DEBATE

                Há quem diga que mesmo os maiores enxadristas do mundo, como o americano Bob Fisher ou o russo  Boris Spassky, desestabilizavam os seus adversários, chutando-lhes a canela por debaixo da mesa. Quando se enfrentaram, especulou-se que a colocação de uma madeira que ia do fundo do tampo ao chão, foi para impedir agressões mútuas.               Reza a lenda que no último debate realizado antes da eleição presidencial de 1989 entre Lula e Collor, este último colocou bem à vista do adversário, diversas pastas conotando conter documentos “bombásticos” e que a estratégia desestabilizou o candidato do PT.             Vi um filme reproduzindo uma história real, em que o ex-presidente dos Estados Unidos, Richard Nixon, já aposentado, aceita – em troca de 200 mil dólares – conceder uma série de entrevistas ao jornalista britânico David Frost, sobre o escândalo político de Watergate. Antes de começar a responder as perguntas que lhe eram feitas “cara a cara, Nixon tentava desestabilizar o jornalista com perguntas do tipo: “o sapato que senhor está usando não é para afeminados, não?”ou “o senhor fornicou na noite passada?””.             No debate da BAND, semana passada, fiquei elucubrando que “armas” poderiam utilizar Serra e Dilma, os candidatos com chance de vitória, um contra o outro, durante os intervalos.              Se Serra acusasse Dilma de ser adepta das Farc’s, guerrilha que atua na selva colombiana, esta poderia apontar Serra como simpatizante da Mancha Verde, guerrilha urbana palmeirense. Se Serra lembrasse a petista de ter como vice um mordomo de filme de vampiro, o Milton Temer do PMDB, Dilma poderia retrucar: “e você que tem na chapa o boquirroto Índio da Costa, que ainda por cima é do DEM?”.  Quem sabe o Serra poderia denunciar a Dilma de ter feito plástica para ser candidata e atenuar a feiúra e esta rebater lembrando a piada de que quando Serra nasceu o médico teria dito “volta, volta que ainda não está pronto”.             Contudo, o encontro foi tão morno que eu fiquei com a nítida impressão de que, durante os intervalos, em vez de tentativas de desestabilização, houve troca de receitas. E que, no final, Dilma presenteou Serra com uma simpatia para acabar com insônia e este lhe retribuiu com fotos da nova tendência dos penteados femininos.

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