ATAQUE E DEFESA

            Quando horários de trabalho eram cumpridos, fui almoçar com colegas de setor numa churrascaria. Só na hora do cafezinho é que verificamos que já estávamos atrasados. Num instante pagamos a conta e, paralelamente, puxamos os maços de cigarros dos bolsos enquanto saíamos. Neste momento um dos participantes deu a contra-ordem: – “Péra aí! Se vamos acender os cigarros, vamos sentar de novo na mesa! Fumar tem que ser primeiramente um ato de prazer!” ·Sempre lembro disso quando constato que os meus prazeres andam perdendo espaço para o acúmulo dos meus anos: não fumo há 13 anos, o sexo se tornou bissexto, o JB acabou, não me lembro da última “chopada” com amigos e ainda me recomendam trocar a macarronada pela alface. O consolo é que ainda consigo escolher os meus livros, Cds, Dvds e filmes.         E percebo que uma outra das minhas satisfações está se distanciado: a de assistir “in loco” a um bom jogo de futebol. Andei atrás do Internacional de Falcão e do Santos de Robinho.  Tenho “dor de cotovelo” por só ter visto pela TV a seleção de 82 do Telê, que não ganhou a Copa, mas foi o melhor time que vi jogar. E daí se não ganhou? Azar da Copa!        Atualmente a Primeira Divisão do Campeonato Brasileiro é disputada, com raríssimas exceções, por atletas de segunda e terceira classe. Os promissores futebolistas brasileiros são exportados aos 15, 16 anos. Na última Copa, apenas três dos 23 convocados jogavam no Brasil.          O Arthur Dapieve, no Globo contou que um “amigo está pensando em voltar para análise porque tem torcido mais para o Barcelona do que pelo Flamengo. Outro, alvinegro, diz que o filho pequeno torce pelo Botafogo e pelo Arsenal, da Inglaterra, em igual medida”.         Graças às transmissões internacionais dos superorganizados campeonatos europeus, disputados pelos melhores jogadores do planeta em estádios e gramados impecáveis, daqui há pouco tempo, seremos nós que, domingo à tarde, esparramados no sofá da sala, pipoca numa mão, cerveja na outra, estaremos devidamente uniformizados nos esgoelando pelo Real Madrid da Espanha, pelo Milan da Itália, ou quem sabe pelo Galatasaray… Da Turquia.           O misto de filósofo e comentarista esportiva João Saldanha dizia que o jogador de futebol é o nosso melhor produto de exportação: descobertos na várzea exigem baixo investimento e são vendidos por milhões de dólares. Como os campos de pelada são cada vez mais raros, uma das causas do empobrecimento e endividamento dos clubes brasileiros, daqui a pouco não seremos mais fornecedores de mão de obra futebolística e as eletrizantes disputas dos eternos clássicos do futebol como o Gre-Nal ou o Fla-Flu se restringirão aos jogos eletrônicos.             Só vai restar torcer para que esse tal de vôlei – “aquele futebolzinho jogado com as mãos” – não se canse de dar alegria!

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