AU, AU, AU…

      Adoro animais, e tenho um carinho muito especial por alguns, especialmente por cavalos e cães. Uma das maiores injustiças que os homens fazem é chamar alguém grosseiro, violento, rude, mal-educado, de cavalo. Isso me revolta. Manifestei este meu sentimento na crônica “Cobra Venenosa, e Outros” divulgada em março/2001.   Durante  esses últimos dias deu-me uma vontade  enorme de escrever sobre outra injustiça que a mídia internacional estava a fazer com uma das raças mais dóceis de cães: o poodle.   Nem o dicionário, em sua definição, consegue ser realmente justo e descrevê-los como julgo que eles mereceriam. Dizem os senhores lexicógrafos, em seus dicionários sobre o poodle: “Designação comum a certos cães de tamanhos e cores variáveis, focinho retangular, orelhas pendentes e pelagem crespa e macia; inteligentes e bons caçadores, podem ser também cães de estimação.”    Mas, o que disse a mídia sobre este dócil e lindo cãozinho? Como os amigos e amigas devem ter lido, chamaram-no de “Blair”, ou melhor, já que a ordem dos fatores altera aqui o sentido final: chamaram o Primeiro Ministro Inglês, Tony Blair, de “poodle de Bush”. Quanta injustiça para com o adorável bichinho caseiro.   Afinal um poodle jamais aprovaria atitudes que seriam melhor atribuídas a cães da raça dos pitbull entre outros considerados ferozes e que já deram até exemplos, não só de atacar, como também de matar seus próprios donos. Vide o que aconteceu com uma senhora, há poucos dias atrás, creio que em S. Paulo.   Mas, de repente, eis que mudei de opinião. E por quê? Quando comecei a ler notícias e a ver o próprio poodle, digo, Blair, na Tv, a dar as primeiras mordidas no calcanhar de Aquiles, digo, de Bush. Por extensão o poodle, digo, o Blair, saiu a morder os “heróis da retaguarda”, o tal de Rumsfeld, o Powell, entre outros. Bem que mereciam também uma mordidinha em suas respectivas línguas. Como falam, e como mentem. Páreo duro com o tal de Saddam, só que este joga no outro time.   E por que o poodle, digo, o Blair, parece ter mudado de atitude? Por que ele estaria agora investindo, até com certa insistência, contra os pitbull, também conhecidos como “falcões”, que adoram aquele conhecido jogo, o “War”. Só não o jogam com seus filhos, sobrinhos, netos, irmãos, isso não. Colocam sempre na luta os filhos, sobrinhos, irmãos e netos, dos outros, claro. Au, au, au…  digo eu também.   Ora, até paciência de poodle, ou de Blair, tem limite. Afinal o pitbull chefe já fala em que o ex Estado soberano do Iraque, com ditadura ou sem ela, terá um presidente, americano, e mais 23 ministros (adivinhem???)… também americanos! A coisa anda na base de listas. Segundo a imprensa internacional, o Sr. Rumsfeld teria rejeitado uma lista de nomes feita pelo Departamento de Estado. Do Iraque? Não, dos EUA, mesmo. Ora, queriam estragar a “brincadeira” entre amigos do peito, dele?!   O renomado jornal britânico, “The Guardian” deu a fórmula do “bolo” com todos os seus ingredientes. Outros também divulgaram. Segundo o mesmo “The Guardian” o general Tommy Franks teria declarado que:   “O Iraque será tomado, cidade por cidade, e áreas declaradas “liberadas” serão transferidas para o governo temporário sob o controle geral de Jay Garner, ex-general já indicado para encabeçar a ocupação militar do Iraque.”   Au, Au, Au… vem mais chumbo grosso, ou mais latidos pela frente. O general Garner estaria incomodado porque as decisões sobre a composição do governo estariam nas mãos do feroz Wolfowitz, adjunto de…. Rumsfeld (olha ele aí de novo, gente…)   E o “The Guardian” garante que no governo Bush a disposição do Pentágono de controlar o processo de governar o Iraque, pós Saddam (mas ele ainda nem foi achado, ou sequer deposto ou capturado??!!) esbarra no Departamento de Estado, dos EUA, que quer “pleno entendimento” com a comunidade internacional e também a “presença da ONU”, esta  entrando com um coordenador especial.   Quer dizer, os falcões, ou  pitbulls, nem sequer conseguem concordar quanto à fórmula do “bolo”, quanto mais o repartir o mesmo posteriormente! Au, au, au…  daí o desconforto, entendem agora, do poodle, digo, do Blair, que é, por seu turno, também favorável ao envolvimento internacional e da ONU no que chamam de “reconstrução” do Iraque. E ainda nem sequer tomaram Bagdá de verdade, só em discursos e imagens da CNN! Por enquanto estão só no “cerca Saddam”…   Igualmente os países do leste europeu, ex-comunistas, aliados nesta empreitada, estão agora (noticiário de hoje) ficando cansados com essas decisões, ou indecisões, e ameaçam também latir forte… Será que terão força para tanto? Eles entraram nesta muito mais pelos US$ do que por outra convicção. Au, au, au…  para eles também.   E para encerrar, vocês viram os depoimentos do embaixador britânico e da embaixatriz americana no Senado brasileiro, na semana passada? O britânico foi  esclarecedor, respondeu a todas as perguntas, sem restrições, e ainda afirmou, que (eu ouvi) : “Nós queremos libertar o Iraque de Saddam. Jamais pretenderíamos apossar-nos de suas riquezas, quaisquer que sejam.” Xiiiii… Imaginem o olhar da embaixatriz americana ao seu colega! Eu vi. Entre os dois estava sentado o senador Suplicy.   A representante americana, desta vez nada simpática, recusou-se a responder a várias perguntas dos senadores e pediu que as enviassem a ela por escrito que depois daria suas respostas, também por escrito, claro. Huummmm….. Coisa feia, madame! Por isso não convenceu nenhum senador quanto aos argumentos a favor da guerra.   Alguém quer fazer algum comentário? Se quiser, por favor, enderece a ela. Não tenho nada com isso. Ah, sim, mas me permito mandar daqui o meu Au, Au, Au…  para a ilustre senhora, à moda do saudoso Ibrahim Sued.   Francisco  Simões.