“COPIAR/COLAR”

    Quando fiz minha tese de pós-graduação a única ferramenta de busca que eu conhecia na internet era o indigente “Cadê?”. Então, o jeito foi me aproveitar de um amigo para “escanear” as matérias publicadas pelas revistas semanais e, utilizando o “copia/colar”, fui montando os vários capítulos de uma monografia, contando de onde vinha, o que queria e para onde iria o Movimento dos Sem Terra – MST. A coisa foi tão descarada que relatei até opiniões de alguns deles, “chupadas” das revistas, já que nunca estive com um membro do MST.  Atualmente, com o advento do “Google”, é possível encontrar qualquer coisa na Internet. O Nelson Vasconcelos, colunista de O Globo, contou que transcreveu em seu “blog” comentários sobre a gripe suína do Prêmio Nobel de Literatura, José Saramago, indicando a fonte. Contudo, recebeu um alerta de um leitor de que, ao que parece, Saramago havia copiado um trecho de uma matéria publicada pela revista “Carta Maior”, que, por sua vez, citara o blog do Dauro Veras (?), que citara o “Guardian”. Outro comentário do Nelson Vasconcelos foi de que o site “Comunique-se” revelou que a “Veja” andou copiando trechos de uma reportagem do “Wall Street Journal” sem citar a fonte. A matéria, que era sobre pesquisas genéticas, incitou a um leitor do “Comunique-se” ao comentário de que “Veja bem: foi uma matéria geneticamente modificada”. Lembrou, também, o cronista que, Chacrinha é que tinha razão quando há “séculos – muito antes do advento do copiar/colar –  já dizia que “nada se cria tudo se copia”. Notícias dão conta de que, descaradamente, no “mundo jurídico” e nos trabalhos escolares, a utilização do “copiar/colar”, já ultrapassou – impunemente – as raias do absurdo. Mas, existe outro tipo de esperteza: tem muita gente que, se escondendo atrás de nomes famosos, divulgam seus textos pela internet. O Veríssimo, educadamente, diz que teria o máximo prazer em assinar alguns deles. Já o truculento Arnaldo Jabour desancou com todos os que leu, afirmando que nenhum estaria a sua altura.  Atualmente em baixa, mas já foi prática na imprensa, a utilização de pseudônimos. Sérgio Porto assinava como Stanislaw Ponte Preta, no finado jornal Última Hora e Ricardo Boechat já foi o Carlos Schwan, antigo título da coluna social de O Globo.       Isso me lembra que em Friburgo, escondido sob dois pseudônimos diferentes, havia um articulista que escrevia o editorial tanto do jornal situacionista quanto do oposicionista.  Só que um dia, época em que ainda não havia ainda os revisores, o cidadão, no jornal da situação, “meteu o pau” no prefeito e, no da oposição, fez rasgados elogios ao primeiro mandatário da cidade.Demitido dos dois jornais, o articulista, que jogava nos dois times, não lamentava o desemprego. O que o magoava era ver – já naquela época – copiados e colados, os artigos, que assinara sob pseudônimo, serem republicados – na íntegra – tanto no jornal da situação quanto no da oposição, só que, desta feita, devidamente assinados.

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