NÃO SOU TÃO VELHO ASSIM

                Semana passada registrei aqui minha concordância com uma matéria de “O Globo” que afirmou que a internet dificultava o aprendizado e que a dependência dos PCs e celulares afetavam a capacidade de raciocinar. Por causa disso recebi alguns “puxões de orelhas” pela a implicância com a modernidade.             Os missivistas (palavrinha antiga!) não deixam de ter alguma razão, já que provavelmente fui um dos últimos mortais a ter um celular. Mesmo assim, devo confessar que ninguém conseguia falar comigo porque eu nunca sabia onde havia colocado o aparelho. Há cerca de um mês perdi o danado e vivo arranjando desculpas para não comprar um novo.              Mas, um dos críticos pegou pesado. Disse que “eu ainda vivo na idade da pedra e devo participar de algum complô para ‘desinventar” a roda”. Não sou tão velho assim.             Lembro que passei um bom tempo rindo à toa quando o BC trocou as máquinas IBM’s esfera por micros. Nas IBM’s éramos obrigados a datilografar as correspondências no papel timbrado e duas ou três cópias produzidas em papel de seda, por meio de carbonos. Qualquer erro levava um tempão para ser corrigido. Tínhamos que acionar a tecla “reset” e, com uma fita corretora, fazer o conserto no original. O problema era corrigir as cópias. Deveriam ser apagadas com lápis borracha, uma a uma, e bem devagarzinho para não rasgarem. Com os micros a correção passou a ser trabalho de segundos: bastava teclar o “Del”, corrigir e, depois, com um ou dois toques, informar quantas cópias deveriam ser impressas.              Atualmente acesso à internet diariamente para ver as mensagens pessoais e ler sites de notícias. O que me preocupa é que para acompanhar a minha esposa em suas reuniões noturnas, ando travando uma batalha íntima para não levar o laptop. De vez em quando perco.             É claro que a informática oferece facilidades nunca vistas. Mas discordo do que ela faz com as pessoas como foi o caso do resultado de uma pesquisa que indicou que os italianos  preferem ficar sem sexo a abrir mão dos seus telefones celulares. “Péra aí né?!                          A informática talvez seja a derradeira revolução. Mas, todas as invenções, cada uma em sua época, também foram revolucionárias. Não sei a ordem, mas, começou com a roda, o motor a explosão, o telégrafo, o rádio, o telefone, etc. Uma levou a outra.               De outro e-mail, bastante positivo, cujo autor é tão saudosista quanto eu, aproveito uma frase que lembra “como foi interessante ter nascido nos anos cinqüenta”.              Nós, nascidos nos anos cinqüenta, tivemos infância de criança e adolescência de jovens. Vivíamos ao ar livre. Não fomos confinados nos plays e nos shoppings. Depois, na fase adulta, nos adaptamos à informática, sem nos tornar escravos. Podemos contar e mostrar aos nossos filhos que a vida independia da informática e até da eletricidade. A felicidade estava em “dirigir” um carrinho feito de lata de leite em pó, brincar de “pique” e namorar de mãos dadas.

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