O VISTO MALVISTO

    Muitas vezes já ouvimos ou já lemos notícias de queixas constantes sobre o procedimento de funcionários do Consulado Americano na hora de atenderem a pessoas que buscam conseguir o visto para ir aos EUA. A negação do mesmo é uma rotina que se repete e muito e pelas alegações as mais absurdas.É evidente que eles seguem orientações superiores. Parece que existe uma espécie de má vontade, de cima para baixo, independente de outras justificativas que tentam fazer crer aos infelizes que se postam horas em fila para tentar o tal visto.Outro dia uma boa amiga com quem trabalhei no BB e que, como eu, também já está aposentada há alguns anos, recebeu um convite de pessoa de sua relação de amizade para ir até Orlando, onde esta reside. Ela ia se casar e gostaria de sua presença.Minha amiga, que por sinal viaja muito e já conhece, para além do Brasil, grande parte deste nosso mundo azul, possui nacionalidade dupla e tem passaporte português. Com este ela não precisaria do malfadado visto para entrar nos EUA. Ocorre que seu passaporte europeu estava vencido e ela só iria receber o novo em data após o casamento da amiga.Mais ainda: ela recebera, de surpresa, a passagem vinda de parte da mãe da amiga que a convidara. Não querendo perder a oportunidade tratou de ir ao Consulado obter o, desculpem a má palavra, … visto. Há algum tempo atrás ela já passara por esta experiência e ficou mesmo enfurecida ao lhe negarem o dito cujo.Pois desta vez não foi diferente. Leiam o que ela me escreveu: “Imagina, Simões, que perguntaram o que eu ia fazer sozinha em Orlando, se lá é mais para criança?… Ocorre que eu estava indo sozinha mesmo apenas para estar no casamento da amiga. Ademais o que eles têm a ver com isso?” Minha amiga tem sob sua guarda o neto desde que sua filha faleceu, há alguns anos. Pois o funcionário, ao perceber isso, indagou-lhe por que não levava o seu neto com ela!! Disse-me ter respondido que  seu jovem neto está estudando e que, ademais, não queria mais conhecer a Disney por ter ficado também decepcionado quando antes igualmente lhe negaram o visto sem motivo algum, sem qualquer justificativa.Agora falo eu: desculpem, mas eu não aturo este tipo de coisa de gente arrogante que se julga dona do mundo. Jamais passei por esta situação porque sempre disse à minha saudosa esposa que não me submeteria à essa humilhação pela qual passam tantos brasileiros. Por isso conheci muito bem o nosso Brasil, em tantas viagens, ainda bem mais novo, e, já aposentado, preferi ir viver por 4 longos períodos na Europa.Mais adiante, diz a minha amiga na mensagem: “Aí, Simões, o sujeito (na explosão ela usou determinado adjetivo, justificadamente como eu o faria, mas preferi trocá-lo, lógico) me perguntou: Qual foi a última vez que viajou e para onde?”E prosseguiu ela em sua narrativa: “Amigo, colocando meu rosto em cima das mãos e olhando bem para o P…… (não deu para perceber se o cidadão se chamava Paulo ou Pedro…) respondi…é só o senhor ver no meu passaporte, foi no ano de 2000 e para a Tunísia.” — Se ele imaginou ser gozação, o fato é que era verdade. Minha amiga, repito, tem viajado por quase todo este mundo. Mas vamos seguir.O referido funcionário que certamente não está ali para pensar mas apenas para cumprir ordens e deve se orgulhar disso (?!), com tom de raiva falou: “Senhora, os Estados Unidos da América negam o seu visto.”– Falo eu novamente: quanta arrogância, quanta prepotência, por isso nunca pretendi tentar pôr meus pés por lá.Minha amiga me afirma que olhou para ele, sorriu e disse (e ela o faz mesmo, creiam): “Muito obrigada… graças a Deus não vou a um país que vive em Estado de Alerta Vermelho…” Claro que ela lamentou por sua amiga que mora em Orlando e pela gentileza que a mãe tivera em lhe enviar passagem de presente.Ela me contou também que conversou no Consulado com um casal que já tinha o visto para os EUA, porém queria levar junto os seus dois filhos de 14 anos. Eles pretendiam conhecer a Disneylândia. Pois bem, sabem qual foi a decisão do funcionário que os atendeu? Talvez vocês não acertem.O dito cujo, “juiz de razões imaginárias” ou “dono de verdades ilusórias”, concedeu visto a um dos meninos, mas… negou o visto ao outro!!! Sinceramente é quase inacreditável mas foi verdade. O casal teve que encarar uma despesa grande para cancelar o vôo, o hotel, etc, afinal ninguém poderia imaginar algo tão, digamos, surrealista. Só na cabeça de pessoas como eles.Ela também me fez outra afirmação que eu desconhecia e que me deixou estarrecido. No Consulado cobram antecipadamente das pessoas a quantia de cem dólares para a tal entrevista, porém, se não concedem o visto pretendido, não devolvem o referido valor. Aqui pra nós: como você classificaria este tipo de atitude, hein?!Se eles têm o direito de usar este tipo de critério, só lamento que a recíproca não seja verdadeira. Percebem o que digo? Pior, há brasileiros que concordam que nosso país não exerça o que eu chamaria de reciprocidade de atitudes e princípios. Como diz outro amigo: “o pau que dá em Chico deveria também dar em Francisco…” Também acho, mas… Preferimos abaixar nossas cabeças. E eu fico por aqui pois este assunto me cansa, me aborrece e me deixa um tanto indignado. Sem mais comentários.