DESFILE DE SETE DE SETEMBRO

              Uma “preliminar” que me faz falta quando vou ao cinema é o jornal “Atualidades Atlântida”, que, embora reportasse acontecimentos defasados, em compensação, sempre tinha um desfile militar para oferecer. Parecia que no Brasil, todo mês, havia um Sete de Setembro.             As “Atualidades Atlântida” nunca deixavam no esquecimento a vitória dos aliados sobre a Alemanha. Só que aquelas lembranças traziam imagens de desfiles do exército da Alemanha nazista. Por mais que fossem odiados, era impossível não admirar a disciplina, a cadência, a harmonia e o garbo dos soldados alemães nos seus passos de ganso.             Quem sabe por essa admiração, quando fui cursar o antigo ginásio, quis fazer parte da bateria do Colégio Anchieta, de Friburgo. Mas, tive que me contentar em desfilar junto à maioria dos alunos, porque a “fanfarra” era privilégio apenas dos alunos do científico.            Vindo de um colégio de elite e considerado “filhinho de papai” por não trabalhar, ganhei status de “importante” no colégio público onde passei a estudar à noite e a ser um pseudo diretor da bateria do colégio, em saber tocar nenhum instrumento.            Todo ano circulava a conversa de que a melhor bateria receberia um troféu. Como o troféu jamais aparecia, todo mundo se auto proclamava o vencedor.            O Colégio Nova Friburgo, internato onde estudavam alunos vindos “de fora”, era, não sei por qual motivo, quem fechava o desfile. Quando aparecia, provocava um “frisson”. Ninguém ousava sequer respirar. Os alunos, sempre com o mesmo modelo de uniforme, marchavam e tocavam “por música”. Nenhum estudante olhava para os lados. Era um desfile rápido, sem nenhuma evolução ou interrupção, disciplinado, cadenciado, harmonioso e com garbo comparável às tropas de Hitler. Após a apresentação do CNF sentíamo-nos derrotados e corroídos de inveja ao vê-los desfilarem abraçados às friburguenses mais cobiçadas.