O NOSSO CANDIDATO

    Como sabem eu não pretendia por ora me imiscuir em assuntos da política, muito menos da brasileira. Tem muita gente escrevendo, falando, analisando, criticando, denunciando, não mais um mar de lama, mas um infinito de sem-vergonhice. O pior é que na hora do que o povo chama de “pega pra capar” a gente fica sem saber quem é governo e quem é oposição. Ora se digladiam, ora se beijam e abraçam, e quanto devem tramar por baixo dos panos… e quanto!! Alguns acreditam em certos discursos porque o “orador” diz o que nós gostaríamos também de dizer. A diferença é que nós somos autênticos, sabemos o que queremos, já os oradores oportunistas dançam é de acordo com a música. Mas isso pode mudar… Pode? Bem, muitos acreditam que sim. Você pergunta a minha posição? Pois eu lhe digo que não, e explico, até porque não é bem assim e para mudar mesmo, teríamos que conseguir colocar, por exemplo, no Congresso, só pessoas da mais extrema confiança nossa, ou de cada um. Ah, você ainda acha isso possível? Acredita que só com o voto podemos mesmo mudar tudo por lá? Desculpa, gente, mas não viaja, não desliza na maionese, por favor. Eu disse em só colocarmos lá pessoas de nossa extrema confiança, será que fui claro? Ah, ainda não entendeu? Não mesmo? Tudo bem, vou ser mais explícito.   Eu quero saber se nós podemos, sim, votar e tentar eleger “o nosso candidato”, aquele, ou aqueles que conhecemos bem e sabemos de sua retidão, de seu caráter, de sua ética, de sua honestidade. Eu conheço gente assim, mas não posso votar neles, nem eu nem você. Putz, ainda não entendeu? Acorda, gente boa. Por acaso nós temos o dom de colocar alguém, ou alguns, como candidatos? Vai, me responde, vai? Continua com essa cara de “tô voando”!!… Brrrrr… Vamos seguir. Presta bem atenção às minhas palavras: quem escolhe, quem seleciona os candidatos são realmente os Partidos, repito, os Partidos políticos, não nós. Os Partidos têm total influência nessa escolha e só aceitam quem eles quiserem. Claro que por mais que algum cidadão se julgue em condições de se candidatar a um cargo eletivo se ele não ler pela cartilha de algum Partido, estará fora. Fora, sim. Isto é, os tais candidatos já vêm para o nosso julgamento com os vícios e o cabresto dos respectivos Partidos. Ninguém se candidata e muito menos se elege se não for por este caminho. Começou a acender a luz agora? Muito bem, então sigamos. Quando pessoas honestas, bem formadas, cheias de boas intenções (e conheço muitas), se empenham em propagar para tentarmos mudar os congressistas, para tentarmos construir um Congresso novo, confiável, que mude o rumo da nossa política, eu os aplaudo, mas só na intenção, porque sei bem que na realidade isto é por demais difícil ou quase impossível. Será que estou a me fazer entender agora? Os candidatos inclusive se repetem muito, fora os clãs que se vão formando aqui e ali dentro de cada partido. E o povo, ao qual pertencemos, não tem escolha. Melhor dizendo, escolha até tem, todavia sempre dentro daquela roda viva que os partidos controlam de acordo com os seus interesses. Tudo não passa de uma espécie de “jogo manipulado” pelos partidos que aí estão e dentro deles pelos que têm o maior poder de decisão. Vá, diga que estou mentindo? Vai dizer? Nós, gente boa, só servimos para… votar, e votamos porque somos obrigados por uma lei que os países do primeiro mundo já baniram faz muito tempo.  Temos uma forma de manifestar nosso repúdio a tudo isso, temos sim, mas além de alguns bem letrados, bem formados e politizados não aprovarem seria impossível convencer grande parte de nossa gente a faze-lo, já que nem politizada é.  Claro que isso passa pela educação, pela base, e os governos nunca tiveram interesse em dar maior oportunidade a que nosso povo tenha acesso fácil à ela, pois assim eles o controlam, ou o iludem melhor, com maior facilidade. O jogo é este, gente minha, o jogo é este. Enquanto nós não reagirmos para valer, democraticamente, usando o nosso voto, sim, mas de outra forma, como é comum acontecer na Europa e nos EUA, nada irá mudar, nada. Mais explícito que isso só  eu me desnudando, e strip-tease político não é o meu forte. É claro que até existem políticos aparentemente bons, quase confiáveis, em certos partidos, o problema é que quando a coisa aperta para o lado do conjunto deles, como agora, fica-se sem saber quem é governo, quem é oposição. E quem é oposição hoje já foi governo ontem e também já empurrou muita coisa para baixo do tapete, já nos engabelou com privatizações mal explicadas, entre outras coisinhas mais que parece terem caído no esquecimento de muita gente.  Aí vem alguém e me manda uma manifestação de revolta, porém desanca o pau em nossa gente, no nosso povo, lista defeitos, desvios de caráter, comportamentos deploráveis, coisas que sabemos verdadeiras, mas que não atingem a maioria, tenho certeza disso. E quando o alvo primeiro de sua crítica passa a se tornar nossa gente, nosso povo, meu amigo, você está ou querendo sentar em cima do muro ou aliviar a barra dos políticos, porém sem coragem de assumir esta posição. Faça-me o favor… Não é por aí. Você tomou o caminho errado. Chegamos então à conclusão, pelo menos eu chego, que verdadeiramente O NOSSO CANDIDATO não existe, é uma balela. Escolher o menos pior, o que irrita um bom amigo meu, também já me cansou, já me levou ao desânimo, e estou às vésperas dos 73, mereço mais respeito, não tenho obrigação de me submeter mais a essa leviandade de fazer de conta que escolho o melhor, quando sei que estou mentindo para mim mesmo.  Enfim aquele em quem eu queria votar os Partidos não deixam, não permitem, e são eles que mandam. Ademais tenho certeza que O MEU CANDIDATO, sério, honrado, ético, patriota, competente, jamais se submeteria a integrar um grupo que, logo de início, tentaria convence-lo a dançar de acordo com a música, deles… O MEU CANDIDATO renunciaria e não seria levado a sério, se ainda não inventassem histórias para manchar a sua honra. Política cachorra e nojenta. A você, meu bom e honrado amigo.