onde hoje também moro. Acreditem que a boa amiga Nilcéa fretou uma van e compareceu, à noite, ao meu aniversário, acompanhada do marido e de um neto. Permaneceu aqui em casa por mais de duas horas. Tenho fotos deste momento feliz.   Este gesto dela marcou ainda mais a nossa amizade, pois sabíamos o quanto lhe custava ainda sorrir e nos passar alegria enquanto a doença a perturbava bastante. Foi uma festinha muito animada a qual compareceram outros amigos aqui de Cabo Frio, além dos nossos familiares.   No ano passado, logo após eu ter falado com ela alegremente pelo telefone, dias depois ocorreu de o marido dela me haver ligado para dizer que ela sentira fortes dores de cabeça e, devidamente examinada, haviam descoberto que teria que se submeter a delicada cirurgia para retirar um tumor. A partir daí ela perdeu alguns movimentos e também não conseguia falar.   Fomos visita-la no Hospital, no Rio, e ao nos ver Nilcéa demonstrou forte emoção. Aproximamo-nos do leito em que estava e quando Marlene lhe fez um carinho ela pegou as mãos de Lena e, segurando-as com força, seus olhos brilhavam. Ela nos passava a sensação de que desejava dizer alguma coisa, se esforçava, mas não conseguia. A seguir começou a chorar, sem largar as mãos de Marlene.   Foi uma cena muito forte. A emoção tomou conta de todos os presentes e eu tive que buscar muita resistência para não deixar que meus olhos me traíssem com algumas lágrimas. Apenas soltei o pranto quando já saíamos do Hospital.  Em conversa com familiares dela soubemos que seu estado poderia ser irreversível.   Passado algum tempo ela foi liberada para ir para casa, na Tijuca. Aqui de Cabo Frio mantivemos contatos constantes com o marido dela e quanto mais o tempo passava mais as notícias que recebíamos eram desanimadoras. Mais recentemente ela não reconhecia mais os familiares. Dentro da nossa fé pedimos sempre que ela não sofresse mais do que a imensa carga que já lhe fora destinada durante o Mal de Parkison.   Ontem, à noite, José, o marido dela, telefonou e falou com Lena. A nossa querida amiga Nilcéa não estava mais neste mundo. Seu enterro ocorrerá hoje, terça, por volta das 15 horas. Conosco ficaram muitas lembranças, recordações que guardaremos para sempre em nossas mentes e corações.   Uma dessas recordações de há pouco mais de 3 anos, está na foto que segue junto com este texto. Foi na noite dos meus 70 anos. Nilcéa é a que está mais à direita.   Nesses momentos sempre me lembro do que me disse certa vez um grande amigo da antiga, o Amaro: “Simões, o difícil de a gente ter vida longa é termos que presenciar os amigos que vão ficando pelo caminho.” Uma grande verdade.   Adeus, amiga Nilcéa, soubeste semear muitas e muitas amizades com teu caráter, lealdade e simpatia. Tiveste uma vida muito útil, haja vista a linda família que constituíste. Jamais te esqueceremos, boa amiga.   Francisco Simões.    (09 / Fevereiro / 2010)

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