APOSENTADO, VAGABUNDO?!

    Certo dia, num momento bem infeliz, o então presidente FHC teria se referido a nós, aposentados, como uma espécie de… “vagabundos”. Saiu em todos os jornais. Lembram-se? Pois é. Para nós brasileiros a conotação realmente é bastante ofensiva. Em geral considera-se aquele vocábulo como se referindo a alguém “velhaco, pelintra, canalha, biltre, ordinário.”Então, outra não poderia ser a interpretação dos que formam no nosso “time”. Aquele pronunciamento foi tomado como séria ofensa, claro.Mas, outros presidentes, antes e após FHC, também demonstraram que não têm lá muita consideração para conosco. Haja vista a grande massa dos que se aposentam e dependem, para sobreviver, apenas do miserável salário que lhes paga o INSS e que talvez, ainda por mais escárnio, chamam de… “benefício”.Podem contribuir durante sua vida ativa, sobre dois, três ou mesmo cinco a seis salário mínimos, quando aposentarem vão acabar recebendo apenas sobre um. Eu que trabalhei numa empresa como o Banco do Brasil, que, face a alguns cargos em comissão que exerci na Direção Geral, tive oportunidade de contribuir até sobre o teto deles, ou seja, 20 salários mínimos, na época, hoje recebo o mal falado “benefício”  sobre  apenas … 5 salários mínimos. Felizmente contribuí durante todos os meus 30 anos da ativa, e ainda pago hoje, mesmo aposentado, um valor considerável a um Fundo de Previdência Privada para ter uma aposentadoria que me garanta uma vida mais digna. A esmagadora maioria do nosso povo, entretanto, não tem esta oportunidade e nem recursos para assumir uma previdência privada. O resto é só discurso político.Como se vê eles nos desconsideram sempre e de há muito tempo. Chamar-nos de vagabundo foi apenas um pequeno detalhe. Por outro lado, de uma maneira geral, a sociedade e especialmente o mercado de trabalho, sempre nos olharam com certo desprezo também. Aposentado, e já com idade avançada, não servíamos para nada útil. Como dizem alguns: “Seríamos cartas fora do baralho”. A experiência acumulada que muitos de nós carregam nesta ou naquela profissão jamais despertava interesse. Acima de 40 anos vínhamos sendo considerados “velhos”. Mas parece que alguma coisa mudou na visão, ou na percepção dos que comandam o chamado mercado de trabalho. Seremos agora menos “vagabundos”?!  Não obstante os sérios problemas de desemprego, de repente começaram a surgir oportunidades de trabalho para os aposentados, agora mais bem olhados, pelo menos por alguns, como os que acumulam bastante experiência. Ainda são poucos os aquinhoados, mas já é alguma coisa a ser considerada.Estou chegando aos 70 anos e me considero muito ativo, não tenho nenhuma vontade de parar. Há alguns anos voltei a escrever publicamente, já aposentado, e espero merecer prosseguir nesta labuta que me ajuda muito a viver. Minha aposentadoria já completou 20 anos e, neste período, antes de voltar à escrita, desempenhei outras atividades, especialmente artístico culturais.Outro dia comentei com um amigo que todos aqueles aos quais o bom Deus permitisse chegar a 30 anos de aposentados, nesta vida, deveriam merecer uma “segunda aposentadoria”. Não riam, não, acredito que ela seria mais justa, mais decente e mais ética do que muitas que andam a receber por aí, alguns até com 4 e/ou 8 anos de determinadas atividades. Pior, os que as acumulam, em plena atividade profissional. Colecionadores de aposentadorias, mas tudo feito legalmente, lógico.E nem vou me referir aos muitos cidadãos que chegam a receber de aposentadoria menos de um salário mínimo. Como esses brasileiros conseguem sobreviver? Sei lá, amigos, perguntem aos… (<@+**&#%+>)… que aprovam tal descalabro.

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