BARBEARIA DO OTÁVIO

    <!– /* Font Definitions */ @font-face {font-family:Verdana; panose-1:2 11 6 4 3 5 4 4 2 4; mso-font-charset:0; mso-generic-font-family:swiss; mso-font-pitch:variable; mso-font-signature:536871559 0 0 0 415 0;} /* Style Definitions */ p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal {mso-style-parent:""; margin:0cm; margin-bottom:.0001pt; mso-pagination:widow-orphan; font-size:12.0pt; font-family:"Times New Roman"; mso-fareast-font-family:"Times New Roman";}@page Section1 {size:612.0pt 792.0pt; margin:70.85pt 3.0cm 70.85pt 3.0cm; mso-header-margin:36.0pt; mso-footer-margin:36.0pt; mso-paper-source:0;}div.Section1 {page:Section1;}–>            “Era uma vez”uma barbearia que havia perto da minha casa em Friburgo,  cujo dono sechamava Otávio.            Entre os freqüentadores, havia dois eternos adversários do jogo de damas quesempre que podiam faziam observações sobre os princípios de honestidade e deética. Mas que, durante as partidas, bastava um se distrair para o outrosurrupiar uma pedra de damas ou simplesmente mudá-la de lugar.             Outro assíduo do lugar era o “seu” Salustiano, ex-marceneiro, que gostava defalar difícil. A quase tudo classificava como um “despautério” ou que estava”cético” quanto aos resultados. Todavia, os seus detratores diziam que “seu”Salustiano era analfabeto.              Quem dava “audiência” mesmo era “seu” Machado, caminhoneiro e mentiroso semigual. Contou que no Paraná soube de uma cobra, cuja picada cegava. Uma noite,dormindo junto ao caminhão, ouviu um barulho e ficou em alerta. Um segundoantes da cobra dar o bote ele pulou para o lado. A cobra passou por ele, masnão perdeu a viagem: picou o pneu do caminhão. A partir daquele dia o farol dolado direito do veículo não mais acendeu.             Outra história recorrente foi de uma senhorinha que reclamou, na barbearia, como tenente da PM, também damista e freqüentador do local, sobre as indecorosaspropostas de um cabo do batalhão. Dias depois o tenente tocou no assunto da talsenhorinha com o cabo. Antes que o tenente prosseguisse, o cabo perguntou: “éuma fulaninha assim e assado?”. “É essa mesmo”, respondeu o tenente”. “O osenhor chegou tarde. Já comi”.               Uma das características do Otávio, o barbeiro, é a de sempre ter na ponta da línguauma frase feita, do tipo “Nem tudo que reluz é ouro” ou “Um dia a casa cai”.          Uma de suas frasesteve peso preponderante na minha decisão de aposentar. Contei-lhe que jáadquirira o direito e ele perguntou se o meu salário iria cair. Disse-lhe queera integral.  Foi aí que ele olhou bempara mim e falou: “Me desculpe à franqueza, mas quem pode ficar em casa,ganhando salário igual ao da ativa, está trabalhando de graça!”.  E voltoua cortar o cabelo, com a certeza de ter dito uma verdade definitiva.

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