BIG BURREZA BRASIL

    Estava começando a escrever um texto sobre o excrementoso programa BBB, da Globo, quando o amigo e poeta, Francisco Carlos Del Prado, me repassou uma mensagem com o título de “Constatação”. Decidi considerá-la, até porque apresenta elementos  para se fazer uma análise da extensão do estrago que o tal BBB causa em nossa debilitada cultura nacional, além de expor  “feridas” de nossa sociedade.Quando do BBB 2 ou 3, não me lembro, ao escrever sobre o tal programa e sobre a vitória do jovem conhecido como… “Bam-Bam”, alguém considerou minha crítica como…”preconceituosa”. Logo eu?! “Bam-Bam” passou a freqüentar quase todo programa de Tv como um exemplo (?!), nem sei bem do que, mas lá estava ele a falar errado e a mídia a apóia-lo como uma espécie de “campanha anti cultura nacional”.  Mas a Rede Globo deve estar se orgulhando de chegar agora ao BBB número 6. Também pudera.  Vocês sabem quanto o nosso povo entrega de mão beijada para a Tv e para a Telemar a cada etapa do que chamam de “paredão”? Pois bem, leiam o que diz a mensagem que recebi e que faço questão de ir dando ênfase neste texto:”29 milhões de ligações do povo brasileiro votando em algum candidato para ser eliminado do Big Brother. Vamos colocar o preço da ligação do 0300 a R$0,30. Teremos então… R$8.700.000,00. Isso mesmo! Oito milhões e setecentos mil reais que o povo brasileiro gastou só num “paredão. Suponhamos que a Rede Globo tenha feito um contrato “fifty to fifty” com a operadora do 0300, ou seja, ela embolsou R$4.350.000,00.”  Confesso que fiquei estupefato pois não fazia idéia de que, em alguns minutos apenas, pudesse haver tal interesse capaz de gerar tantas ligações telefônicas e para um objetivo, convenhamos, nada nobre. Isto me transportou para os programas “Criança Esperança”, do Unicef, promovido pela mesma Rede Globo, e pelo “TELETON”, a cargo do SBT e do Sr. Sílvio Santos, ambos com objetivos humanitários semelhantes.Eu os tenho acompanhado parcialmente, em especial o “TELETON”, para o qual sempre dedico a minha modesta colaboração. Ambos permanecem no ar, com o objetivo de arrecadar fundos junto aos telespectadores, durante 24 horas, às vezes até um pouco mais de tempo. Vê-se a dificuldade que é para atingirem o objetivo colimado no que se refere ao montante a arrecadar, a cada programa.Assim mesmo, no “TELETON” costumam alcançar os 8, ou 10, ou 15 milhões de reais, objetivo previamente estabelecido, somente ao final do programa, ou após 24 horas de shows e apelos tantos, e mesmo assim porque chegam então cheques de grandes empresas que acabam por não frustrar o esforço de tantos artistas, solidários.Mas, continuemos com a mensagem que estou focalizando no correr deste texto. Ela lembra o que aconteceu na Inglaterra quando pensaram em fazer um “Big Brother” só com pessoas inteligentes, cultas, bem informadas, etc. Leiam o que o autor lembra: “O projeto morreu na fase inicial de testes de audiência. A razão? O nível das conversas diárias foi considerado muito alto, ou seja, o público não se interessaria.” — Vejam bem, isto aconteceu na Inglaterra, não no terceiro mundo nosso de cada dia.Permitam-me registrar um outro trecho da mensagem em questão: “Programas como BBB existem no mundo inteiro, mas explodiram em terras tupiniquins. Um país onde o cidadão vota para eliminar um bobão (ou uma bobona) qualquer, mas não lembra em quem votou na última eleição.” “Que vota numa legenda política sem jamais ter lido o programa do partido, mas que gasta seu escasso salário num programa que acredita de extrema utilidade para o seu desenvolvimento pessoal e que não perde um capítulo sequer do BBB para estar bem informado na hora de … PAGAR pelo seu voto.”O autor arremata esta parte do seu texto desta forma: “Que eleitor é esse? Depois não adianta dizer que algum político é ladrão, corrupto, safado, etc. Quem o colocou lá? Claro, o mesmo eleitor do BBB.”Não tenho nenhum pejo em construir esta crônica à volta, digamos assim, da mensagem que me foi repassada pelo bom amigo e poeta Francisco Carlos Del Prado, o que já fiz outras vezes, procurando valorizar habitualmente textos e/ou autores, inclusive quando apresentei crônicas escritas a quatro mãos com outro escritor ou leitor. Felizmente não sofro de nenhum egocentrismo literário. E por concordar plenamente com o afirmado a seguir, registro as palavras que encerram a mensagem: “Chega de buscar explicações sociais, coloniais, educacionais. Chega de culpar a elite, os políticos, o Congresso. Olhemos para o nosso próprio umbigo, ou o do Brasil. Chega de desculpas, quando a resposta está em nós mesmos.””A Rede Globo sabe muito bem disso. Os autores das músicas “Egüinha Pocotó”, “O Bonde do Tigrão” e assemelhadas sabem muito bem disso. Não é maldade nem desabafo, é uma constatação.”Esta carapuça temos que assumir:– “Chega de desculpas, quando a resposta está em nós mesmos.”–  Pois é, afinal quem devolveu ao Congresso os senhores ACM, Arruda e Jáder Barbalho depois de os três haverem escapado de um processo de cassação, à época,  fugindo pela via da renúncia, se não nosso povo, e pelo voto??!! Agora, após cassarem três pelos escândalos denunciados sobre o tal “mensalão”, depois de tanto estardalhaço, através de acordos diversos andam a absolver os demais!!! E a gente fica a acreditar em “oposição” e “situação”??!! Em discursos inflamados de ACM Neto e outros líderes que desancam o pau no PT e no Lula mas, por trás das cortinas… Vergonha, gente. Mas eles serão reeleitos, com certeza.Aí está a nossa “BIG BURREZA BRASIL”, nua e crua, na Tv, no voto, nos discursos, em cada  consciência, em cada atitude, no nosso espelho, diariamente.

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